Análise: que tendências marcaram o Brasil 2014?

Analisámos os dados de desempenho do Mundial 2014 em busca dos factores críticos de sucesso que ditaram os percursos das equipas em disputa.

O Campeonato do Mundo 2014 terminou deixando com ele a recordação dos melhores jogos, dos mais belos golos e das muitas emoções que permitiu. Para lá das memórias e das emoções, analisámos os números e indicadores que nos permitam perceber as tendências que marcaram o torneio do Brasil e que poderão (ou não) influenciar todo o futebol nos próximos anos.

 1. Golos, golos, golos

 

Mario Gotze festeja o tento que valeu o título (foto: C. Pupo/Shutterstock)
Mario Gotze festeja o tento que valeu o título (foto: C. Pupo/Shutterstock)

Sendo o golo e o que dele pode advir o mais importante no futebol é natural começarmos por aqui. Aquando do nosso balanço intercalar sobre o Mundial 2014, a média de golos do torneio cifrava-se em 2,8 por jogo mas, como se previa e referimos, iria descer. A média final do Mundial agora findo ficou-se pelos 2,7 golos, um número excepcional que, dentro da nossa metodologia de comparação, apenas encontra par na longínqua edição de 1994 (também 2,7 golos). Mas esta é uma informação que já terá lido noutras paragens. Interessa então ir um pouco mais longe e analisar como foram esses golos marcados.

Para começar, o registo de golos do Brasil 2014 tem uma particularidade que o valoriza em relação ao apresentado em 1994: um menor peso das grandes penalidades (12 contra 15 assinaladas no torneio americano). Por outro lado, e porque nem tudo são “rosas”, 2014 proporcionou o Mundial com mais autogolos marcados de sempre, precisamente cinco. O registo mais elevado era até hoje de quatro golos na própria baliza, ocorrido em 2006, 1998 e 1954).

Dos 171 golos marcados no Brasil, apenas 27,5% ocorreram de bola parada (livre ou grande penalidade), um facto positivo se equacionarmos como válida uma análise já um pouco datada e que atribui às bolas paradas um terço de peso nos golos obtidos no futebol profissional. Curioso atentar que apenas 11 golos (6,4%) ocorreram em situações de contra-ataque, contra 108 (69,6%) a decorrerem de jogadas de construção/ataque organizado.

Atentando às equipas que marcaram presença no Brasil, a Alemanha, sendo a mais concretizadora (18 golos, seguida pela Holanda com 15), foi também a que mais golos marcou através de jogadas de ataque organizado (12), seguida novamente pela Holanda com sete. Os germânicos foram também os que mais facturaram através de lances de bola parada, com cinco golos (seguidos pelo Brasil com quatro), enquanto Bélgica e Holanda foram os “reis do contra-ataque”, com três tentos obtidos desta forma para cada um dos conjuntos. Quanto a autogolos ninguém beneficiou mais do que a França desta modalidade, com dois dos seus dez golos a resultarem da concretização do adversário.

1
2
3
4
5
6
PARTILHAR
Pedro Cunha Ferreira
Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting. É um dos fundadores da GoalPoint Partners.