Táctica: Alemanha vs. Argentina, confronto continental

Após um mês de competição Alemanha e Argentina preparam-se para disputar o cume do futebol mundial. Analisamos a forma como se propõem conquistá-lo.

Concluímos a nossa análise tácticas dedicada ao campeonato do mundo dedicando a nossa atenção aos dois finalistas do Brazil 2014. Alemanha e Argentina defrontam-se num duelo com memórias (86 e 90, o primeiro vencido pelos “albicelestes” e o segundo pelos germânicos, ambos com Diego Armando Maradona no epicentro) mas colocam hoje em campo soluções e filosofia de jogo distintas do que as que mostraram no passado. Tentemos perceber quais.

 

1. Uma Alemanha unificada

 

(figura 1 - A disposição inicial do onze de Joachim Low)
(figura 1 – A disposição inicial do onze de Joachim Low)

O ataque

A grande arma da Alemanha, já bastante testada neste Mundial, é o seu poderio ofensivo. A “mannschaft” assenta o seu futebol sobretudo num ataque posicional, onde as constantes trocas de posição, aliadas à excelente técnica de condução de bola do trio da frente (T. Kroos, M. Özil, T. Müller), dizimam qualquer bloco defensivo adversário. Na construção baixa a equipa circula a bola pela defesa com elevada segurança, sendo que, se necessário, B. Schweinsteiger coloca-se entre os centrais para dar largura e aumentar a capacidade de construção de jogo. S. Khedira joga como médio box-to-box que tanto defende junto à grande área alemã como aparece nos espaços vazios na frente ou mesmo em situação de finalização, movimentação ofensiva essa que vem a aperfeiçoar desde que começou a jogar nas camadas jovens da selecção.

Nos corredores laterais, T. Müller é um falso extremo, visto que tem as características de um ponta-de-lança dele elevado recorte técnico e cuja finalização é perfeita, enquanto M. Özil confere uma criatividade que rompe com a tradição alemã e uma técnica de passe importantíssima para a manobra ofensiva dos seus colegas. A ponta-de-lança joga M. Klose, um experiente finalizador, atleta que dá aos germânicos presença na área e, sobretudo, muita experiência a uma selecção renovada por jovens valores. Os comandos de Joachim Löw apresentaram ter uma eficácia excelente nos jogos anteriores e prometem não parar na goleada do Brasil.

(figura 2 - o ataque apoiado germãnico)
(figura 2 – o ataque apoiado germãnico)

A defesa

Apesar de ser uma equipa cujas jogadas no momento ofensivo são dignas de qualquer compêndio de futebol, os germânicos têm também como elemento basilar a sua defesa impenetrável. A Alemanha defende por norma em 1-4-4-2 com bloco alto e com pressing à zona. Sendo que S. Khedira e B. Schweinsteiger são dois jogadores bastante agressivos no pressing, a Alemanha é muito compacta e coordenada no seu momento defensivo, sobretudo quando os jogadores têm tempo de recuperar a sua posição. O posicionamento de T. Kroos nas costas de M. Klose dá à Alemanha uma solidez grande a meio-campo e, sobretudo, a capacidade de pressing ofensivo bastante focalizado na defesa contrária e na fase de construção baixa da mesma. Se juntarmos a tudo isto o facto de terem na baliza o provável melhor guarda-redes do Mundo, M.Neuer, esta selecção fica portanto muito difícil de bater.

(figura 3 - a forma como os teutónicos fecham na hora de defender)
(figura 3 – a forma como os teutónicos fecham na hora de defender)

Os pontos fortes

O grande ponto forte desta equipa é, sem dúvida, a sua excelente qualidade técnica, quer na condução de bola, quer no passe curto. A posse de bola, em conjunto com a forte mobilidade dos alemães – apesar de por vezes ser morosa -, é sempre vertical e objectiva.
O outro ponto forte é as bolas paradas, sendo que possuem dois centrais muito fortes fisicamente. Com a inclusão de B. Höwedes a defesa-lateral esquerdo, os germânicos têm uma estatura muito elevada e uma capacidade de finalização em cantos, e outros esquemas tácticos, bastante grande.

As fraquezas

Ao ser pressionada de forma agressiva e organizada na sua construção baixa (sobretudo S. Khedira, J. Boateng e B. Howedes), a Alemanha revela bastantes dificuldades, sobretudo se o jogador que tiver por missão construir jogo (B. Schweinsteiger ou S.Khedira) ou o defesa-central com a bola (M. Hummels) estiverem bem marcados. Por outro lado, os alemães revelam lentidão no seu shift vertical após a perda de bola e depois dos cantos, o que os deixa permeáveis a um contra-ataque.

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Miguel Pontes
Engenheiro civil de formação, actualmente na Deloitte, tem dado sequência à sua paixão pela vertente técnica e táctica do futebol, com passagens pelo CF Benfica (Scouting), SG Sacavenense (como técnico adjunto nos sub19 e posteriormente na área de scouting) e colaborações com a Belenenses SAD e diversos agentes.