O mote foi lançado pelo comentador (e ex-jogador dos “dragões”) Rodolfo Reis, que afirmou, após o empate dos portistas em Braga, que Nuno Espírito Santo está a por o André Silva Maluco, deslocando-o da posição de ponta-de-lança para uma função difícil de perceber e com resultados visíveis no desempenho do promissor avançado.

Aproveitámos a deixa para, antes mesmo de analisarmos o tema, lançarmos a questão aos GoalPointers, que responderam em número (obrigado!) no Facebook, Twitter e Instagram:

Se do que é visível pouco falamos, já do que é mensurável não nos furtamos. Decidimos analisar os números de André Silva antes e após a chegada do homem que tudo mudou, no Porto e no que NES parece pedir ao jovem avançado: Soares. Mas antes ainda de nos debruçarmos sobre os números, eis o mapa dos toques com bola de André Silva na Pedreira:

GoalPoint-Sporting-Braga-Porto-Andre-Silva
Um mapa tudo menos próprio de um homem de área

Ao mapa apresentado (apenas duas acções com bola na área bracarense) – tudo menos característico num avançado que, até à 20ª jornada (entrada de Soares na equipa), fazia as suas despesas sobretudo nas imediações da área contrária -, soma-se o desempenho “cinzento”, com base num GoalPoint Rating sofrível: apenas um remate e desenquadrado (Brahimi somou quatro tentativas) e um passe para finalização (Corona, lançado com a partida em curso, somou três, tantos como Alex Telles, autor da assistência). E nos 12 duelos individuais que travou, André Silva saiu vencedor de apenas…um.

O mapa e números acabam por deixar claro parte da “acusação” na base desta análise: André Silva anda a jogar um futebol diferente face ao que lhe foi pedido na primeira metade da época, mas terá sido o apagado desempenho de Braga uma excepção ou darão os números razão a Rodolfo?

Na próxima página: O antes e depois de Soares, na perspectiva de André Silva

  • Diogo Lopes

    A “vistusidade” da concretização depende da localização de onde foram realizados os seus tentos. Dado que Soares é agora a referencia no ataque Portista, deslocando Andre Silva, é normal que remate menos e com menor “acerto”. Discordo portanto que os vossos dados corroborem a analise de Rodolfo Reis pois não considero que a devida ponderação tenha sido dada ao contexto.

    • Totalmente de acordo com a primeira parte do seu comentário. A conclusão já nos parece um pouco discutível, tendo em conta que a deslocação não serve de atenuante no que toca ao decréscimo em alguns indicadores, por comparação com jogadores que, jogando mais longe do interior da área, disparam com acerto regular na nossa Liga (ex. Alan Ruiz, Renan Bressan, entre outros), falando apenas nesse indicador focado.

      De qualquer forma o que a análise pretendeu confirmar foi se, de facto, André Silva oferecia menos do que já ofereceu à equipa com a deslocação para outras imediações. Os números comprovam-no, com todas as atenuantes que o jogador merece, pela idade, pelo perfil de jogador que tem e por não ser uma decisão da sua responsabilidade.

      Cps!