Após realizarmos o “check-up” ao líder da Liga NOS 2016/17 (FC Porto), findo o primeiro terço de prova, chega agora a vez de levarmos o “leão” de Jorge Jesus ao laboratório, para perceber como a versão actual se diferencia no que toca ao desempenho apresentado na época passada.

Não são apenas os quatro pontos que separam o Sporting do Porto que diferenciam “leões” de “dragões” na época em curso. Ao contrário dos “azuis-e-brancos”, o Sporting manteve o treinador. E também em directa divergência do que sucedeu no Dragão, os “verde-e-brancos” registaram um defeso animado no que toca a entradas e saídas. Posto isto, o que caracteriza o desempenho leonino findas as primeiras 11 jornadas? Vamos aos números.

Leão pouco rematador mas concretizador

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Os sinais emitidos pelo Sporting de Jesus são consideravelmente menos uniformes do que os apresentados pelo Porto de Conceição. Se por um lado o Sporting está menos rematador do que nunca desde a chegada de Jorge Jesus, e nem sequer apresenta um índice de pontaria (remates enquadrados) digno de destaque, a verdade é que vai conseguindo concretizar ainda melhor os remates que realiza, face ao já positivo registo do ano passado, o que dá muito jeito na hora de perseguir um líder de prova que se apresenta em alta em praticamente todos os domínios.

Se há quem identifique um Sporting menos criativo neste arranque, com os números a mostrar um um Gelson menos disruptivo, a verdade é que o “leão” até apresenta um número médio de ocasiões flagrantes usufruídas (vide definição no final do artigo) acima da média do ano passado, embora as aproveite com bastante menos eficácia do que aquela com que fechou a Liga 2016/17.

Patrício em alta

Mas se há domínio em que o Sporting está claramente melhor é na hora de trancar o acesso às redes da sua baliza, e aí o mérito vai quase todo para Rui Patrício, que melhorou substancialmente a taxa de eficácia com que trava remates contrários, um tema que analisámos recentemente em detalhe.

O “leão” vai deixando, até ver, um sentimento “misto”: por um lado mais eficaz na concretização mas menos rematador, por outro a deixar fugir pontos importantes mas resguardado por um guardião em plena forma que tem aparecido em jogos decisivos para a classificação “verde-e-branca (ex: versus Porto, Rio Ave…).

Fechamos com algumas notas/curiosidades soltas sobre o emblema leonino à 11ª jornada:

    • Bruno Fernandes é o “leão” mais rematador (25 disparos), seguido de Bas Dost (20), isto mesmo tendo menos minutos que o holandês (832 vs. 980)
    • O médio “bombista” é também o “leão” com mais remates enquadrados (12), mas apenas mais um que Dost. Ambos são os únicos no plantel com mais (ou sequer perto) de dez disparos enquadrados.
    • O argentino Acuña é o maior criador de ocasiões flagrantes nos “leões” (4), seguido de Gelson (3). Depois surge um conjunto de quatro nomes, todos com duas ocasiões claras de golo criadas.
    • Bas Dost é, sem surpresa, o “leão” que dispõe de mais ocasiões flagrantes para marcar. Foram 12, sendo que o holandês aproveitou precisamente metade. A seguir surge Gelson, com cinco situações de golo iminente, mas o extremo apenas aproveitou duas. No plano negativo aparece Podence: o promissor avançado já esteve cara-a-cara com o golo em três ocasiões, todas desperdiçadas.
    • Rui Patrício já enfrentou 37 remates enquadrados na Liga , parando com sucesso 81% desses disparos. O campeão europeu tem assim o melhor registo de eficácia da Liga, a par de Casillas, mas o espanhol enfrentou apenas 16 remates enquadrados até perder a titularidade.
    • Piccini, Mathieu e Coentrão são os únicos “leões” que somaram erros resultantes em remates, um cada, mas o erro do português resultou em golo sofrido (frente ao Moreirense).

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Mas afinal o que é uma ocasião flagrante?

A dúvida é talvez o motivo de discussão mais popular entre quem nos segue, e claramente a variável que mais vezes temos de definir no esclarecimento de dúvidas.

Importa então esclarecer que a definição de ocasião flagrante, com base no critério Opta (a nossa fonte estatística), compreende uma situação de remate na qual o rematador se encontra com apenas um adversário entre ele e o golo (qualquer frente-a-frente com o guarda-redes, por exemplo) ou mesmo nenhum (ex.: lance de Bryan Ruiz em Alvalade, no Sporting – Benfica da Liga 2015/16).

Ou seja, a classificação de um momento de jogo como ocasião flagrante depende do contexto posicional de jogador(es) e bola no seu início e não do seu desenvolvimento, execução ou desfecho (se o remate é muito violento, se a bola vai ao poste, se ressalta em alguém e quase entra, etc), factores que costumam definir, à posteriori, na memória do adepto de futebol, a “perigosidade” de um lance. É esta diferença que costuma confundir o adepto comum, que invariavelmente espera, por exemplo, que qualquer golo surja incluído na contabilidade de ocasiões flagrantes.