Apito final, Portugal apurado, alegria imensa. O nosso trabalho não parou e pouco tempo depois publicávamos os habituais GoalPoint Ratings™, que traduzem o desempenho estatístico quantificável dos artistas em campo.

Há sempre alguma polémica em redor dos nossos ratings. Umas vezes porque (ainda) não partilhamos toda a informação que seria desejável oferecer de modo a facilitar a sua compreensão, outras porque quem nos descobre não compreende exactamente o seu objectivo: oferecer uma métrica estatística complementar a outras formas de avaliar o desempenho individual de cada jogador. Aliás se nunca ouviu falar neste ou noutros conceitos que utilizamos então o ideal é começar por este link.

Vai daí nada como partilhar ainda mais, pelo que, após um momento tão importante para o futebol português, apresentamos (como é hábito nos jornais, mas no nosso caso sem qualquer opinião ou subjectividade, apenas números) uma explicação objectiva do rating de cada um dos “heróis” que nos levou à final do Euro 2016, frente ao País de Gales.

1. Rui Patrício 5.7 

Rui Patrício (foto. FPF)

Jogo tranquilo para o número 1 português. Entre os postes esteve perfeito, defendendo os três remates enquadrados feitos pelo País de Gales e só não tem um GP Rating mais alto porque ao nível do passe longo não esteve tão e bem e porque as poucas “bombas” enquadradas que enfrentou (todas de Gareth Bale) surgiram de remates de fora da área.

⬆ 3 defesas
⬇ 55% de eficácia na reposição de bola

2. Cédric 6.3

Cédric Soares

Completou 10 acções defensivas (desarmes, intercepções, bloqueios e/ou alívios) no total, quase tantas como os três elementos da defesa portuguesa combinados (11). Ao nível dos duelos individuais também esteve forte, perdendo apenas um dos oito que disputou.

⬆ 11 acções defensivas
⬆ 7 duelos ganhos em 11

3. José Fonte 5.4

José Fonte (foto: FPF)

Mais discreto a defender do que nos jogos anteriores, somou apenas um alívio e um bloqueio de remate. Os duelos aéreos também não lhe sairam tão bem, perdendo os dois que disputou. No entanto fez um dos seis remates enquadrados da Selecção.

⬆ 1 remate enquadrado
➡ 2 acções defensivas
⬇ 2 duelos aéreos perdidos em 2 disputados

4. Bruno Alves 5.3

Bruno Alves, (foto: FPF)

Foi chamado a substituir Pepe e cumpriu. Foi o português que mais alívios fez a par de Cédric (5) e ainda o que recuperou mais bolas a par de Renato Sanches (7), mas falhou surpreendentemente naquilo que é o seu forte (ou talvez não, tendo em conta o adversário), os duelos aéreos, ganhando apenas três dos sete que disputou.

⬆ 5 alívios
⬆ 7 recuperações de posse
⬇ 3 duelos aéreos ganhos em 7 disputados

5. Raphaël Guerreiro 5.7 

Raphael Guerreiro (foto: FPF)

Protagonizou a assistência para o golo de Ronaldo, o momento alto do seu jogo e foi precisamente a atacar que deu mais nas vistas, juntando o passe para golo mais um passe para ocasião. A defender esteve mais discreto, mas cumpriu.

⬆ 1 assistência
⬆ 2 passes para ocasião

6. Danilo Pereira 5.8 

Danilo Pereira (foto: FPF)

Muito certo ao nível do passe, falhando apenas três tentativas, nenhuma delas dentro do meio-campo português. Defensivamente não se destacou tanto como nos habituou na Liga NOS, mas ainda apareceu na frente para quase marcar aquele que seria o 3-0.

⬆ 91% de passes certos
⬆ 1 remate enquadrado

7. Adrien Silva 5.7 

Adrien Silva e companheiros (foto: FPF)

Aos 60 minutos ainda não tinha falhado nenhum passe, e chegou ao fim do jogo com apenas dois falhados, um em cada metade do campo. Voltou a estar muito voluntarioso, disputando um total de 10 duelos, desta vez vencendo seis e perdendo apenas quatro. Trabalhador, ainda que sem a preponderância ofensiva que ofereceu durante a época aos “leões”.

⬆ 94% de passes certos
⬆ 6 duelos ganhos em 10 disputados

8. Renato Sanches 5.2

Renato Sanches

Um arranque aparentemente desconcentrado falhando vários passes simples, num total de nove em apenas 75 minutos. Para que se perceba a diferença refira-se que contra a Polónia Renato falhou apenas quatro em 120 minutos. Em contrapartida recuperou sete vezes a posse de bola, sendo o melhor português nesse parãmetro a par de Bruno Alves.

⬆ 7 recuperações de posse
⬇ 74% de passes certos

9. João Mário 4.1

João Mário (foto: FPF)

Tal como Renato Sanches não teve um jogo feliz ao nível do passe, algo muito raro no número “10”. Para lá do desacerto naquilo em que habitualmente é mais forte ganhou apenas um dos quatro duelos que disputou, recuperando três vezes a posse de bola. Aquilo que seria um rating mediano para o seu nível acabou por ser ainda mais prejudicado pela falha de uma ocasião flagrante que daria o terceiro golo português.

➡ 79% de eficácia de passe no meio-campo adversário
⬇ 14 perdas de posse
⬇ 1 ocasião flagrante desperdiçada

10. Nani 6.9

Nani (foto: FPF)

É o espelho da performance portuguesa neste Euro 2016. Não dá muito nas vistas mas vai cumprindo e ontem marcou o seu 3º golo na prova. Foi ainda o português com a maior eficácia de passe (96%) e somou dois passes para ocasião.

⬆ 96% de passes certos
⬆ 2 passes para ocasião

11. Cristiano Ronaldo 7.9 ⭐

Cristiano Ronaldo (foto: FPF)

Um grande golo em que pareceu pairar no céu e uma assistência que, involuntária ou não, criou o golo de Nani. Para além disso fez um total de nove remates, tantos toda a equipa galesa. O grande CR7 apareceu contra o País de Gales, a fazer-nos sonhar com o que ainda está para vir.

⬆ 9 remates
⬆ duas acções ofensivas de influência directa no resultado (golo e assistência)

André Gomes (5.2)

16 minutos discretos que valeram sobretudo por um passe para ocasião. Ainda disputou quatro duelos, ganhando metade.

João Moutinho (-)

Apenas 6 toques na bola. Quatro passes certos, um falhado, e um remate bloqueado ao adversário.

Ricardo Quaresma (-)

Muito pouco tempo em campo e destascou-se sobretudo por um… desarme e uma falta sofrida após uma brilhante “cueca” a um adversário.