espera está a acabar. Após um Verão longo mas recheado de alegria, está de volta o futebol de clubes em Portugal. Para 2016/17 pode esperar de nós a cobertura mais exaustiva de sempre, com tudo aquilo a que o fomos habituando, mas ao que vamos juntar mais iniciativas e mais conteúdo diferenciado.

A época passada terminou com um artigo sobre os jogadores que mais se destacaram na prova, mas desta vez propomo-nos a um exercício diferente, mais preditivo. Tendo em conta as indicações (estatísticas e não só) que já deixaram, quem são os jogadores que prevemos se possam destacar na época que aí vem? Damos-lhe dez (sem qualquer ordem especial), que recomendamos acompanhar com atenção.

10. Rodrigo Battaglia (Chaves)

Este argentino chegou a Portugal a meio da época 2013/14 para jogar no Sporting de Braga e desde aí tem tido um percurso um pouco intermitente. Porém, aqui e ali, deixou indicações de que estamos na presença de um jogador acima da média.

Battaglia é um médio-defensivo com boa envergadura física, que chega a Chaves ainda emprestado pelo Braga, após ter feito a segunda metade da época passada como colega de Franco Cervi no Rosario Central. Na primeira esteve ao serviço do Moreirense e foi lá que nos impressionou nos dez jogos em que alinhou.

Com uma média de cinco duelos aéreos ganhos por jogo (75% de eficácia), Battaglia foi um dos médios mais fortes da Liga nesse aspecto, e também pelo solo conseguiu um total de 3,9 desarmes a cada 90 minutos. Números que fazem dele um autêntico “bicho” defensivo que pode ser muito útil ao recém-promovido Chaves. Será a época do tudo ou nada se quiser regressar a Braga.

9. Fábio Cardoso (Vitória de Setúbal)

Já se conhece a propensão de José Couceiro para lançar jovens valores por onde passa. Foi na última passagem por Setúbal, por exemplo, que o treinador “pediu” João Mário ao Sporting, tendo papel decisivo no seu lançamento quando o médio (na altura já com 21 anos) oscilava entre a titularidade e o banco na equipa B dos “leões”.

O facto de Fábio Cardoso ter sido um dos primeiros pedidos de Couceiro quando chegou ao Bonfim só pode ser encarado como sinal de que o técnico vê nele muitas qualidades. Aliás, qualidades essas que já tinham sido identificadas por nós.

Fábio Cardoso foi, de acordo com o GoalPoint Ratings, o terceiro melhor defesa-central (e o melhor português) da Liga NOS na época passada, tendo sido até cogitado quando pensámos os 23 que deviam fazer parte da convocatória de Fernando Santos, e aparece agora no Vitória para confirmar a boa época que fez em Paços de Ferreira. Se o conseguir pode dar o passo decisivo para o regresso à “casa-mãe”, o Benfica.

8. Renato Santos (Boavista)

Passamos de um formado no Seixal para um produto de Alcochete, este um pouco mais velho (à beira dos 25 anos) e já sem ligação com os “leões”. Renato Santos já estava no Boavista a época passada, mas só conquistou definitivamente a titularidade com a chegada de Erwin Sánchez. E a partir daí impressionou-nos pelos seus registos ofensivos.

A actuar quase sempre pelo flanco direito, Renato usa e abusa dos cruzamentos (média de quatro por jogo) e, apesar de não ter sido muito eficaz nesse aspecto na época passada, vai beneficiar este ano de um ponta-de-lança de área (Erivelto, melhor marcador da Segunda Liga há duas épocas atrás), com muito melhor jogo aéreo, que fará subir esses índices.

Mas Renato Santos é também ele próprio capaz de marcar golos, registando uma média de 2,7 remates por jogo, 67% deles feitos de fora da área. Se juntarmos a isso o facto de ser dono e senhor das bolas paradas boavisteiras, vem aí época com muitos golos e assistências.

7. André Moreira (Belenenses)

Mais um emprestado na nossa lista, sendo que este tem a curiosidade de pertencer aos quadros do vice-campeão europeu, Atlético de Madrid. Com apenas 18 anos, André Moreira começou por destacar no CNS ao serviço do Ribeirão e foi ainda lá que foi chamado a representar as selecções portuguesas.

Um grande Campeonato da Europa de Sub-19 em 2014 atraiu as atenções do Atlético, que posteriormente o colocou, primeiro no Moreirense e, na época passada, no União da Madeira. Foi no Funchal que, até se lesionar, se destacou como uma das figuras da equipa, nomeadamente com uma grande exibição frente ao Sporting que tão cedo não esquecerá.

Agora recuperado, terá oportunidade de continuar a crescer com grandes exibições, especialmente tendo em conta o que se viu das prestações defensivas do Belenenses com Julio Velázquez. Oportunidades para brilhar não faltarão.

6. Anderson Esiti (Estoril)

O seu nome já se ouve há algum tempo associado a clubes de maior dimensão, mas o salto tem demorado a acontecer. Anderson Esiti vai para a terceira época seguida ao serviço do Estoril, sempre sem conseguir ser um titular indiscutível, mas os sinais que deixou no final da época passada apontam para que a maturidade futebolística esteja finalmente a acontecer.

Não contem com ele para golos e assistências, o nigeriano é um puro médio-defensivo, mas no que toca, por exemplo, a recuperar bolas não houve ninguém como ele na época passada. Uma média de 9,1 recuperações por jogo (quase duas a mais que o segundo melhor), a que soma cerca de cinco desarmes por partida (só Gian dos Santos fez melhor), traçam desde logo o retrato do que Anderson Esiti é capaz.

Mas não se pense que o nigeriano de 22 anos é um “cepo”. Uma eficácia de passe de 86% (80% no meio-campo contrário) e até mesmo uma excelente eficácia no drible (87%), arriscando pouco mas certo, atestam a qualidade de pés do estorilista. Só falta mesmo encontrar a consistência e tem tudo para dar o salto.

5. Rafa Soares (Rio Ave)

Quem o conhece das camadas jovens, tanto do FC Porto como da selecção, não ficou surpreendido com a grande segunda metade que fez a época passada. Emprestado (finalmente) pelo Porto à Académica, Rafa Soares mostrou em 15 jogos todas as qualidades que ficaram tempo demais “retidas” na equipa B dos “dragões”.

Apesar de jogar numa equipa que acabaria despromovida, Rafa acabou o campeonato como o segundo lateral com melhor eficácia de cruzamento da Liga NOS (30%), criando quase duas ocasiões de golo a cada jogo. Mesmo sendo lateral, só um jogador na Académica conseguiu fazer melhor, o que mostra bem a qualidade ofensiva do ainda “dragão” que foi riscado à última da hora dos Jogos Olímpicos.

No Rio Ave terá ainda mais liberdade para atacar o flanco, visto que Capucho parece estar a optar por um esquema com quatro médios em losango, por isso não se esqueçam dele quando estiver a preparar o seu plantel para as Ligas fantásticas.

4. Walter González (Arouca)

Ser o autor de um dos golos mais rápidos da Liga 15/16 (ver foto), logo no seu quinto jogo e contra Iker Casillas, não podia ser melhor cartão-de-visita. Mas o paraguaio que chegou a Arouca com apenas 20 anos impressionou por bem mais que apenas isso nos cerca de mil minutos de futebol que nos mostrou.

O tal golo madrugador no Dragão seria complementado com outro nesse jogo e com mais cinco na Liga NOS, fazendo com que terminasse a época com uma média de um golo a cada 139 minutos, registo apenas superado por Jonas, Slimani e Mitroglou. Tudo isto para um jovem acabado de chegar da América do Sul e em plena fase de adaptação.

A continuar com estes registos a questão não é se dará o salto, é apenas quando, mas Walter González parece estar no enquadramento certo para que esse passo aconteça mais cedo do que tarde.

3. Otávio (Porto)

A sua presença nesta lista gerou troca de argumentos na equipa. Não porque alguém duvide da qualidade de Otavinho, mas porque para nós ela já não é surpresa há muito tempo e a previsão de que o brasileiro vai dar certo no FC Porto já estava feita.

No entanto, esta pré-época só veio confirmar, também neste caso, que “isto dos números” raramente engana. Otávio, juntamente com André Silva (outra possível escolha), tem brilhado a grande altura mesmo jogando numa posição ligeiramente diferente daquela em que era utilizado em Guimarães e parece estar talhado para ser figura de proa da equipa de Nuno Espírito Santo.

Lembramos os seus números finais em 2015/16:

  • médio com mais passes para ocasião p/ 90m (2,4)
  • médio com mais dribles eficazes p/ 90m (2,7)
  • segundo médio-ofensivo com melhor eficácia de drible (57%)
  • segundo médio com mais faltas sofridas p/ 90m (3,6)

É obra.

2. Gelson Martins (Sporting)

Talvez entre os dez aquele que nos gerou mais reticências pela simples questão: vai jogar? Gelson Martins foi utilizado a espaços na época passada, quase sempre que algum dos elementos do meio-campo não podia dar o seu contributo à equipa, mas apesar de o ter feito quase sempre bem, a sua titularidade na próxima época está longe de estar garantida.

Partindo do princípio que Gelson consegue ter mais tempo de jogo, tendo em conta que o fez por merecer, não ficam dúvidas de que o talento está lá e Gelson tem tudo para se afirmar no Sporting. Entre todos os “leões” foi o segundo mais rematador (2,5/90m), o segundo com mais passes para ocasião (2,0/90m), o primeiro com mais dribles eficazes (2,2/90m) e ainda o atacante com mais acções defensivas (4,4/90m). Números à prova de qualquer crítica por falta de maturidade.

Gelson está preparado, só falta ir “lá para dentro” mais do que tem ido.

1. Alejandro Grimaldo (Benfica)

O ex-Barcelona apenas dois jogos na Liga NOS a época passada, mas bastaram 180 minutos de estatística para dar a entender que estava aqui uma possível “pepita”.

No primeiro jogo que fez, à 23ª jornada, contra o União da Madeira, registou logo aí um GoalPoint Rating melhor do que todos os que Eliseu tinha registado até então, e as restantes aparições em 15/16, juntando ao que já fez nesta pré-época e na Supertaça, não deixam dúvidas: Grimaldo tem tudo para ser dos melhores jogadores do Benfica na nova temporada.

Com um pé esquerdo de qualidade e grande pulmão para subir no flanco, o espanhol revela ainda um acerto defensivo posicional e um tempo de entrada aos lances que o faz superar a sua relativa fragilidade no confronto físico. Se pensarmos que aquele livre directo contra o Lyon é “brincadeira” para repetir, então estamos na presença de uma verdadeira pérola… Não percam os próximos episódios.