Numa altura em que está muito em voga o elogio ao guarda-redes “moderno”, é com uma pitada de ironia que percebemos que no lote dos mais “modernos” de todos está um guardião a três meses de completar 36 anos.

A capacidade de preencher a área entre a baliza e as costas da linha defensiva é uma característica muito estimada nos dias de hoje, algo que ainda recentemente valeu elogios de José Mourinho a Svilar, ou de Pep Guardiola a Ederson e Claudio Bravo. Essa velocidade de raciocínio, que permite muitas vezes aos guarda-redes antecipar uma jogada de maior perigo, começa a ser característica quase transversal nas grandes equipas europeias. Para além de Ederson e Bravo, também Lloris (Tottenham), Reina (Nápoles), Navas (Real Madrid), Ter Stegen (Barcelona) ou Neuer (Bayern) especializaram-se nessa arte, mas é na Liga NOS que “mora” o guarda-redes que vais vezes o faz em toda a Europa: José Moreira.

Surpreendido? Pode acreditar em nós. Com um média de 1,5 saídas da baliza pelo solo a cada jogo, Moreira só é igualado por um ex-Liga NOS.

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Já são 19 as saídas da baliza de Moreira nos 13 jogos que disputou, sendo que apenas uma ficou incompleta (não pôs termo ao ataque do adversário). Um registo de fazer inveja, que só rivaliza com o do ex-guardião do Benfica, Ederson Moraes, e que lhe dá o estatuto de “guarda-redes líbero” por excelência.

Por falar em Benfica, há algo muito curioso a unir, também, os guarda-redes mais “estáticos”. O actual titular, Bruno Varela, fez no Dragão a sua primeira saída da baliza pelo solo esta época, e só é igualado por Quim (Aves) entre aqueles que só saíram uma vez na Liga portuguesa.

O segundo mais “impaciente” (0,8 saídas pelo solo por jogo) do nosso campeonato é Cássio, que complementa com essa particularidade uma forma de defender muito característica na equipa de Miguel Cardoso, que já lhe valeu aqui rasgados elogios.