Éuma frase feita mas é a mais pura verdade. As fases finais de grandes competições são as maiores “montras” futebolísticas que um jogador pode desejar. Entre centenas de jogadores já consagrados, há sempre aqueles que, junto com os maiores, mostram ao mundo que têm qualidade para outros voos.

Com a ajuda do habitual selo de garantia GoalPoint Ratings, escolhemos cinco “artistas” cujo desempenho no Euro 2016 impressionou qualitativa e quantitativamente e que terão certamente o seu valor revisto em alta. E um deles é português.

5. Oliver Norwood (Irlanda do Norte)

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Já tinha sido aposta GoalPoint na antevisão que fizemos da Irlanda o Norte  e não defraudou as expectativas.

“Oli” Norwood é um médio-centro completo que, sem surpresa, se destacou mais neste Euro pelas tarefas defensivas, como por exemplo o elevado número de duelos ganhos por jogo, sobretudo desarmes. Foi aliás o 2º melhor da competição com 4.1 por jogo nesse domínio, registando contra a Polónia um impressionante total de sete roubos de bola. Para além disso ainda foi a tempo de ser decisivo na única vitória do seu país, contra a Ucrânia, onde confirmou a marcação das bolas paradas como outra das suas qualidades, assistindo o golo de McAuley.

Norwood joga ainda no Championship ao serviço do Reading, mas já se fala do interesse de Bournemouth, Hull, Burnley e Swansea, todas elas equipas que vão actuar na Premier League em 16/17.

4. Kolbeinn Sigthórsson (Islândia)

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Fez a “vida negra” a Danilo Pereira no jogo de abertura do Euro, surpreendendo os portugueses pela facilidade com que ganhou quase todos os duelos aéreos ao jogador do FC Porto. Kolbeinn viria a provar nos jogos seguintes que a “ocorrência” derivava não de um defeito do português mas sim da sua apetência para conquistar os ares.

Para equipas que apostem no jogo directo, Sigthórsson é provavelmente um dos melhores pontas-de-lança disponíveis. Mas nem só de cabeça se destaca o jogador do Nantes, tendo mostrado contra Inglaterra e França, uma frieza “olímpica” na hora de finalizar. Com apenas cinco remates, Sigthórsson marcou dois golos, o que lhe garantiu a segunda melhor taxa de conversão do Euro 2016, entre jogadores com quatro ou mais remates, apenas superado pelo seu colega (e também “besta negra” de Portugal), Birkir Bjarnason.

Sigthorsson tem 26 anos e está desde o início da época no Nantes, para onde se transferiu do Ajax. mas a época em França não lhe correu particularmente bem. O seu preço não deve exceder os 5 milhões de Euros.

3. Fabian Schär (Suíça)

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Um dos mais interessantes defesas-centrais da actualidade tendo em conta a versatilidade que demonstra face à tenra idade (24 anos) para a posição que ocupa.

Fabian Schär é um central goleador que tratou de demonstrar isso mesmo logo no jogo de abertura contra a Albânia, tendo-se sagrado o MVP da partida com um GoalPoint Rating de 7.0.

O acerto de Schar na área adversária é tal que fez um total de quatro remates de cabeça em apenas quatro jogos, mas não se pense que as qualidades do suíço ficam por aqui. Também defensivamente o número “22” parece ter íman na proximidade da bola, mostrando um sentido posicional que lhe permitiu fechar o torneio no top-20 tanto em intercepções como bloqueios de remate.

O Hoffenheim pagou por ele quatro milhões de Euros no Verão passado, mas depois deste Euro 2016 a sua cotação deve ter subido pelo menos para o dobro. Nada que não se justifique dado o potencial que demonstra.

2. Raphaël Guerreiro (Portugal)

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Partiu para o Euro 2016 como provável suplente de Eliseu, mas um golaço num dos jogos de preparação e a própria transferência para o Borussia Dortmund, convenceram tudo e todos que estaria aqui o titular da lateral-esquerda portuguesa… para muitos e bons anos.

Raphael Guerreiro tem apenas 22 anos e não contava com nenhum troféu na sua vitrine pessoal, até à semana passada. Mas não foi só por isso que o luso-francês impressionou. Muito completo tanto a atacar como a defender, impressiona a influência que teve no jogo de Portugal, registando uma média de 75 toques na bola por jogo, algo raro num lateral. No momento ofensivo, os 1.4 passes para ocasião a cada 90 minutos foram o 4º melhor registo em laterais, e no que toca às intercepções ficou também no top-3 dos mais produtivos na sua posição.

Se nos lembrarmos das suas qualidades em livres directos (até podia ter resolvido a final minutos antes de Éder), não é exagerado pensar que se poderá tornar num dos melhores defesas-esquerdos do mundo. Assim esperamos.

1. Joshua Kimmich (Alemanha)

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Não é propriamente um desconhecido visto que esta época foi bastante utilizado por Guardiola no Bayern de Munique, mas a revelação prende-se mais com as qualidades que demosntrou numa posição onde nunca se tinha visto.

Joachim Low lembrou-se de Joshua Kimmich para lateral-direito no último jogo da fase de grupos contra a Irlanda do Norte e o que se viu foi de tal forma impressionante que não mais largou o lugar. Em muitas coisas faz lembrar um tal de Philipp Lahm, que tal como Kimmich também se destacou pela polivalência, mas o que mais impressiona em Kimmich é que já demonstra toda essa inteligência com apenas 21 anos.

Uma coisa é certa, depois da acutilância que demonstrou pelo flanco neste Europeu, vai custar voltar a vê-lo “preso” como defesa-central, no entanto seja lá o que for que Ancelotti tenha em mente para o rapaz, o futuro é brilhante para Kimmich. Não há como falhar.