A discussão sobre quem deve jogar na posição à frente de Danilo Pereira é, talvez, a mais acesa nesta época desportiva, no universo portista. Hector Herrera ou Óliver Torres? A dúvida é pertinente e as paixões dos adeptos dividem-se, alimentadas também pelas escolhas do treinador Sérgio Conceição ao longo desta ainda curta temporada. Primeiro foi Óliver Torres a ocupar o posto, mas neste momento o favorito para a famosa posição “8” tem sido o mexicano Herrera.

Várias questões se levantam neste debate, a começar pelas características de cada jogador em relação ao sistema táctico portista. Óliver é tido como o principal “criativo” do plantel, pelo que assume o favoritismo dos adeptos que apostam tudo no virtuosismo atacante da equipa, no drible e controlo de bola, na visão de jogo e qualidade do último passe. “Líricos”, dizem os que defendem que uma equipa deve ser, acima de tudo, consistente e equilibrada a defender e a atacar.

Para esses, Óliver perde espaço – e para Sérgio Conceição, aparentemente, também -, pelo que surgem de imediato dois outros nomes: Herrera e André André – ou mesmo Sérgio Oliveira, embora este pareça ser apenas “arma secreta” para algumas partidas, em especial na Liga dos Campeões. O mexicano ganha vantagem nas escolhas de Conceição, mas o jogador nunca foi consensual entre os adeptos portistas. Para muitos, Herrera é o “patinho feio” da equipa. Mas os treinadores passam e todos teimam em apostar no mexicano. A questão é: qual a verdadeira “face” de Herrera?

Músculo ou talento?

A escolha do médio-centro portista não passa, certamente, apenas por estes dois factores, mas pelo conjunto de qualidades que cada um possui e que compõem estas duas ideias de jogador. Para Sérgio Conceição, o dilema será, certamente, encontrar a melhor solução que combine o melhor destes “dois mundos” e nada como olhar para as características dos nomes em causa, os seus números, para saber qual encaixa mais na filosofia do treinador do FC Porto: força, velocidade, intensidade e objectividade – algo que se depreende também pelos números do nosso Barómetro GoalPoint.

VariávelHector HerreraÓliver TorresAndré André
Jogos967
Minutos569420173
Golos100
Assistências231
Passes finalização p/90min2.11.93.4
Ocas. Flagr. criadas p/90min0.60.80.6
% Eficácia de passe88%83%89%
Dribles tentados1031
Dribles eficazes631
Interacções c/ bola p/90min83.582.669.5
Remates p/90min1.40.42.9
Desarmes p/90min3.53.40
Intercepções p/90min2.40.61.1
Recuperações p/90min7.56.78.5
Perdas de posse p/90min14.116.99.7
Fonte: GoalPoint / Opta

 

As preferências são de cada um, mas os números não enganam. Neste momento – e salvaguardando o facto de ter mais jogos, o que o favorece de certa forma -, Herrera é o jogador portista que melhores garantias oferece a Sérgio Conceição numa perspectiva de médio completo, que ocupe a tal posição “8”. É certo que os portistas têm apresentado variações tácticas, e que as lesões a tal obrigarão no futuro, mas no 4-4-2 preferencial com que o FC Porto se tem apresentado, Herrera cumpre a atacar, a construir e a defender, como comprovam os números desta tabela.

O mexicano cumpre a atacar – soma um golo e duas assistências, remata mais que Óliver –, apresenta boa eficácia de passe, quase todo o jogo portista passa pelos seus pés (83,5 toques por 90 minutos) e em termos defensivos dá uma segurança extra e uma ajuda preciosa a Danilo – 3,5 desarmes por 90 minutos, seguido de perto por Óliver, mas também 2,4 intercepções, 7,5 recuperações.

No geral, Herrera assume-se como o mais completo, um “todo-o terreno” fundamental na actual manobra do “dragão”. Óliver destaca-se nas ocasiões flagrantes que cria (0,8 por 90 mins), mas nada de substancialmente diferente de Herrera ou André André – este último, aliás, brilha na segurança do passe, nas poucas perdas de bola por 90 minutos e nas recuperações e tenta muito mais o remate que os seus companheiros.

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