Aproveitamos a pausa na Liga NOS para repetirmos um exercício já realizado na época passada: um “check-up” rápido aos números de algumas equipas da Liga NOS, comparados com o que realizaram na média da época passada. Começamos pelo líder FC Porto, numa altura em que, por mais rápido que pareça, já atingimos cerca de um terço da prova.

O “dragão” apresenta o caso mais interessante de analisar, não só porque segue em primeiro,mas também porque, mudando de treinador, manteve uma base idêntica à que teve (ou podia ter tido) ao longo da época passada. Convém lembrar que a única contratação dos “dragões” foi Vaná, o guardião revelação GoalPoint Ratings da Liga 2016/17. O que nos dizem os números, para lá da liderança “azul-e-branca”?

Dragão impressionante, em todos os sentidos

GoalPoint-Check-up-FC-Porto-Liga-NOS-201718-J11-1-infog
Clique para ampliar

Em que é que o “dragão” de Sérgio Conceição melhorou? Bom, o difícil é dizer em que é que não melhorou. O “novo” Porto remata mais, com mais pontaria, converte mais remates em golos e sofre menos tentos. Como se tudo isto não fosse já suficientemente impressionante, os “azuis-e-brancos” criam uma quantidade de ocasiões flagrantes de golo (vide definição do conceito no final do artigo) por jogo nunca por nós vista na nossa Liga desde que nascemos (2014): 4,7 por jogo.

Se tivermos em conta a já referida constância do plantel portista e o facto de, neste lote de 11 jogos, os “dragões” já se terem deslocado ao terreno do segundo classificado, difícil é encontrar razões estatísticas que justifiquem outra liderança da Liga que não a detida pelo Porto por esta altura. O “dragão” de Conceição pode ter mais ou menos “nota artística”, consoante os olhos de cada observador, mas vai apresentando “nota estatística” acima da média, uma tendência que já se anunciava no último Barómetro GoalPoint.

Fechamos com algumas notas/curiosidades soltas sobre os “dragões” à 11ª jornada:

    • O Porto soma em 11 jornadas mais de metade das ocasiões flagrantes de que dispôs em toda a época passada (52 contra 84) e está a apenas 15 de atingir o total com que Sporting e Benfica terminaram a Liga anterior (67).
    • Ricardo Pereira é o maior criador de ocasiões flagrantes dos “dragões”, com sete (em 720 minutos), seguido de Brahimi com cinco (em 913 minutos).
    • Aboubakar e Marega já usufruíram cada um de 15 ocasiões flagrantes de golo, com uma surpresa (para muitos): Marega aproveitou 53% dessas situações enquanto que o camaronês converteu apenas 47%.
    • Brahimi leva 56 dribles realizados com sucesso, de longe o melhor registo da Liga. O colega mais próximo é Corona, com 20, sendo que todo o plantel somado (com excepção do argelino) totaliza 84 dribles eficazes.
    • Marega lidera em remates enquadrados (20), mesmo somando menos minutos que o segundo, Aboubakar (18). No entanto, o camaronês leva mais um golo (9) que Moussa. Os dois africanos têm também apenas um remate de diferença no total, aqui com vantagem para Aboubakar, com 39.
    • Os centrais Filipe e Marcano são respectivamente o quarto e quinto mais rematadores do “dragão”, com 15 e dez remates respectivamente, e ambos já marcaram (um golo para o brasileiro, dois para o espanhol).

Não perca amanhã o check-up ao Sporting 2017/18 de Jorge Jesus

Mas afinal o que é uma ocasião flagrante?

A dúvida é talvez o motivo de discussão mais popular entre quem nos segue, e claramente a variável que mais vezes temos de definir no esclarecimento de dúvidas.

Importa então esclarecer que a definição de ocasião flagrante, com base no critério Opta (a nossa fonte estatística), compreende uma situação de remate na qual o rematador se encontra com apenas um adversário entre ele e o golo (qualquer frente-a-frente com o guarda-redes, por exemplo) ou mesmo nenhum (ex.: lance de Bryan Ruiz em Alvalade, no Sporting – Benfica da Liga 2015/16).

Ou seja, a classificação de um momento de jogo como ocasião flagrante depende do contexto posicional de jogador(es) e bola no seu início e não do seu desenvolvimento, execução ou desfecho (se o remate é muito violento, se a bola vai ao poste, se ressalta em alguém e quase entra, etc), factores que costumam definir, à posteriori, na memória do adepto de futebol, a “perigosidade” de um lance. É esta diferença que costuma confundir o adepto comum, que invariavelmente espera, por exemplo, que qualquer golo surja incluído na contabilidade de ocasiões flagrantes.