despachados que estão os “check-ups” de Porto e Sporting, é chegada a vez de conferirmos os números do campeão em título Benfica, protagonista de um arranque tudo menos calmo, na Liga e na Europa.

A cinco pontos do primeiro lugar e a um ponto do segundo, dará o Benfica razões para tamanho alarme? Para lá da subjectividade opinativa, olhamos os números, comparando-os com as médias finais do Benfica tetracampeão 2016/17. Eis os resultados.

“Águia” falha o que não falhava

GoalPoint-Check-up-Benfica-Liga-NOS-201718-J11
Clique para ampliar

Os números surpreenderão muitos. O Benfica arranca esta Liga a rematar mais, a fazê-lo com maior acerto com os postes e a marcar tantos golos por jogo como o fazia. Lá atrás sofre mais, mas a diferença não é pronunciada, sobretudo tendo em conta a instabilidade vivida na baliza dos “encarnados” no arranque (e cujos números têm expressão nas notas finais deste artigo). Pelo caminho o Benfica cria até mais ocasiões flagrantes de golo (vide definição no final do artigo), suplantando até os 2,5 criados pelo Sporting neste momento.

Onde falha então a “águia”? Aparentemente é no aproveitamento destas ocasiões flagrantes que o Benfica está muito diferente, para pior, caindo de um aproveitamento de 51% na época passada para 42% na Liga em curso, um registo inferior àquele com que qualquer dos rivais fechou a Liga 2016/17 (Porto o mais baixo, com 44%). O sinal vermelho é claro e, como veremos nas notas seguintes, o desperdício não está concentrado nos homens de área.

Fechamos com algumas notas/curiosidades soltas sobre o desempenho do Benfica à 11ª jornada:

    • O Benfica dispôs até agora de 33 ocasiões flagrantes de golo, desperdiçando 19. O líder do desperdício é Salvio, com seis ocasiões perdidas, o que resulta num aproveitamento de apenas 14% das situações claras de que usufruiu.
    • Jonas e Seferovic desperdiçaram três ocasiões flagrantes de golo cada mas enquanto o brasileiro leva um aproveitamento de 77%, o suíço fica-se pelos 50% (embora com menos 216 minutos jogados que o goleador-mor da Liga).
    • O Benfica conta com dois erros que resultaram directamente em golo do adversário. Ambos foram cometidos por Varela, o titular na baliza no arranque da Liga.
    • Jonas reclama 53 dos 186 remates realizados pelo Benfica. No que toca a enquadrados o brasileiro lidera também com 25, seguido de Salvio e Seferovic com 14.
    • A importância do veterano avançado brasileiro é total: Jonas lidera também em assistências para golo (3), seguido por Pizzi e Zivkovic, ambos com duas.
    • O jovem Svilar parece ter posto cobro à instabilidade vivida na baliza dos “encarnados” no arranque da época: leva uma eficácia de 80% de remates enquadrados travados, a um ponto percentual do registo de Rui Patrício e Casillas e ultrapassado apenas pelo outro titular tardio do FC Porto, José Sá, com 86% (mas menos remates enquadrados enfrentados, sete contra os dez do belga).

Mas afinal o que é uma ocasião flagrante?

A dúvida é talvez o motivo de discussão mais popular entre quem nos segue, e claramente a variável que mais vezes temos de definir no esclarecimento de dúvidas.

Importa então esclarecer que a definição de ocasião flagrante, com base no critério Opta (a nossa fonte estatística), compreende uma situação de remate na qual o rematador se encontra com apenas um adversário entre ele e o golo (qualquer frente-a-frente com o guarda-redes, por exemplo) ou mesmo nenhum (ex.: lance de Bryan Ruiz em Alvalade, no Sporting – Benfica da Liga 2015/16).

Ou seja, a classificação de um momento de jogo como ocasião flagrante depende do contexto posicional de jogador(es) e bola no seu início e não do seu desenvolvimento, execução ou desfecho (se o remate é muito violento, se a bola vai ao poste, se ressalta em alguém e quase entra, etc), factores que costumam definir, à posteriori, na memória do adepto de futebol, a “perigosidade” de um lance. É esta diferença que costuma confundir o adepto comum, que invariavelmente espera, por exemplo, que qualquer golo surja incluído na contabilidade de ocasiões flagrantes.