Pizzi não é o mesmo da época passada, como os números que mostrámos comprovam, mas não é legítimo afirmar que o jogador está a fazer uma má temporada, olhando para as estatísticas globais.

Para além de registar um GoalPoint Rating de 6.38 nesta fase, um valor bem elevado, Pizzi é quem mais passes realizou até ao momento  na Liga (667), aquele que regista o maior número de passes certos (554) e é o quarto com mais passes para finalização (22) e ocasiões flagrantes criadas (5).

Assim sendo, afinal o que se passa com o benfiquista?

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O gráfico acima mostra a evolução do desempenho do jogador ao longo das 11 jornadas já disputadas na Liga NOS, tendo por base o nosso rating, e ajuda a compreender o cenário global, mas também parcial.

Pizzi está, de facto, em quebra de forma. Após arrancar a época com uma distinção de MVP e um rating de 6.9, atingiu o pico à terceira jornada e, a partir daí, tem caído de forma consistente. O 4.6 na quarta ronda pode ter servido de sintoma, que não se confirmou de imediato, mas desde a oitava jornada que as exibições do médio têm sido regulares… pela mediania. E há um momento que parece ser o de viragem.

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Até à sétima jornada da Liga há um Pizzi, e há um outro daí para a frente, até à 11ª. As diferenças são avassaladoras, a começar pelos ratings. E eles reflectem realidades duras para o internacional português: em 184 minutos de Liga NOS a partir da oitava ronda, o médio não enquadrou um único remate, não concretizou um drible que seja, realizou somente um passe para finalização e falhou quase metade dos passes que tentou (!). As acções com bola desceram de 102 para 74 e, após a sétima ronda, Pizzi nunca mais fez um jogo completo.

Ponto de viragem? Basileia. Na Suíça, precisamente no espaço entre a jornada 7 e 8 da Liga NOS, o Benfica perdeu 5-0 e Pizzi foi o pior em campo, com um rating de 3.2, numa partida em que até um dos golos contrários saiu de um erro crasso do benfiquista. Se o leitor imaginar um traço no gráfico acima a separar a jornada 7 e a 8, e verificar os ratings do médio, ficará com uma imagem perfeita do caso.

O facto de ofensivamente apresentar um menor fulgor pode apontar uma menor frescura física – o mesmo sintoma havia sido notado, precisamente, por volta de Março deste ano. Mas pelo exposto, a confiança perdida após o descalabro de Basileia surge como um factor a não descurar. Verifica-se, assim, uma quebra consistente de performance de Pizzi, que sozinho deixou de conseguir carregar aos seus ombros toda uma equipa num esquema exigente de 4-4-2, por menor disponibilidade física do atleta – que foca mais o seu trabalho em tarefas de recuperação de bola, “poupando-se” a labor extra na frente -, mas certamente, e também, por questões psicológicas.

Na próxima página: Champions como motivação extra?

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