Os adeptos do FC Porto irão certamente perdoar a inovação que propomos para o regresso ao Barómetro GoalPoint, até porque desde a última revisão os “dragões” disseram adeus definitivo às hipóteses de conquista da Liga NOS 15/16. E o que propomos? Simples, comparar os índices de desempenho dos dois emblemas que ainda lutam pelo título nacional (Benfica e Sporting) com o registo actual do já consagrado campeão inglês, o surpreendente… Leicester City.

Eis os resultados e a seguir o necessário enquadramento:

Barómetro ESPECIAL | Os candidatos vs.... o fantástico Leicester!
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

O futebol em Inglaterra é mesmo diferente

A conclusão rápida (vulgo “à padeiro”) deste barómetro especial podia ser um “eh lá, o Sporting e Benfica produzem muito mais do que o campeão inglês!“. E a verdade é que olhando apenas os números é isso que sucede, mas olhar os números sem atentar ao contexto é fazer análise estatística de taberna.

Se tivermos em conta não só o grau de dificuldade dos jogos com que o Leicester se debateu e o próprio contexto do clube em causa os números não só ganham outra dimensão como até o que parece negativo passa a parecer curiosamente positivo. É o caso da concretização. Apesar de os “foxes” fazerem quase menos dois remates enquadrados por jogo na exigente Premier quando comparado com os candidatos à (acessível) Liga NOS a verdade é que a equipa que os bookies davam como candidata à descida apenas fica a dois pontos percentuais dos “grandes” na hora de contabilizar a percentagem de remates concretizados em golo. Aplique este critério comparativo às restantes variáveis e rapidamente concluirá que os feitos do campeão-surpresa são bem mais notórios do que as “cores” da infografia parecem demonstrar.

Destaque para um ponto já aqui várias vezes focado: repare na quantidade de ocasiões flagrantes (cara-a-cara com o golo) que os “leões” falham, comparado com ambos os emblemas, a única variável de desempenho não disciplinar na qual os “foxes” não perdem para os candidatos portugueses. Pois é, aqui está boa parte da explicação do porquê de os “leões” estarem a dois pontos do actual líder da Liga e uma bem mais construtiva e aperfeiçoável do que as “razões” que os candidatos portugueses preferem normalmente identificar para contextualizar as suas falhas.

Tão poucas faltas… senhores do apito

Outro factor que salta à vista é o baixo número de faltas sofridas e cometidas pelos “foxes”, em comparação com a realidade dos grandes portugueses. Vardy e companhia jogam com “pezinhos de lã”? Nada disso, pois a “garra” e estilo de jogo viril dos campeões ficou bem patente ao longo de toda a Premier. A grande diferença reside no facto de em Inglaterra o apito não se fazer ouvir com a mesma frequência, o que também transparece no número de cartões somados pelas equipas a cada jogo. Conclusão? Em Inglaterra procura jogar-se à bola, por cá… parece vingar a lei da “sinfonia do apito” e a chuva de cartões.