Aselecção portuguesa alcançou a primeira vitória na campanha de qualificação para o Mundial 2018 ao golear Andorra por 6-0. Foi uma partida de sentido único desde o apito inicial, que acabará por ficar na história pelo póquer de Cristiano Ronaldo, que apontou dois golos em cada parte.

O capitão dá o mote

Durou muito, muito pouco, a resistência da selecção de Andorra ao poderio “luso”: aos cinco minutos, a equipa lusa levava já dois golos, ambos de Cristiano Ronaldo, nos dois primeiros remates enquadrados que tinha efectuado.

Percebeu-se logo que a pergunta não deveria ser Portugal iria ganhar o encontro, mas sim por quantos golos o faria. A equipa andorrenha não tinha argumentos para contrariar a superioridade do adversário e acabava muitas vezes por recorrer a faltas duras para travar os jogadores portugueses, tornando feio um jogo em teoria tranquilo.

Aos 28 minutos, José Fonte teve na cabeça a oportunidade de fazer o 3-0, vendo Josep Gomes negar o golo com uma defesa por instinto, uma imagem que se repetiria. Minutos depois, André Silva cabecearia à barra, levando os adeptos (e Fernando Santos) ao desespero, ansiosos por ver mais golos depois daquela entrada fulgurante.

Portugal voltaria novamente a marcar já perto do intervalo, por intermédio de João Cancelo, a rematar rasteiro e de um ângulo muito apertado (tão apertado que poucos acreditariam que ele conseguisse marcar), após uma grande combinação com Bernardo Silva na direita.

Ao intervalo, todos os dados apontavam para a superioridade de Portugal: 12 remates (cinco deles enquadrados), dez cantos, uma eficácia de passe de 90% e uma percentagem de posse de bola de 83%. A péssima eficácia de passe de Andorra (42%) mostrava bem que a equipa visitante mal conseguia construir uma jogada, quanto mais importunar Rui Patrício, um verdadeiro espectador durante o primeiro tempo.

Em termos individuais, Ronaldo liderava os GoalPoint Ratings após os primeiros 45 minutos, com 7.5, fruto dos dois golos e ainda de um passe para ocasião. Logo atrás, com 7.3, aparecia Ricardo Quaresma, autor de uma assistência e o líder em número de cruzamentos eficazes, duelos, toques na bola e faltas sofridas.

“Déjà vu” futebolístico

A segunda parte começou exactamente da mesma forma da primeira: com Ronaldo a marcar logo a abrir, desta vez aproveitando um cruzamento de André Gomes. Passados dez minutos do reatar da partida, Portugal levava já sete remates, dois deles enquadrados, fruto da pressão sufocante que exercia no meio-campo andorrenho.

Numa altura em que Andorra jogava apenas com dez homens, depois da expulsão de Jordi Rubio, Portugal chegou ao quinto golo da noite, novamente por Ronaldo, que fez história ao entrar no restrito lote de jogadores portugueses a marcar quatro golos num só jogo pela Selecção, juntando-se a Eusébio, Pauleta e Nuno Gomes. Até ao apito final haveria ainda tempo para mais uma expulsão na equipa de Andorra, desta vez a de Marc Rebés, e para mais um golo dos da casa, apontado por André Silva, que contou com o precioso desvio de um defesa adversário.

Curiosamente, embora tenha marcado menos golos na segunda parte, Portugal rematou bastante mais do que nos primeiros 45 minutos. Os comandados de Fernando Santos fizeram ao todo 40 remates, 15 deles enquadrados com a baliza. Um verdadeiro “massacre”, que também se traduz em dados como o número de cruzamentos (34) e de cantos (18), a eficácia de passe (90%) e a percentagem de posse de bola (83%).

Uma noite para recordar

Foi uma exibição irrepreensível, pese embora a fraca qualidade do adversário. Cristiano Ronaldo foi o melhor em campo e terminou mesmo a partida com nota máxima, 10.0 sendo o primeiro jogador português a “rebentar a escala” desde o aparecimento do GoalPoint Ratings. Foram quatro golos, resultantes de dez remates à baliza, a que o jogador do Real Madrid somou três passes para ocasião e uma eficácia de passe de 89%.

Quem também terminou a partida a merecer rasgados elogios foi Ricardo Quaresma, com um GPR de 9.2. O jogador do Besiktas fez seis passes para ocasião (um deles resultando em assistência) e 17 cruzamentos (sete dos quais eficazes), protagonizando ainda 16 duelos, mais do que qualquer outro jogador da sua equipa.

Outros números:

  • Bernardo Silva 7.6 – Disposto a recuperar o “Euro” perdido: seis remates, uma assistência (em três passes para ocasião) e ainda igualou Quaresma na certeza do passe, com 94%.
  • João Moutinho 7.3 – Foi o jogador português que mais acções defensivas protagonizou (6) e o que mais passes fez (64). Também rematou bastante (5), embora só por uma vez o tenha feito de forma enquadrada.
  • André Silva 6.1 – Acabou em alta (golo) num jogo em que ameaçava passar ao lado. Acabou com zero passes para ocasião mas tentou fazer o que se lhe pedia: rematar (sete disparos).
  • Josep Gomes 6.0 – Apesar dos golos sofridos, foi o melhor em campo da sua equipa, com seis defesas. Curiosamente, foi o jogador de Andorra que mais toques deu na bola (41) e mais passes efectuou (28).
  • João Mário 5.9 – Actuou apenas 24 minutos, tempo suficiente para deixar a sua marca no campo. Para além de ter conseguido uma eficácia de passe de 100%, fez ainda quatro passes para ocasião, ficando apenas atrás de Quaresma neste capítulo.
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