Quando se fala de políticas de recrutamento no futebol português, vem à cabeça um reduzido número de mercados preferenciais para os clubes da Primeira Liga, que podem ser contados pelos dedos de uma só mão.

O Brasil é, por larga margem, o país mais procurado, com outros países sul-americanos, como Argentina e Colômbia, entre os eleitos pela maioria dos clubes. Dentro da Europa olha-se sobretudo para França e Bélgica, mas esta é, ainda e sobretudo, uma actividade limitada por aquilo que os empresários colocam em cima da mesa, ao dispor de cada clube.

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A falta de estruturas profissionalizadas nesta área tão importante, que possuam valências abrangentes na análise de desempenho, tanto observacional como estatístico, de maneira a minimizar o erro e maximizar o benefício desportivo e financeiro, é um dos motivos pelos quais o futebol português vai perdendo fulgor em relação a outros países europeu, e não só. Por cada reforço que resulta, há dois que chegam e são dispensados em Janeiro ou, como já aconteceu, antes do próprio mercado de Agosto fechar. Mas foi precisamente no final de Agosto que chegou um jogador que veio abanar com a norma no futebol português: Shoya Nakajima.

Devido às fortes ligações ao Japão dos corpos dirigentes da sua SAD, o Portimonense já contava com Theo Ryuki no plantel, e tinha recentemente sido casa de outro japonês (Mu Kanazaki), que até jogou a final do mundial de clubes no ano passado, mas a chegada de Nakajima só veio provar uma coisa: há bons jogadores em todo o lado.

Nakajima era utilizado intermitentemente por um clube de meio da tabela da J. League (FC Tokyo), mas uma análise ao seu desempenho no Japão mostra que era um dos melhores jovens do campeonato. Foi por isso um tiro certeiro, que pode e deve “lançar a escada” para uma maior aposta neste tipo de mercados menos habituais.

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Enquanto GoalPointPro, acreditamos que o futuro e o crescimento do futebol português passa por aí. Há mais “Nakajimas” à espera de ser encontrados em vários cantos do mundo. Baratos, ambiciosos e, acima de tudo, com muito qualidade.

De seguida apresentamos mais cinco promessas japonesas com o nosso selo de garantia, como já fizemos recentemente para Argentina ou Brasil.

Yosuke Ideguchi
Gamba Osaka

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Com apenas 21 anos, é um dos melhores centro-campistas do campeonato, e estreou-se no passado mês de Junho pela selecção principal do Japão, marcando um golo contra a Austrália, logo no segundo jogo como titular.

Formado no Gamba Osaka, só nesta época afirmou-se como titular indiscutível e já leva quatro golos e sete assistências no campeonato. Médio box-to-box, com razoável técnica individual e boa capacidade de passe, é ainda um dos melhores do campeonato a rematar de fora da área e fá-lo com ambos os pés.

Na hora de defender, tem um pulmão que lhe permite cobrir um grande raio de acção, recorrendo com grande frequência ao desarme, e quase sempre com eficácia. Aos 21 anos, Ideguchi é um médio muito completo que não teria quaisquer problemas de adaptação ao futebol europeu.

Junya Ito
Kashiwa Reysol

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Se houvesse multas por excesso de velocidade no campeonato japonês, Junya Ito apanhava uma em todos os jogos. Basta vê-lo jogar uns minutos para se ficar abismado com os seus sprints.

Clássico jogador de linha, tira uma média de 4,5 cruzamentos por jogo e mantém uma bela taxa de acerto de 25% desde a época passada, mas também sabe explorar o contra-ataque e marca a maioria dos seus golos nesse tipo de jogadas.

Pelas suas características, seria um terror para qualquer equipa no campeonato português, sendo que também já actuou no passado como lateral-direito, apesar de ter algumas dificuldades no posicionamento.

Ainda não é internacional japonês.

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  • Rob_Steinman

    Esse Misao é muito bom jogador mesmo!

    Eu também incluíria nessa lista: Ko Matsubara, Ryota Aoki, Yuma Suzuki, Koya Kitagawa, Naomichi Ueda, Takehiro Tomiyasu e Hayao Kawabe.