Após João Mário ter sido um dos mais regulares jogadores do Inter na sua primeira temporada em Itália – dono de um Goalpoint Rating de 6.18 – numa época particularmente difícil de caracterizar devido ao facto de ter tido quatro treinadores diferentes, o segundo ano do internacional português começou marcado pelo estatuto de segunda opção no meio-campo ofensivo do Inter de Milão.

Lucciano Spalletti reconhece as suas qualidades, e não se mostra muito disponível para permitir a sua saída no próximo mercado, mas defende que as suas opções têm dado bons resultados, algo difícil de discutir quando o Inter ocupa a terceira posição da Série A, apenas a dois pontos do líder Nápoles. Mas não poderia a equipa do Inter ser mais forte caso aproveitasse todas as qualidades que João Mário tem para oferecer?

Use cinto de segurança

Comparando os dados do Internazionale nas últimas duas épocas, chegamos à conclusão que o crescimento da equipa se verifica, sobretudo, pela maneira como Spalletti estrutura o seu jogo e o organiza. O número de técnicos que passaram pela equipa na época passada denunciava já esse somatório ilógico de características, numa equipa que criava mais ocasiões flagrantes e apostava mais na procura dos dribles, ao mesmo tempo que, defensivamente, cometia mais faltas e se via mais vezes em situação de interceptar passes dos adversários.

Inter 16/17Inter 17/18
Posse de bola53,6%53,5%
Remates (bola corrida)15,915,1
Ocasiões flagrantes2,31,8
Cruzamentos (bola corrida)24,719,7
Tentativas de passe489529
Tentativas de drible18,014,8
Intercepções14,48,6
Faltas cometidas14,311,7

Médias por jogo na Serie A
Fonte: GoalPoint / Opta

A forma como a equipa mantinha a posse de bola, em número semelhante ao da presente época, revelava uma maior ansiedade no jogo, como se denota pela diferença registada entre o número de passes realizados, em média, pela equipa.

Se olharmos para as jornadas iniciais da presente temporada, a proposta de Lucciano Spalletti tinha alternativas claras. Com João Mário no banco, Marcelo Brozovic foi opção titular na primeira jornada, em casa, com a Fiorentina. Mas na segunda ronda, numa deslocação a Roma, o técnico optou por colocar Borja Valero no “onze”, com essa missão de tornar o seu meio-campo mais compacto. O técnico chegou a Milão para promover o uso do cinto de segurança.

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