De mal-amado na própria “casa” a indispensável, reconhecido por adeptos e rivais, o trajecto de Pizzi no Benfica é no mínimo curioso. A sua qualidade já se notava desde que Jorge Jesus o adaptou a médio-centro, na agora longínqua segunda metade da época 14/15, mas a verdade é que finda a Liga NOS 16/17, o número de adeptos “encarnados” que coloca em causa a importância do médio transmontano será muito menor do que no arranque da prova.

Boas razões existem para tal e foi em campo que Pizzi as forneceu, ao tornar-se no Jogador do Ano GoalPoint Ratings Liga NOS 16/17, superando homens como Bas Dost, Krovinovic, Danilo Pereira entre muitos outros que estiveram em grande plano nesta época e cujo desempenho daremos conta nos próximos artigos. A distinção é estatística, determinada pelo GoalPoint Ratings mas os nossos seguidores parecem concordar, com Pizzi a recolher 53% das preferências na votação que promovemos no Facebook, à hora em que editamos este texto.

Quem é o Jogador do Ano da Liga NOS 16/17? 👑⚽Anunciamos o veredicto GoalPoint Ratings muito em breve mas até lá vota…

Publié par GoalPoint.pt sur mardi 23 mai 2017

A bola “encarnada” foi dele

Mas vamos então aos números de Pizzi, que não são poucos nem curtos. Para começar o médio apenas falhou uma das 34 partidas disputadas pelo Benfica, num total de 2846 minutos jogados, o que faz dele o segundo jogador mais utilizado por Rui Vitória (atrás de Lindelof) e o 12º da Liga, oitavo se descontarmos os guarda-redes. Mas este é apenas o primeiro de vários indicadores que apontam Pizzi como o jogador mais preponderante da prova.

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Muitos foram aqueles que afirmaram que o “jogo do Benfica passava todo por Pizzi”. Sendo verdade, só nós podemos oferecer os números que o sustentam. Começamos pelas acções com bola, somatório no qual Pizzi encerrou a Liga com nada menos do que 3197, um registo que o coloca como o único jogador que somou mais de 100 acções com bola a cada 90 minutos, e por larga vantagem.

Em jeito de comparação, o segundo jogador que mais vezes teve bola na Liga foi William Carvalho (Sporting), e ficou-se pelas 2666 acções, jogando apenas menos… 36 minutos. Muito pouco para uma diferença de 531 interacções com o objecto mais importante do jogo. Finda a época, o médio reclama cerca de 13% das acções com bola do Benfica, protagonizadas por 32 jogadores utilizados por Rui Vitória, com apenas Nélson Semedo a chegar perto, com 10%. Conclusão? O jogo “encarnado” passou mesmo “todo” por Pizzi.

E o que fez Pizzi com tanta bola nos pés? Isso é o que realmente interessa. Em primeiro lugar, deu a marcar. As oito assistências que ofereceu colocam-no no segundo lugar do ranking, ao lado de Alex Telles (FC Porto), Wilson Eduardo (SC Braga) e Iuri Medeiros (Boavista) e atrás apenas de Gelson Martins (9). Mas a questão é que muitas mais podiam ter sido, tivessem os colegas aproveitado ainda melhor as ocasiões de finalização que o médio lhes ofereceu. Pizzi somou nada menos do que 90(!) passes para finalização na Liga, deixando a concorrência muito longe neste domínio: Alex Telles foi segundo com 65 passes para ocasião de remate/golo e, por exemplo, Gelson precisou fazer apenas 44 destes passes para ver colegas, tão certeiros como Bas Dost, concretizarem uma muito maior percentagem de “prendas”. Dos 90 passes referidos, dez redundaram em ocasiões flagrantes de golo, registo ultrapassado apenas por um jogador misteriosamente sub-aproveitado no Dragão, Corona, que somou 11 ocasiões claras de golo oferecidas.

A qualidade de passe do médio foi determinante neste registo: Pizzi foi o jogador que somou mais passes certos na prova (2098, seguido novamente por William Carvalho com 2022), concluindo com eficácia 84% das 2495 entregas que tentou fazer, mais uma vez o registo mais alto do campeonato.

Muitos golos e sem parar a bola

Mas não foi só a oferecer golos que Pizzi brilhou: o médio também os marcou, e muitos para a posição que ocupa, mais especificamente dez, terminando com apenas oito jogadores à sua frente na lista de melhores marcadores, e todos eles a actuar em posições mais avançadas no terreno. Mais impressionante que isso apenas Raúl Silva, o central que terminou com sete golos, numa lista onde é preciso descer aos seis tentos para encontrar outro médio (Tiago Silva, Feirense). Os golos de Pizzi têm outra particularidade: dois foram obtidos de fora da área e todos surgiram de lances de bola corrida (nenhuma grande penalidade ou livre directo). O facto de terminar como terceiro melhor marcador do campeão (e equipa mais goleadora da prova) é outra “medalha” imprevista, se nos recordarmos da abundância de homens mais avançados (sobretudo extremos) com que o Benfica abordou a a época.

Apesar de não ser a sua especialidade, os números defensivos de Pizzi apenas complementam a sua polivalência, na hora de ajudar a equipa em todos os domínios exigíveis no futebol moderno: 35 passes interceptados, 61 desarmes (dos quais 77% com recuperação da posse para o Benfica) e um total de 217 recuperações de posse.

Já dissemos muito sobre a época de Pizzi e mais haveria a dizer, mas a forma como brilhou estatisticamente não é certamente uma surpresa para quem nos acompanha. Até nós nos “aborrecemos” ao vê-lo ser indicado tantas vezes como Melhor em Campo dos jogos que disputou, pelo GoalPoint Ratings: nada menos do que 12 vezes (contra sete nomeações de Bas Dost, o segundo jogador mais vezes eleito). Posto isto, o difícil não é concordar com a preponderância que Pizzi teve nesta Liga NOS e no título “encarnado”, difícil será… batê-la, sobretudo na posição que ocupa.

Parabéns Pizzi!

Mas as felicitações não ficam por aqui. Conheça não só o melhor jogador de cada clube na Liga NOS 2016/17, como também os 33 melhores (os três melhores por posição), encerrando assim a primeira época em que acompanhámos todos os jogos, todas as equipas, todos os minutos jogados por todos os jogadores da Liga.

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