A Selecção entrou com o pé esquerdo (e torto, mas já iremos) na fase de apuramento para o Campeonato do Mundo de 2018, na Rússia, perdendo com a Suíça em Basileia por 0-2. A equipa da construiu a vantagem cedo, com golos de Embolo e Mehmedi, e fez uma gestão tranquila do resultado na segunda parte, apoiada na gritante falta de eficácia dos portugueses, que efectuaram 27 remates mas só acertaram… dois na baliza suíça.

O primeiro milho foi para nós

Portugal entrou em campo com o peso da conquista do Euro 2016 sobre os ombros e pareceu querer assumir o papel bem cedo. Logo aos cinco minutos, Bernardo Silva teve nos pés uma boa ocasião para abrir a contagem, mas o guarda-redes suíço mostrou-se atento e parou o remate.

O ascendente luso inicial, expresso no maior número de remates, acabou por ser quebrado aos 23 minutos, com um golo de Embolo, que, atento, apareceu na recarga para cabecear para o fundo das redes, depois de Rui Patrício ter parado o livre cobrado por Rodríguez.

O resultado surpreendia apenas os mais distraídos, pois os números não enganavam: apesar de Portugal ter rematado mais na primeira meia-hora (sete remates contra três da Suíça), as duas equipas tinham o mesmo número de remates enquadrados (dois), o que transparecia alguma falta de pontaria, bem como uma fraca capacidade de decisão no último terço do campo por parte dos jogadores portugueses. E os 68% de posse de bola dos suíços mostravam bem que a equipa da casa vinha com a lição bem estudada e não se limitava a defender. Os suíços queriam ganhar, controlando o jogo.

A partida ganhou contornos ainda mais preocupantes para Fernando Santos pouco depois, com a Suíça a chegar ao 2-0 numa jogada de contra-ataque. A defesa lusa ficou novamente a ver “navios”, deixando Mehmedi livre no meio da grande área para colocar a bola em jeito no fundo da baliza.

Ao intervalo, o cenário era bem negro para a selecção portuguesa, e a única luz irradiava de Raphael Guerreiro, um verdadeiro “senhor” a defender e a atacar. O jogador do Borussia Dortmund somava oito acções defensivas, quatro remates e 43 toques, mostrando ser, de longe, o elemento mais inconformado da equipa e o único a entrar em campo com as vestes de… campeão europeu.

Mais do mesmo, até com caras novas

A segunda parte começou com duas alterações no onze português, entrando João Mário e André Silva para os lugares de William Carvalho e Éder. Apesar de a posse de bola estar agora mais equilibrada, a Selecção teimava em não querer nada com a baliza: aos 70 minutos, apenas um dos oito remates efectuados tinha saído enquadrado. Noite tranquila para o guarda-redes helvético…

Do outro lado, mesmo estando em modo “cruise control”, a Suíça esteve a centímetros do golo no primeiro remate que fez na segunda parte, na sequência de um disparo rasteiro de Dzemaili. Até ao final da partida, houve tempo para Fernando Santos levar as mãos à cabeça em desespero, com Nani a acertar no poste após um cruzamento perfeito de Ricardo Quaresma. Soado o apito final, os jogadores portugueses só se podiam queixar de si próprios, tendo feito quase 20 remates a mais do que os atletas suíços, que, porém,  foram bastante mais certeiros (5×2 em remates enquadrados).

Raphael foi um guerreiro

É caso para dizer que merecia melhor sorte. Raphael Guerreiro foi de longe o homem do jogo, somando um GoalPoint Rating de 7.0. O jovem lateral-esquerdo rematou muito (seis disparos, quatro bloqueados) e somou ainda três passes para ocasião. Para além disso, esteve também muito bem na retaguarda, somando nove acções defensivas, incluindo seis intercepções. Destaque ainda nos GoalPoint Ratings para outro homem da defesa, José Fonte, com 6.5, graças a uma exibição bastante segura, com 67% de duelos aéreos ganhos e nove acções defensivas.

Do lado helvético, é preciso destacar a exibição do defesa Fabian Schär, que, com 15 acções defensivas e uma percentagem de 100% em duelos aéros conseguiu um GPR de 6.0.

Outros números:

  • Pepe 4.9 – Nenhum desarme ou intercepção durante todo o jogo e ainda entregou a posse por oito vezes ao adversário. Irreconhecível.
  • William 5.1 – Apenas uma intercepção num total de cinco recuperações de posse a qual perdeu… quatro vezes. Uma sombra do William da fase final do Euro.
  • Éder 5.2 – Apenas um remate dos 27 de Portugal sairam dos seus pés. A bola não chegou lá ou atrapalhou? Seja qual for a explicação não se destaque tanto pelo desperdício mas sim pelo desaparecimento embora ainda tenha feito um passe para ocasião.
  • Bernardo Silva 6.3 – Falhou o Euro mas não falhou Basileia. Esforçado enquadra-se nos poucos destaques positivos “lusos”, autor de um dos únicos remates enquadrados da Selecção (em cinco que efectuou), ofereceu ainda três passes para ocasião de perigo ajudando também na defesa, onde somou três desarmes e duas intercepções.
GoalPoint | Suíça vs Portugal | Qualificação Mundial 2018 | Ratings
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GoalPoint | Suíça vs Portugal | Qualificação Mundial 2018 | MVP
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GoalPoint | Suíça vs Portugal | Qualificação Mundial 2018 | 45m
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GoalPoint | Suíça vs Portugal | Qualificação Mundial 2018 | 45m
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