Agora que já conseguimos a sua atenção recorrendo a um título exemplarmente perspicaz, temos de explicar-he que neste artigo só se vai mesmo falar de futebol. Certo, a estratégia não foi bonita, mas a causa é nobre, sobretudo a uma segunda-feira.

O clássico ainda está “fresco” e ainda muito se fala de alguns dos seus protagonistas, embora menos sobre os que fizeram a bola rolar. Se já aqui destacámos o feito inédito de Marega, que ajuda a explicar em grande parte o resultado, trazemos agora à baila um feito mais positivo, conseguido por Ljubomir Fejsa.

Até ao jogo de sexta-feira, o máximo de desarmes que um jogador dos “três grandes” tinha atingido, no campeonato, esta época, era seis. Um feito partilhado por Ricardo Pereira (vs. Tondela), Fábio Coentrão (vs. Vitória de Guimarães), Héctor Herrera (vs. Portimonense) e Danilo Pereira (vs. Sporting). Fejsa não só aumentou a fasquia para oito desarmes como ainda lhes somou cinco intercepções e oito recuperações de posse.

Nada disso seria relevante, caso a influência defensiva de Fejsa não tivesse resultados práticos… mas teve. Mais uma vez, também no Dragão o Benfica não sofreu golos com Fejsa em campo. Apesar de ter actuado em 770 minutos dos 1170 que o Benfica disputou na Liga NOS (66% do tempo), o sérvio só esteve em campo em três dos oito golos sofridos pelos “encarnados” na Liga NOS 17/18.

Esta é uma tendência que se verifica em toda a era Rui Vitória. Veja-se o tempo que a equipa do Benfica demora até sofrer um golo, com e sem o “camisola 5” em campo.

ÉpocaCom FejsaSem FejsaDiferença
2015/2016326 mins98 mins333%
2016/2017239 mins101 mins236%
2017/2018257 mins78 mins322%

Fonte: GoalPoint / Opta

Quando Fejsa não está “lá dentro”, o Benfica sofre sensivelmente três vezes mais golos do que quando ele está. Uma diferença quase inacreditável se levarmos em conta que muitas vezes o sérvio até é poupado nos jogos menos complicados.

Ainda considerando as últimas três épocas, Ljubomir Fejsa é mesmo o jogador que mais tempo demora até sofrer um golo entre todos os jogadores com um mínimo de 3.000 minutos de utilização.

GoalPoint-Ranking-Golos-Sofridos-infog
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Com ele, Rui Vitória sofre um golo de três em três jogos na Liga NOS, e no pólo oposto está precisamente um dos concorrentes para a sua posição: Andreas Samaris. O grego sofre um golo a cada 106 minutos quando está em campo, ou seja, 2,5 vezes mais que Fejsa.

Outros notáveis médios-defensivos do nosso campeonato também ficam bem longe dos 264 minutos por golo sofrido do “polvo”. William Carvalho vê um golo acontecer na sua baliza a cada 115 minutos, enquanto Danilo Pereira está com uma média de um golo sofrido a cada 124 minutos.

É caso para dizer que estas são provas irrefutáveis de que o “Polvo encarnado” existe mesmo, e que Rui Vitória “sérvio” frio.

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Hernâni Ribeiro
Formado em estatística e Data Scientist profissional. A paixão pelo futebol conjugada com a análise de dados vive-a também como administrador do portal foradejogo.net, após ter sido co-responsável do processo de pesquisa oficial portuguesa para o jogo Football Manager.