Portugal | Moutinho esteve assim tão mal?

João Moutinho não vinha fazendo um Euro positivo e foi substituido frente à Hungria. Mas terá sido este o pior jogo dele ou... o melhor? Os números respondem.

Esta é daquelas análises que, caso imperasse uma lógica “comercial” no GoalPoint não publicariamos. No entanto, desde o início que, a sermos “populares”, preferimos sê-lo pela independência e objectividade e, sempre que possível, partilhando aquilo que até em causa própria aprendemos, olhando os números.

Decidimos por isso olhar à “lupa” o desempenho de João Moutinho frente à Hungria, tendo aliás em conta que já haviamos apontado o seu sub-rendimento estatístico nos dois jogos anteriores.

Percepção vs. realidade?

Substituído ao intervalo, Moutinho foi rendido por Renato Sanches, um jogador com outras características mas… para nossa surpresa (e o GoalPoint Ratings viria a confirmá-la) o “8” português, mesmo longe de qualquer brihantismo ou sequer influência directa nos golos “lusos”, ofereceu os seus melhores 45 minutos neste Europeu, antes de partir para o descanso.

Portugal | Moutinho esteve assim tão mal?
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Moutinho não rematou, não travou (logo não venceu ou perdeu) qualquer duelo, não driblou e não somou qualquer acção defensiva. Mas, por outro lado, o “8” fez nada menos do que cinco (dos 14) passes para ocasião de perigo que Portugal somou no encontro, sendo também o jogador com mais cruzamentos eficazes (que chegaram a um colega), algo que não é de somenos tendo em conta a ineficácia que Portugal tem registado nesta acção em particular.

O comparativo com Renato Sanches acaba por revelar que Moutinho, não fazendo um (meio) jogo excepcional, fez bem mais do que vinha fazendo neste Euro o que, não anulando a discussão sobre a sua titularidade, relativiza definitivamente a inclusão do último jogo de Portugal como exemplo da sua eventual ineficácia.

Referir a entrada de Renato Sanches como sinónimo de subida clara de produção torna-se também insustentável quantitativamente, no jogo em análise. Sanches também não atingiu números condizentes com o que de melhor é capaz de fazer, com excepção do acerto no passe (curiosamente uma qualidade que não lhe é reconhecida, a “olho nú”, na vox populi).

Conclusão? Mais do que percebermos se este ou aquele jogador rendeu mais ou menos que um colega, os números são por vezes úteis para confirmar (ou desmentir) aquilo que os sentidos e até o preconceito prévio nos levam a “ver”, na exibição de um jogador. A estatística não explica tudo mas… terá alguma utilidade.

  • Diogo Oliveira

    por alguma razão só estou eu a comentar isto