De Jogador do Ano a potencial suplente do Benfica. De cérebro de uma equipa que conquistou o tetracampeonato português, a alvo de críticas dos analistas e assobios dos adeptos. De jogador fundamental e de solução para um eventual problema. Esta é, para muitos, a descrição da época que Pizzi está a viver no Benfica. A equipa, em si, já foi descrita como estando em crise, fruto de exibições pobres, comprovadas, algumas, pela estatística, e de resultados confrangedores, como a goleada sofrida em Basileia (5-0).

Neste momento a equipa de Rui Vitória está a cinco pontos do líder FC Porto na Liga NOS, mas apenas a um do Sporting, segundo posicionado. Apesar de registar três vitórias consecutivas na prova, os sinais de pouca saúde futebolística do Benfica parecem ainda longe de totalmente dissipados, como comprovado pelo check-up que fizemos à equipa, e para muitos o rendimento anémico das “águias” tem correspondência no também pálido desempenho de um nome que, no passado, foi uma espécie de Atlas, com o peso inteiro de uma equipa às costas: Pizzi.

Mas será mesmo assim? Estará o brigantino a fazer uma temporada abaixo das expectativas? Se sim, será cansaço físico e/ou psicológico? Menor motivação? Vítima, ele sim, da menor qualidade que o colectivo apresenta? As perguntas são muitas, as respostas podem variar, mas os números dão algumas pistas interessantes sobre o momento do médio… e o ponto de viragem nas exibições do centrocampista.

GoalPoint-Pizzi-Benfica-Liga-NOS-201718-J11-infog
Clique para ampliar

Pizzi foi, na época passada, o Jogador do Ano GoalPoint e os números não deixaram grande margem para discussão. Numa temporada de “tetra”, o jogador terminou com o GoalPoint Rating mais elevado, um 6.79, reflexo de dez golos, oito assistências, o registo mais alto de passes certos na Liga NOS (2098), sendo ainda quem realizou mais passes para finalização (90) e acções com bola em toda a prova (3197) – teve uma influência ofensiva de 25%. Isto apesar de, no final de 2016/17, ter sido o segundo jogador mais utilizado das “águias”, com 2846 minutos. A dada altura falou-se, por isso mesmo, de “fadiga”, que o jogador podia sentir, mas que teimou em contrariar, como os números mostravam em Março de 2017. Certo é que a época terminou vitoriosa para os “encarnados” e o jogador teve ainda a recompensa de ser chamado à Selecção, para participar na Taça das Confederações.

O descanso terá sido, por isso, mais curto, mas será esse um motivo válido para uma quebra de rendimento? E será que essa quebra existiu? Olhando para os registos na infografia acima, podemos falar num Pizzi diferente do das épocas anteriores? Sim. Podemos falar num mau Pizzi? Não.

Neste momento, os números do brigantino não enganam e a sua influência esbate-se.

  • Aos dez golos que marcou em 2016/17 (a maioria na primeira metade da temporada), desta feita o jogador não regista nenhum e até o número de assistências a cada 90 minutos caiu ligeiramente – os dois passes que deram em golo aconteceram numa só jornada, na terceira.
  • O registo de ocasiões flagrantes criadas até aumentou (0,6 por cada 90 minutos), mas, no contexto geral, nota-se que Pizzi perdeu fulgor nos momentos ofensivos.
  • Menos passes para finalização, menos remates e uma eficácia de disparo que caiu abruptamente de 39% para 23%.
  • O médio regista também uma queda, não acentuada, diga-se, de interacções com bola por 90 minutos: de 101,1 para 95,2.

Contudo, noutros momentos de jogo, Pizzi não só tem mostrado qualidade como até regista melhoria no desempenho.

  • A eficácia de passe mantém-se mais ou menos num nível alto, com 83% de sucesso nas entregas, contra 84% na época passada
  • O número de perdas de posse aumentou ligeiramente, mas em linha com a temporada transacta.
  • Pizzi regista um aumento significativo na média de recuperações de posse a cada 90 minutos: 8,2 em comparação com os 6,8 de 2016/17.

Na próxima página: a evolução de Pizzi e o factor-Basileia

1
2
3
PARTILHAR
GoalPoint
A equipa GoalPoint procura trazer-lhe a melhor análise, estatística e opinião sobre o futebol português e internacional.