Sim. Esta é mais uma review de FIFA 17 como tantas outras. Mas, em nossa defesa, esta pertence ao segmento “terceira idade” dos videojogos de futebol, tanto na perspectiva como na autoria. Já tenho idade para ter juízo. Mas ainda gosto de jogar.

Este jogo não é para velhos

A verdade é que me (nos) sobra pouco tempo para dedicar ao FIFA. São “retalhos” de tempo que pouca ou nenhuma justiça fazem à liberdade juvenil de outros tempos. Responsabilidades, profissão, família, “putos” e tantas outras coisas tornam os poucos minutos que conseguimos dedicar ao “vício” um carácter ali entre o luxo e o “guilty pleasure“.

Não tenho, aliás, dúvidas de que a minha geração será motivo de uma futura inovação que desde já aqui aposto como inevitável neste tipo de jogos: um modo “sénior”, no qual o jogo se adaptará às limitações do nosso avançar de idade. Sim, porque connosco o dominó de jardim será substituído por estas coisas, aguentem as articulações.

Nada que evite que seja capaz de reservar o devido tempo à habitual avaliação anual que aqui fazemos do popular jogo da EA Sports, que há alguns anos me roubou ao PES para não mais voltar.

E o que nos oferece FIFA este ano? Sem mais conversas, vamos à “review”, por pontos.

A Apresentação

frostbite-authentic-lg1000pxIrrepreensível. Se o título da EA sempre brilhou mais alto no que toca aos pormenores de apresentação, este ano o FIFA atingiu um novo patamar de qualidade, diz-me quem sabe por influência do motor Frostbite. Haja “congelamento” ou não, a verdade é que, graficamente, FIFA apresenta-se melhor do que nunca, e não apenas no detalhe dos jogadores, mas também na iluminação, que melhorou substancialmente.

No que toca à banda sonora (pormenor que não é de somenos, num jogo em que se passam muitas horas em menus), o resultado não me parece tão cativante como noutras edições, mas esse é um dos aspectos mais subjectivos em análise. “Downside”?

Uma queixa recorrente dos jogadores nacionais é a ausência de comentário em português. Após ouvir há certa de um ano a explicação (económica) para essa pecha, compreendo a opção. Compreendo menos o facto de não ser oferecido aos jogadores portugueses o comentário em português do Brasil, que seria bem mais adequado do que, por exemplo, o holandês ou o russo.

Jogabilidade

FIFA 17As diferenças são mais ténues no que toca à jogabilidade, o que não é necessariamente negativo, pelo contrário. Ainda assim, com o passar de “horas de vôo”, as mudanças vêm ao de cima (ex. os cruzamentos voltaram a ter maior preponderância e parece existir um melhor equilíbrio entre a aposta na velocidade versus circulação de bola).

Mas não é preciso esperar muito para encontrar alterações claras num aspecto fundamental do jogo (e do futebol): as bolas paradas. E nesse capítulo os resultados são… mistos. Se no que toca aos cantos e livres a nova “filosofia” é bem-vinda e permite muito maior variedade de desfechos, já no que toca às grandes penalidades a EA parece ter ligado o “complicómetro” sem um benefício claro evidente. Seja como for, a opção por inovar neste capítulo após tantas edições é digna de elogio.

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1
2
REVISÃO GERAL
Jogabilidade
9.0
Apresentação
9.5
Online
8.5
Novidades
9.5
PARTILHAR
Pedro Cunha Ferreira
Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting. É um dos fundadores da GoalPoint Partners.