Findas as dez jornadas da fase de grupos, com muita celebração e desilusão à mistura, chegou a hora de fazer o balanço da fase de qualificação europeia para o Mundial 2018, no que concerne aos desempenhos individuais. Portugal, apurado na última jornada, está representado, como não podia deixar de ser, pelo seu capitão, Cristiano Ronaldo, mas o grande destaque vai para a Alemanha, que coloca três jogadores no “onze” ideal da fase de grupos.

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Passemos então às “escolhas” dos GoalPoint Ratings e aos seus motivos.

  • Hannes Halldórsson (Islândia) 6.07 – Já tinha sido uma das grandes revelações dos sensacionais ilhéus, no Euro 2016. Halldórsson não é um guarda-redes sexy. Já tem 33 anos, joga no Randers da Dinamarca após uma carreira modesta, e parece até um pouco desajeitado nas suas acções mas… factos são factos. Nesta caminhada defendeu 84% dos remates dirigidos à sua baliza (só Subasic teve melhor percentagem) e sofreu apenas dois golos. Mais, de todas as defesas que fez 62% foram a remates colocados.
  • Thomas Meunier (Bélgica) 7.40 – Cinco golos e sete assistências em oito jogos. Leu bem. Foi este o pecúlio do lateral-direito do PSG nesta fase de qualificação. Não seria preciso dizer muito mais para além disto, mas o belga foi ainda, na sua posição, aquele que teve melhor eficácia no cruzamento (38%) e no drible (77%). Os registos defensivos foram apenas normais mas, com estes números, isso interessa pouco, certo?
  • Laurent Koscielny (França) 6.50 – Voltou a mostrar que é um dos centrais mais sub-valorizados a nível europeu. Koscielny não marcou nem assistiu nos oito jogos que disputou, mas esteve impecável a nível defensivo. Foi o quinto melhor ao nível das intercepções (3,6 por jogo), mas o melhor se considerarmos só as equipas não eliminadas, enquanto que a recuperar a posse de bola na zona do meio-campo não houve central melhor que ele (4,5 por jogo). Pelo ar, venceu 72% dos duelos defensivos que disputou.
  • Mats Hummels (Alemanha) 6.49 – Ficou a apenas uma centésima de Koscielny. Ao contrário do francês, marcou um golo e fez uma assistência, tendo registado ainda uma das melhores eficácias de passe (92%) de toda a qualificação europeia. Com ele em campo, a Alemanha sofreu um golo a cada 240 minutos. Só John Stones 6.09, que não sofreu nenhum golo nos 630 minutos que disputou, teve melhor média.
  • Jonas Hector (Alemanha) 6.72 – Aos 27 anos, no auge da sua carreira, é um mistério como ainda não foi pescado por nenhum “tubarão” e continua a fazer carreira no Colónia. Dois golos e quatro assistências foram o seu pecúlio, ao qual junta o facto de ter sido o segundo lateral-esquerdo com melhor média (2,2) de passes para finalização de bola corrida a cada 90 minutos. Fez ainda 1,9 intercepções e 0,8 bloqueios de cruzamentos a cada jogo.
  • Miralem Pjanic (Bósnia) 7.08 – O único deste “onze” que já está afastado do Mundial, com muita pena de quem gosta de ver os grandes “craques” nos melhores palcos. Pjanic conseguiu, mesmo jogando numa equipa como a Bósnia, ser o jogador com melhor média de assistências (uma a cada 97 minutos) e passes para finalização (5,1 / 90m) nesta fase de qualificação. A sua qualidade no cruzamento (58% eficazes) foi soberba e ainda concretizou 80% das suas tentativas de drible. Dá pena ver tanta classe sentada no sofá em Junho.
  • Christian Eriksen (Dinamarca) 7.16 – A Dinamarca apanhou um grupo com uma Polónia muito inspirada, por isso ainda vai ter que jogar o play-off para garantir a presença no Mundial. No entanto, com o criativo do Tottenham a jogar assim, a tarefa fica mais fácil. Eriksen jogou todos os minutos da fase de qualificação e anotou oito golos (quatro de bola parada) e três assistências. Foi dos melhores a rematar de fora de área (47% enquadrados) e o sétimo com melhor média de passes para finalização (3,7 / 90m)
  • Thomas Müller (Alemanha) 7.68 – Dê por onde der, Joachim Löw não abdica dele, e o avançado do Bayern teima em dar-lhe razão. Foram cinco golos e seis assistências nos novo jogos em que actuou, e o segundo melhor registo (3,2 / 90m) no que a passes para finalização de bola corrida diz respeito. Na hora de cruzar, completou 50% das suas tentativas com eficácia, e ainda ajudou muito a defender, com três desarmes por jogo.
  • Eden Hazard (Bélgica) 8.01 – Já tinha sido um dos melhores jogadores do Euro 2016, onde até um recorde histórico de dribles bateu, e agora foi o melhor da fase de qualificação. Seis golos e cinco assistências em apenas 594 minutos de jogo. Nós fazemos as contas por si, dá uma acção decisiva a cada 54 minutos de jogo. De bola corrida, foi ainda aquele que mais ocasiões criou (3,6 / 90m), estando ainda imbatível na sua especialidade (o drible) com 4,1 a cada 90 minutos, e eficácia média de 66%. Quem tem um jogador assim, é candidato a vencer o Mundial.
  • Cristiano Ronaldo (Portugal) 7.96 – Teria sido o melhor se não fosse o desinspirado jogo da última jornada. Ainda assim, o que Ronaldo tem para mostrar é, mais uma vez, extraordinário. 8,2 remates a cada 90 minutos (o segundo registo mais alto foi de Ilicic: 5,4), que resultaram em 15 golos, um a cada 51 minutos. Ronaldo é isto, disparar e marcar muito, mas desta feita até no drible esteve melhor do que o habitual, com 1,8 por jogo (sexto melhor registo), se considerarmos apenas o último terço.
  • Robert Lewandowski (Polónia) 7.71 – O outro grande goleador desta fase de qualificação. Ao contrário de CR7, jogou todos os minutos e terminou com 16 golos, metade de bola parada. De todos os remates que fez dentro da área, 57% foram à baliza (terceito melhor registo entre os pontas-de-lança) e foi ainda o segundo goleador com mais faltas sofridas no último terço (1,3 /90m). Costuma apagar-se quando chegam as fases finais, mas as qualificações são a “praia” dele.

Menções honrosas:

  • Isco (Espanha) 8.17 – Ficou a apenas 45 minutos de ser o melhor da fase de qualificação, porque somou apenas 405. Isco demorou a entrar na equipa, mas o que fez no tempo que jogou foi fabuloso, com cinco golos, duas assistências, e uma média de 4,2 dribles eficazes a cada 90 minutos.
  • Marcus Rashford (Inglaterra) 7.25 – Deixou grande promessa para o Mundial, criando uma espantosa média de 5,4 ocasiões a cada 90 minutos. Nada mau para um miúdo de 19 anos que nem sequer bate bolas paradas.
  • Arjen Robben (Holanda) 6.97 – A seguir a Pjanic, o outro grande “craque” europeu que não vai viajar para a Rússia. Do alto dos seus 35 anos, o holandês bem tentou, marcando um golo a cada 94 minutos, mas o resto da equipa não acompanhou.
  • Axel Witsel (Bélgica) 6.40 – Acertou 93,4% dos passes que fez para o último terço do terreno. Até Toni Kroos, o mestre do passe, corou.
  • Danilo Rinaldi (São Marino) 3.68 – Adivinhou, foi mesmo o pior entre os 478 jogadores que jogaram mais que 450 minutos nesta fase de qualificação. Boa média.