José Mourinho não está a ter vida fácil na sua “cadeira de sonho” na Premier League. O impensável vai sucedendo: ao fim de 14 jogos o “special one” tem pior registo do que Van Gaal e David Moyes, os nada impressionantes sucessores do cada vez mais “insubstituível” Sir Alex Ferguson.

Neste momento o United de Mourinho (6º com 21 pontos) está aliás mais próximo do último classificado da Premier (Swansea) que do primeiro, que é, por ironia suprema, o Chelsea, com 34 pontos. No entanto, a malapata do português já não é de agora e envolve mais do que um clube: Mourinho conquistou apenas 36 pontos nos últimos 30 jogos disputados na Liga inglesa. Irreconhecível.

Mas para lá das dificuldades do setubalense em pôr a outrora temível máquina de Manchester a funcionar, sobressai outro “falhanço” (temporário?), tão ou mais espectacular, dificilmente mais económico: Paul Pogba.

O jogador mais caro do mundo chegou a Manchester por 105 milhões de euros, após uma longa novela de Verão, com um EURO 2016 (pouco conseguido) pelo meio. Desde que chegou a Manchester, Pogba realizou 18 jogos, entre Premier League e Liga Europa. Se lhe somarmos o EURO 2016, o total de partidas disputadas desde Junho chega às 25. E apesar do francês ser até dos mais produtivos no arranque de época soluçante dos “red devils” existem números incontornáveis que apontam num sentido: todos esperávamos mais de Pogba.

O médio totaliza assim 2147 minutos jogados, durante os quais marcou cinco golos e somou… uma única assistência. No total são seis intervenções directas em golos das suas equipas, uma a cada 358 minutos em média.

Se lhe dissermos que, na última época ao serviço da Juventus, Pogba totalizou nove golos e 14 assistências em 3769 minutos jogados na Serie A e Champions League, o “eclipse” actual torna-se evidente. Nesses tempos o médio-centro influenciava o marcador a cada 164 minutos. Sendo certo que Pogba vai sendo influente noutros domínios do jogo do United é difícil não concluir que se espera mais daquele que pulverizou a história mundial das “transfer fees”.

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Que o francês é um jogador com muito potencial poucos questionam mas o “price tag” que lhe foi atribuído é daqueles que exige rendimento imediato.

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Pedro Cunha Ferreira
Desempenhou entre 2011 e 2013 os cargos de Secretário-Geral da SAD do Sporting Clube de Portugal, Director da Equipa B e da Academia Sporting. É um dos fundadores da GoalPoint Partners.
  • Avançado Interior

    Boa noite a todos; por coincidência hoje, tive a estudar o Man Utd e os dados refletem a sua classificação:
    -É o 5º na criação de chances por jogo
    -É o 5º nos remates na baliza por jogo
    -É o 9º a nível das assistências
    -Para mim o dado que melhor espelha Mourinho é o número de dribles por jogo, onde o Man Utd é o 10º classificado. Há uma doutrina de não perder a bola em situações de um para um, caso comprometa o posicionamento defensivo ou a igualdade numérica em cada zona do campo.
    De qualquer forma a primeira parte do último jogo foi bastante ofensiva e bem jogada e o futebol do Man Utd vai crescer com a presença de Martial, Mkhitaryan e Mata. A segunda parte tornou-se muito mais especulativa. Entrou com uma abordagem muito conservadora e acabou por sofrer um golo, por não ter matado o jogo.
    Melhores dias virão.