A segunda época de Jorge Jesus ao serviço do Sporting está próxima do término. Um dia após o choque da inesperada derrota caseira frente ao Belenenses, que sentenciou um final de época de desilusão face à ambição traçada pelos “leões” e à boa embalagem ganha na época 15/16, decidimos olhar os números e perceber como se compara o desempenho de Jorge Jesus face aos anos anteriores protagonizados por Leonardo Jardim e Marco Silva.

Europa fora da análise

Do ponto de vista metodológico optámos por deixar de fora todo o desempenho europeu desta análise (bem como a Supertaça), de forma a obter um comparativo mais equilibrado, centrado nas competições que todos os treinadores em análise disputaram, neste caso Liga NOS, Taça de Portugal e Taça da Liga. A opção acaba por não traduzir por completo o desempenho global de Jorge Jesus ao serviço do Sporting (exemplo: a percentagem de vitórias desceria para os 65%), mas acreditamos que só assim é possível comparar o trabalho dos três “misters” que procuraram levar o Sporting às conquistas, nas últimas quatro épocas. De qualquer forma, serão recorrentes as referências à prestação global, a qual ganha corpo no último “capítulo” desta análise – no qual damos conta da pontuação RTG de cada um dos treinadores.

Sem mais demoras eis os resultados.

6. Percentagem de vitórias

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A margem é curta, mas ainda assim dá vantagem a Jorge Jesus. O “mestre da táctica” venceu mais jogos que os antecessores nas provas nacionais, exactamente 56 em 72 partidas, ao momento desta análise. O saldo positivo resulta sobretudo da menor propensão de Jesus para o empate, resultado que obteve em 12 ocasiões, tantas quantas Marco Silva (em apenas uma época) e apenas mais quatro do que Jardim no ano em que esteve ao serviço do Sporting. Conforme referido anteriormente, se tivermos em conta todas as competições disputadas, as percentagens de vitórias são de 65% para Jesus, 60% para Marco Silva e 66% para Leonardo Jardim.

5. Número de jogos disputados até registar uma derrota

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A menor propensão de Jesus para o empate tem reverso da medalha: o actual treinador do Sporting perde com muito maior frequência que os seus antecessores. Em média Jesus perde um a cada sete jogos, número abaixo do registo final de Jardim e a menos de meio caminho de Marco Silva, que perdendo apenas três jogos nas competições internas teve neste capítulo um desempenho claramente superior aos colegas.

Ao todo Jesus perdeu 11 jogos na competições nacionais, quase o dobro de Marco Silva (3) e Leonardo Jardim (4) somados, e nem o panorama alargado de competições muda este cenário: tendo em conta todas as provas Jesus perdeu, em duas épocas, 21 jogos, contra sete de Marco Silva e as mesmas quatro de Jardim, o que representa uma derrota a cada (menos de) cinco jogos, contra oito de Marco Silva e nove de Jardim.

4. Pontos por jogo

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Atribuindo a regra de três pontos por vitória e um por empate a todos os resultados obtidos pelos treinadores em análise nas competições nacionais, o registo é idêntico, com ligeira vantagem para Jesus e Marco Silva. Caso estendêssemos esta análise a todas as competições disputadas pelos “misters”, Jesus e Marco silva continuariam “empatados”, com 2,1 pontos por jogo, mas Jardim ganharia vantagem, mantendo os 2,2.

3. Golos a favor

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Também no capítulo dos golos marcados em média por jogo não existe grande diferença entre os treinadores. Apesar do pedigree goleador que Jorge Jesus trazia da sua passagem pelo Benfica o equilíbrio é evidente, e o mesmo sucede alargando a análise à Europa, com Jesus a ficar-se pelos 1,97 golos, contra 2,04 e 2,03 de Silva e Jardim, respectivamente.

2. Golos sofridos

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No capítulo defensivo, e embora as margens sejam curtas, a vantagem vai para Leonardo Jardim, que sofreu apenas 26 golos em 35 encontros ao serviço dos “leões”. Já Jesus sofreu 66 golos em duas épocas, apenas nas competições internas (79 jogos), apenas menos um do que o somatório dos outros dois treinadores juntos, nos 80 jogos que compõem o total das épocas em que treinaram de “leão” ao peito.

1. Pontuação RTG™ (Ranking de Treinadores GoalPoint)

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Se não conhece o Ranking de Treinadores GoalPoint (RTG) eis uma breve explicação sobre o nosso método exclusivo de ponderar o desempenho dos treinadores ao longo da época: mais do que contabilizar apenas vitórias, empates e derrotas com base numa pontuação standard, o RTG tem em conta as probabilidades médias atribuídas pelo mercado de apostas desportivas a cada desfecho, para assim gerar um factor diferenciador associado ao “mérito” resultante de cada resultado (exemplo: um eventual empate em Alvalade entre Sporting e Feirense atribuí um factor pontual superior ao treinador dos homens de Santa Maria da Feira e um claramente menor ao treinador leonino).

Tendo este método em conta, eis a pontuação actual de cada treinador ao serviço dos “leões” nas últimas quatro épocas, cobrindo neste caso todas as competições que disputaram:

Os resultados são esmagadores em prejuízo de Jorge Jesus, que paga a pesada factura relativa ao acumular de resultados surpreendentes e contra as probabilidades mais favoráveis, em especial esta época (mas não só), nos quais se incluem, por exemplo, as derrotas europeias com Skenderbeu e Legia, bem como alguns resultados internos inesperados. E caso desconfie que o RTG é especialmente injusto para com o actual treinador do Sporting, desengane-se, pois… o actual treinador do Sporting foi o primeiro vencedor anual do Ranking de Treinadores GoalPoint, em 2014/15, e o treinador da década, segundo os mesmos critérios.

Não perca, nos próximos dias, a análise do desempenho de Nuno Espírito Santo (e seus antecessores no Dragão).