OBenfica sofreu a sua primeira derrota no campeonato ao perder, por 2-1, frente ao Marítimo, na inauguração do novo “Caldeirão” dos Barreiros. Apesar de ter dominado a partida em vários indicadores-chave, como posse de bola e eficácia de passe, o Benfica regressa a Lisboa de mãos vazias e arrisca-se a ver os rivais encurtarem distâncias.

O Jogo explicado em Números 📊

  • A partida começou praticamente com um golo do Marítimo, apontado pelo arménio Gevorg Ghazaryan, que soube aproveitar uma escorregadela de Luisão para rematar para o fundo das redes, contando ainda com um desvio em Nélson Semedo. O tento acabou por surgir contra a corrente de jogo, uma vez que o Marítimo tinha até àquele momento apenas 21% de posse de bola.
  • A disparidade no que toca à posse de bola acabaria por ser uma nota dominante ao longo da primeira parte, o que não invalida, contudo, que o Marítimo tenha sabido aproveitar com mestria as facilidades concedidas pela defesa “encarnada”. Passados 25 minutos, a equipa madeirense levava já quatro remates enquadrados, e só não tinha chegado ao 2-0 devido a duas grandes intervenções de Ederson.
  • Foi só aos 27 minutos que surgiu o primeiro remate à baliza por parte do Benfica, da autoria de Nélson Semedo, que acabaria por dar em golo graças a um desvio fortuito em Gonçalo Guedes. A partir daí, o domínio do Benfica acentuou-se, mas sem que a equipa conseguisse voltar a bater Gottardi.

  • Intervalo Os números do jogo após os primeiros 45 minutos explicavam o quão estranha tinha sido a primeira parte. Embora tenha criado mais perigo junto da baliza adversária, com quatro remates enquadrados contra apenas dois, o Marítimo terminou a primeira parte com uns paupérrimos 19% de posse de bola e 39% de eficácia de passe. À cabeça nos GoalPoint Ratings surgia o autor do golo, Ghazaryan, que levava metade dos remates enquadrados da sua equipa e uma nota de 6.5. Do lado contrário brilhava mais alto o incontornável Pizzi, com 6.1, fruto de três passes para ocasião.
  • A segunda parte começou com um cabeceamento à barra por parte de Salvio, um sinal, porventura, do “puxão de orelhas” que Rui Vitória terá dado aos seus jogadores ao intervalo. O que é certo é que, aos 65 minutos, o Benfica somava oito remates, um deles à baliza, enquanto o Marítimo ainda nem sequer tinha tentado fazer qualquer disparo.

  • Mais foi então que, uma vez mais, por entre os pingos da chuva, o Marítimo chegou novamente à vantagem, surpreendendo os visitantes num pontapé de canto, com Maurício a saltar mais alto do que André Almeida. Até ao apito final, e mesmo com muitas mexidas na equipa, o Benfica continuou a jogar no último terço do campo, terminando a segunda parte com 13 remates e 81% de posse de bola, sem que com isso tenha conseguido chegar ao golo. Os insulares, por sua vez, mantiveram a baixa posse de bola (19%) e eficácia de passe (38%), mas acabaram o jogo a festejar.

O Homem do Jogo 👑

Pizzi foi o “maestro” de sempre, mas desta vez não teve músicos à altura. Terminou o desafio como o melhor em campo, com um GoalPoint Rating de 7.3 , somando quatro passes para ocasião e três remates. Para além disso,  foi o elemento “encarnado” com maior número de passes (100, 86 dos quais certos) e toques na bola (130).

Jogadores em foco 🔺🔻 

  • Nélson Semedo 7.1 – Para além do golo apontado participou em seis acções defensivas. Como nota negativa fica o facto de ter perdido a posse de bola em 24 ocasiões.
  • Gottardi 6.5 – Foi o melhor elemento em campo dos insulares, levando os adeptos benfiquistas à “loucura” com três defesas excepcionais.
  • Maurício6.4 – Boa exibição do defesa brasileiro, que a juntar ao golo teve ainda sete alívios e uma percentagem vitoriosa de 100% nos duelos aéreos.
  • Mitroglou 4.6 – Noite para esquecer do avançado grego, que não fez nenhum remate à baliza e tocou apenas dez vezes na bola.
  • Fransérgio 4.5 – Foi o pior elemento em campo. Acertou apenas 36% dos passes que realizou no meio-campo adversário e ganhou 13% dos duelos que protagonizou.
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Luís Mira
Jornalista com mais de uma década de experiência profissional. Colaborou com vários órgãos de comunicação, nacionais e estrangeiros, entre os quais Público, A Bola, Goal.com, Sky Sports e BBC.