Cinco jornadas após o último balanço regressamos ao Barómetro GoalPoint do desempenho dos “três grandes“, e logo após a 25ª jornada (que tecnicamente só termina esta segunda-feira, mas que já definiu a “sorte” dos candidatos). E desta feita aproveitámos o interregno para reformular o leque de variáveis cobertas, introduzindo três novidades que (supostamente) nos ajudam a avaliar com maior abrangência a produção de Benfica, Sporting e Porto.

Que novidades são essas? Para lá de passarmos a quantificar o número de assistências para golo somada por cada equipa, introduzimos outras duas variáveis exclusivas: o número de ocasiões flagrantes de golo falhadas (frente à baliza, apenas com o guarda-redes pela frente ou nem isso) por cada emblema, bem como o número de erros defensivos directamente resultantes em golo (autogolos e passes resultantes em assistências para o tento adversário) que cometeram. Preciosismos? Como poderá constatar pelos números… nem por isso.

Eis o barómetro após a 25ª jornada da Liga NOS 15/16:

Barómetro 25ª J | Falhar golos é fatal?
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

“Leão” falhão

Da maior produção e eficácia concretizadora do Benfica já muito foi dito ao longo da época neste Barómetro. As “águias” não só marcam mais golos como aproveitam muito melhor as ocasiões de que dispõem (16% de remates concretizados). Da mesma forma, a curiosa maior eficácia defensiva leonina face aos rivais também sobressai desde o início da época, não só pelo menor número de golos sofridos (15) mas também por permitir menores veleidades (remates enquadrados). Curiosa porquê? Porque se tivermos em conta a rotatividade que Jesus tem promovido no eixo central da defesa, o desempenho ganha ainda maior destaque.

Então o que sobra de relevante? As novidades que introduzimos nesta edição e que ajudam a perceber o porquê de um Benfica, que só agora ganhou o primeiro de quatro duelos com os rivais, liderar o campeonato a nove jornadas do fim. E se o número de erros defensivos resultantes em golo não traz grande surpresa (o FC Porto claramente pior e ainda esta jornada se viu exemplos disso mesmo), já o número de ocasiões flagrantes de golo desperdiçadas torna-se bastante revelador. O Benfica, apesar de rematar e criar mais ocasiões de golo, apenas desperdiçou 25 ocasiões flagrantes, enquanto o Sporting soma quase o dobro (47!) de situações de golo iminente esbanjadas. O FC Porto não anda longe, com 41.

Após duas jornadas em que os três falhanços de Bryan Ruiz (somava nove antes da deslocação a Guimarães) ficaram marcados na memória leonina, este tema ajuda a compreender o porquê de uma reviravolta classificativa cujas causas vão muito além do resultado final de um dos derbies mais aguardados de sempre no futebol português.

Protagonistas? Num ranking liderado por Vincent Aboubakar (FCPorto), com 18 ocasiões flagrantes falhadas, seguem-se Islam Slimani (14) e Bryan Ruiz (11) do Sporting, com Mitroglou a ser o primeiro “encarnado” que mais desperdiça, com oito ocasiões perdidas.

Apenas o apito final da época permitirá perceber o peso deste indicador mas, tendo em conta o relativo equilíbrio dos restantes, somos levados a crer que a decisão sobre o próximo campeão nacional pode bem passar não por marcar muitos golos ou sofrer menos mas, sobretudo por… desperdiçar o menor número de ocasiões “escandalosas” criadas.