Março chegou ao fim em termos de Liga NOS, com sustos para os dois da frente, mas sem alterações significativas na tabela. Benfica e FC Porto mantêm-se a um ponto de distância numa altura de decisões e em vésperas de “clássico” na Luz que pode ser decisivo. Nesta fase, a boa forma dos melhores jogadores é fundamental e os “três grandes” parecem não querer deixar nada ao acaso. Os nossos leitores já o sabem, pois demos o “pódio” dos três melhores de Março à votação, com “voto popular” claro para Bas Dost…

🔝 Quem vai ser o Jogador do Mês GoalPoint Ratings de Março?Deixa o teu like/palpite, obrigado!Amanhã revelamos e explicamos o vencedor e na sexta sai o "onze" do mês!www.goalpoint.pt

تم نشره بواسطة ‏‎GoalPoint.pt‎‏ في 22 مارس، 2017

…mas a estatística nem sempre tem muito a ver com o “olho popular”, e existem boas explicações para isso. Os três melhores jogadores do mês de Março foram Pizzi com 7.62, Óliver Torres com 7.29 e Bas Dost com 7.15, por esta ordem.

Porque falhou Dost?

Antes mesmo de dedicarmos a devida atenção ao jogador do mês faz sentido referir o caso Dost, o mais votado pelos GoalPointers, pois isso permite também explicar melhor o nosso trabalho, a quem nos segue. O holandês é daqueles jogadores que acaba por ser “penalizado” pela nossa maneira de abordar a questão estatística, muito mais detalhada e complexa do que a habitual, visto que o seu contributo para o jogo, apesar de fundamental para o resultado final, centra-se num conjunto limitado de acções. Dost não é um primor de técnica individual, não participa activamente na circulação, pouca ajuda na recuperação da posse e raramente oferece muitas ocasiões aos colegas. Naquilo que melhor sabe fazer, marcar golos, sobretudo de cabeça, o avançado é dos melhores da Europa e decide muitos jogos, mas o nosso método de avaliar desempenho vai, conscientemente, muito para além disso, o que ficou evidente neste conjunto de três jogos.

Convém relembrar ainda que, dos seis golos obtidos pelo “leão” nas jornadas em análise, dois foram marcados de grande penalidade, o tipo de golo menos bonificado pelo nosso algoritmo. Foi aliás um penálti a “roubar” o (2º) prémio de jogador do mês ao avançado: o terceiro, frente ao Tondela, que falhou pois… esse é também o lance de (má) finalização mais penalizado nos nossos cálculos. Para lá de falhar o prémio de melhor do mês Dost perdeu também a hipótese de se juntar a Hamzaoui como únicos jogadores a registarem um “10” nesta Liga, quando seguia com um já impressionante 9.6. E assim se ajuda a compreender melhor como funciona um algoritmo que já processa mais de 170 variáveis independentes de jogo e que cuja utilidade vai muito para lá de apenas ponderar golos, sem sequer os qualificar.

Holofotes no “fatigado” Pizzi

Mas centremos agora a nossa atenção no Jogador do Mês GoalPoint Ratings, Pizzi, que apesar de alguma quebra de rendimento registou três exibições muito completas pelos “encarnados” e até voltou a ser chamado por Fernando Santos para a Selecção:

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O homem da batuta

“Está fatigado, não tem a mesma capacidade de explosão”

Muitas vezes ouvimos dizer isto de Pizzi, desde o início de 2017. Um facto que pode ser verdade e facilmente comprovado pelos seus números, mas ainda assim enganador. O Pizzi que chegou a rivalizar com Mezut Özil como “rei” dos passes para ocasião parece andar algo afastado, mas o médio tem compensado com outras características.

É mais ou menos claro que todo o futebol do Benfica passa pelos seus pés. É verdade que em três jogos apenas marcou um golo, fez seis passes para ocasião e uma assistência, mas Pizzi é mais do que isso. Foi quem mais vezes tocou na bola neste período em toda a Liga NOS, 329 vezes, e tem melhorado no passe, com 231 certos (86% de eficácia e apenas menos um que Samaris, que liderou este particular com 232), e a defender somou 17 recuperações e bola e cinco desarmes. São números acima da média dos restantes jogadores do nosso campeonato e reflexo de uma importância fundamental na equipa benfiquista.

Resta saber se estas “novas” valências de Pizzi chegarão para um Benfica a dar mostras de menor fulgor ofensivo, a que não será certamente alheia a menor preponderância de Pizzi no último terço do terreno, quer a marcar, quer a construir futebol para os seus colegas. Ainda assim, e apesar de menos afoito, a qualidade do bragantino está lá, pois em cinco remates que realizou nestes três jogos enquadrou quatro.

https://youtu.be/NAq_eA7OJO0

Nesta altura, Pizzi é ainda o segundo melhor marcador do Benfica na Liga NOS, com nove golos, apenas atrás dos 14 de Kostas Mitroglou, o Jogador do Mês de Fevereiro. Em termos globais, Pizzi é, de longe, o jogador que mais vezes interage com a bola, com 2537 toques, quase mais 500 que o segundo nesta tabela, o sportinguista William Carvalho (2096). E também nos famosos passes para ocasião, o número 21 das “águias” domina em absoluto, com 72, contra os 46 de Salvador Agra, do Nacional, e regista nove ocasiões flagrantes criadas, as mesmas que o portista André Silva (ambos lideram).

As 545 perdas de bola, segundo valor mais alto, atrás das 565 de Nuno Sequeira, também do Nacional, não abonam a favor do médio benfiquista, que precisa de melhorar neste detalhe, mas este é também um número que reflecte o nível de intervenção que Pizzi tem em cada jogo. De tal forma que soma 1976 passes, 1671 certos – contra os 1812 de William, 1590 certos. Para fechar: o transmontano não é propriamente um “brinca-na-areia” mas ainda assim tentou seis dribles, dois a cada jogo disputado e… saiu vencedor de todos eles. Será que é preciso dizer mais alguma coisa?

Parabéns, Pizzi!

O médio, que já havia vencido em Novembro, sucede assim a Mitroglou (Fevereiro), Bas Dost (Janeiro), Brahimi (Dezembro), Pizzi (Novembro), Salvio (Outubro), Wilson Eduardo (Setembro) e Miguel Layún (Agosto) na galeria dos melhores jogadores do mês GoalPoint da Liga NOS 16/17!

Não perca amanhã o anúncio dos restantes dez magníficos que acompanham Pizzi no “onze” GoalPoint Ratings de Março de 2017!