O “clássico” entre FC Porto e SL Benfica é já esta sexta-feira à noite. Um jogo grande, com efeito directo sobre a luta pelo título, do qual iremos olhar para alguns dos aspectos que estarão, certamente, em foco no confronto entre o primeiro e o terceiro classificado da Liga NOS. “O jogo será decidido nos detalhes”, ouve-se regularmente na véspera destes grandes jogos, e é precisamente os detalhes que vamos analisar. A começar por…

Bolas paradas

Muito se tem falado da utilização de bolas paradas como arma ofensiva por parte do FC Porto de Sérgio Conceição. Sendo a equipa que mais golos faz através destas situações de jogo na Liga dos Campeões (seis – 60% do total na competição), as rotinas do líder dos “dragões” têm estado nas bocas da Europa do futebol. No campeonato nacional os números (cinco golos, 16% do total) são de menor impacto já que, na maior parte das partidas, não há a uma dependência destes momentos, pelo simples facto de a equipa se superiorizar de forma clara aos adversários no jogo corrido. Um “clássico” é, no entanto, um “jogo de Champions” no que toca à preparação e valia do adversário.

Posto isto, é provável que Sérgio Conceição tenha rotinas planeadas para tirar o máximo partido destas situações. Se rotinas para surpreender o adversário já tendem a ter influência, ainda maior é quando num “onze” está quase sempre um excelente marcador de bolas paradas – a maioria dos 2,8 passes para finalização de Alex Telles vêm destes lances – e cinco jogadores muito fortes pelo ar. Marcano, Felipe (que vence uns incríveis 86% dos duelos aéreos ofensivos), Danilo, Aboubakar e Marega ou Soares. No Benfica, apenas os dois centrais e Fejsa se mostram bastante acima da média neste capítulo.

Percebemos então o porquê de o FC Porto vencer muito mais duelos aéreos ofensivos (58% contra 41%) e defensivos (68% para 60%) que o seu rival. Evitar as faltas, algo que este Benfica não tem conseguido, será o primeiro passo para os comandados de Rui Vitória afastarem este perigo – só Braga e Tondela fazem mais do que as 17,8 por jogo dos “encarnados”.

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A batalha do meio-campo

Com um início de época menos bom, Rui Vitória revolucionou recentemente o coração do jogo das “águias” com a inclusão de mais um homem no meio-campo nos últimos dois jogos do campeonato: Krovinovic. O que o croata oferece à equipa é um maior controlo da posse e segurança no corredor central: só Fejsa tem uma maior percentagem de passes certos que os 88% de Krovinovic e sabemos de antemão que os passes de Fejsa tendem a ser seguros, enquanto os do croata costumam a ajudar a equipa a progredir no terreno e a criar oportunidades.

Esperamos aqui também um FC Porto numa formação com três homens no meio-campo, com Sérgio Oliveira a ser o provável escolhido para juntar-se a Herrera e Danilo como tem acontecido na Liga dos Campeões e como sucedeu frente ao Sporting. Mas o português mais com a sua presença – que dá outra segurança defensiva aos colegas do lado esquerdo e liberdade a Herrera para pressionar – do que com bola. Na verdade, o FC Porto teve uma percentagem muito menor da posse nos quatro jogos de nível elevado (Liga dos Campeões + Sporting), partidas nas quais elegeu um terceiro médio.

Para Sérgio Conceição, um médio extra é sinónimo de maior estabilidade defensiva e foco em contra-ataques vigorosos. Com o Benfica já a superiorizar-se a nível de posse neste campeonato (média de 63% contra 58% do Porto), é previsível que sejam os homens de Lisboa a instigar um jogo de posse, com os nortenhos a procurarem um jogo mais directo com bola, pressionando alto sem esta.

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