O mercado brasileiro continua a ser um dos mais importantes para os clubes portugueses. Ainda no início desta época o FC Porto foi buscar Felipe, com o sucesso que se tem visto, enquanto o Sporting trouxe Elias e André, estes sem que ainda se tenham afirmado. Mas se procurarmos nos restantes clubes, os jogadores brasileiros continuam a ser contratados com quase tanta frequência como os portugueses, e é indiscutível que todos os anos continua a aparecer muito talento no Brasileirão.

No final do campeonato de 2015 já tínhamos feito um exercício semelhante, recorrendo àquilo em que nos especializamos, a análise estatística, para encontrar dez jogadores com potencial para deixar o Brasil e brilhar nas melhores Ligas europeias. Apenas um ano decorrido, o balanço validou plenamente o método.

Uma das recomendações tinha apenas 1300 minutos de Serie A brasileira, mas os números deram-nos confiança para o apelidar de “pepita brasileira“. O seu nome é Gabriel Jesus, hoje é titularíssimo da “canarinha” e vai jogar a partir de Janeiro no Manchster City de Guardiola. Mas houve mais: o guarda-redes Alisson transferiu-se para a Roma, Biro-Biro foi ganhar milhões para a China onde marcou 18 golos e fez dez assistências, e nomes como Rodrigo Dourado (Internacional), Luan (Grémio) e Jorge (Flamengo) passaram a certezas do futebol brasileiro, e só não entram na lista deste ano porque optámos por não repetir jogadores.

Posto isto, apresentamos-lhes mais dez “craques” que têm tudo para dar que falar no futuro, alguns ainda a preço de saldo. É aproveitar.

Christian Cueva
São Paulo

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A seguir a Bruno Henrique (Corinthians), que se transferiu no mercado de Inverno para o Palermo, foi o jogador com melhorGoalPoint Ratingdo campeonato brasileiro.

Chrstian Cueva é um médio-ofensivo peruano que também pode alinhar pelas alas, e que já teve uma curta experiência europeia ao serviço do Rayo Vallecano, em 2013/14. As coisas não lhe correram bem, regressando de seguida ao seu país onde voltou a brilhar, no Alianza Lima e na selecção. Uma Copa América 2015 de grande nível valeu-lhe uma transferência para os mexicanos do Toluca, onde também fez excelentes jogos, sobretudo na Copa Libertadores. Foi aí que o São Paulo reparou nele.

Após uma eliminatória em que Cueva pôs a cabeça em água à defesa são-paulina, os brasileiros acabariam por comprar o seu passe em Julho, por cerca de €2,2M. O que se seguiu foram 24 jogos de altíssimo nível, ao ponto de ter participado directamente em 11 golos da equipa onde joga(va)m Maicon e Kelvin.

Só Robinho (2,8 / 90m) criou mais oportunidades de bola corrida que Cueva (2,5 / 90m), e o peruano foi ainda o segundo maior driblador (2,6 / 90m), atrás de um jogador de quem falaremos mais à frente. Com quase dois desarmes e sete recuperações de posse por jogo, Cueva dá ainda uma contribuição defensiva muito interessante, e aos 25 anos está plenamente preparado para regressar a solo europeu.

Giorgian de Arrascaeta
Cruzeiro

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O futebol brasileiro está agora mais aberto a jogadores de outros países, e a nossa segunda recomendação é mais um sul-americano originário de outras paragens.

Giorgian de Arrascaeta chegou ao Cruzeiro no início de 2015, proveniente do Uruguai, mais especificamente do Defensor Sporting, numa altura em que já se tinha estreado ao serviço da sua selecção. O Cruzeiro pagou €4M pelo seu passe, valor elevado para o futebol brasileiro, mas o uruguaio tem justificado a aposta e a camisola 10 que enverga.

Já tinha dado bons sinais em 2015, mas esta foi a época da afirmação, com Arrascaeta a terminar com nove golos e nove assistências. Só três jogadores estiveram envolvidos directamente em mais golos (Robinho, Diegou Souza e Fred), todos eles já trintões, enquanto o uruguaio conta ainda com apenas 22 anos.

Como um bom “10”, as suas principais qualidades são a visão de jogo e a capacidade técnica, mas o jovem que chegou a ser treinado por Paulo Bento esta época complementa isso com golos, fruto da sua boa capacidade de remate, tanto dentro como fora da área.

Ao que tudo indica, Roma e o Fiorentina têm-no como prioridade para o mercado de Janeiro, e não seria de espantar que pudéssemos ver Arrascaeta noutra Serie A num futuro breve.

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