Mundial 2014: E no fim ganha a Alemanha

A formação germânica teve mais bola, mais passes, mais remates enquadrados, maior precisão no passe, posse de bola superior e, no fim, ganhou naturalmente à Argentina.

O Mundial 2014 acaba com a Alemanha a sagrar-se campeã do Mundo pela quarta vez, ao vencer a Argentina por 1-0 após prolongamento na final. Num balanço da prova e, também, deste jogo, o desfecho não deixa de parecer o mais natural.

Exceptuando as dificuldades ante o Gana e a Argélia, a Alemanha teve momentos que foram desde meramente eficazes, dominadores até aos arrasadores, e na final a superioridade teutónica voltou a ficar patente nos números. A Argentina chegou a ter um certo ascendente de oportunidades de golos e ocasiões, em especial no contra-ataque, no primeiro tempo, mais remates, mas, como se costuma dizer, “no final ganhou a Alemanha”, que fez por isso.

Por volta da primeira meia-hora já a Alemanha tinha cerca de 72% de posse de bola, com mais de 240 passes contra menos de 100 da Argentina, e uma precisão na entrega da bola de 86% contra 70%. No entanto, os sul-americanos chegavam a esta altura do jogo com três remates contra um dos europeus (todos para fora), um golo anulado a G. Higuaín, e o atacante do Nápoles já tinha atirado ao lado apenas com Neuer pela frente. Dava a entender que os comandados de Sabella poderiam ganhar a aposta de jogar no erro adversário, mas o acerto germânico não o permitiu.

Clique na imagem para ler em detalhe (foto: Celso Pupo/Shutterstock)
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Dupla autoritária

A dupla do “miolo”, constituída por B. Schweinsteiger e T. Kroos, cedo tomou conta da noite, com mais de 50 passes no total cada um, na primeira parte, sendo que o primeiro atingiu nesta fase cerca de 94% de acerto. Este facto obrigou a Argentina a recuar para tapar o caminho para a sua baliza, perdendo posse de bola e originando um congestionamento de jogo na zona central do relvado de quase 60%. Por esta altura, Javier Mascherano era o argentino com mais passes, 17, grande parte deles para o companheiro de meio-campo, Lucas Biglia, e para o sportinguista Marcos Rojo.

A Argentina tentou reagir no início do segundo tempo, tendo mais bola em seu poder, mas depressa a dupla Schweinsteiger/Kroos recuperou as rédeas, ajudando também a anular a ameaça de Lionel Messi. O astro do Barcelona acabou com apenas 37 passes e uma eficácia de 70,3% neste capítulo – 28 no meio-campo contrário, com 64,3% nesta zona. Esteve quase ausente do momento defensivo da equipa e, no ataque, registo para quatro remates para fora e duas oportunidades criadas. Em comparação, Schweinsteiger terminou com 105 passes (89,5% certos), 124 toques na bola, 68% dos duelos ganhos, teve quatro desarmes, recuperou 11 vezes a bola e perdeu-a 14. Valores semelhantes aos de Kroos, embora este mais activo no meio-campo argentino.

“Polvo” Mascherano

A Argentina valeu-se de Javier Mascherano no “miolo”, com o jogador do Barça a ser o melhor da sua equipa nas acções defensivas logo depois dos defesas, com dois desarmes, cinco cortes, três intercepções e cinco recuperações de bola (Enzo Pérez teve sete). Foi o argentino com mais toques (87), mais passes (67 e 82,1% de precisão), sendo o terceiro com mais entregas no meio-campo adversário (27). E quando a Alemanha conseguia furar, ou cruzar (teve 19 cruzamentos em jogo corrido), valeram Ezequiel Garay, Marcos Rojo e companhia.

No fim, alguns números provam a supremacia germânica: dez remates para cada lado, mas a Alemanha com cinco enquadrados, contra zero da Argentina; 19 cruzamentos contra sete; 53,6% dos duelos ganhos; 747 passes contra 427 da Argentina, com 85,8% contra 77% de eficácia; posse de bola de 63,8% para 36,2% da “albicelestre”. Mario Götze fez o resto.