Sporting 0 – Chelsea 1: Patrício magistral merece outro destino

Sporting resistiu ao Chelsea sob a liderança de Rui Patrício cuja exibição merecia desfecho mais feliz.

A exibição de Patrício fez Mourinho saltar do banco para felicitar o guarda-redes no final da partida (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
A exibição de Patrício fez Mourinho saltar do banco para felicitar o guarda-redes no final da partida (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O regresso da Liga dos Campeões a Alvalade prometia dificuldades mas também espectáculo, perante a dimensão do adversário. Dimensão essa que, no entanto, não levou Marco Silva a mudar o figurino que havia apresentado uns dias antes, frente ao FC Porto. Figurino que viria a alterar apenas aos 81 minutos com a troca de um médio (Adrien) por um avançado (Montero), confirmando a ideia de que o treinador leonino poderá ter defeitos mas entre eles não parece encontrar-se a falta de atrevimento e ambição.

Patrício contra o Mundo

O início do jogo cedo demonstrava que qualquer esperança de que a turma de José Mourinho (disposta no 4x2x3x1 habitual) viesse a Lisboa com menos intensidade do que que vai apresentando na Premier League era infundada. Aos dois minutos Diego Costa dava início a um contexto que se viria a repetir por diversas vezes ao longo da partida: isolado, frente a Rui Patrício e encontrando no guardião português uma muralha quase intransponível e que foi mantendo a sua equipa sempre em jogo. Os protagonistas “blues” foram mudando mas o figurino mantinha-se, demonstrando as fragilidades defensivas dos “leões” mas revelando um guardião de Liga dos Campeões na baliza leonina. Foram sete as vezes que Rui Patrício evitou o golo dos líderes da Liga inglesa, uma delas com um alívio aos pés de Salah. Enorme exibição do guardião leonino, em linha com o que vem fazendo desde o arranque da época.

Matic quebrou a inspiração

No fim de uma primeira parte de marcado domínio “blue” os “leões” haviam rematado apenas por quatro vezes à baliza adversária, contra oito disparos na direcção de Rui Patrício. Matic venceu a resistência defensiva dos anfitriões aos 34 minutos (a passe de Fàbregas), após quatro grandes ocasiões (duas delas com origem em erros defensivos “verde-e-brancos”). No final da primeira parte entre os londrinos sobressaía a falta de eficácia de Schurle: em quatro remates havia enquadrado três mas sem conseguir qualquer golo, protagonizando inclusive o falhanço mais evidente do Chelsea em toda a partida. O Sporting não mais viria a recuperar o resultado, mas os “leões” teriam ainda uma palavra a dizer na segunda parte.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

João Mário volta a confirmar

Aos 47 minutos Nani disparava de longe, mas com perigo, à baliza de Courtois, dando início a uma postura mais ambiciosa do Sporting. O extremo leonino viria aliás a ser o mais rematador (cinco disparos) embora com total desacerto (zero remates enquadrados). Mas não esteve sozinho. Jonathan Silva, o lateral que já havia estado em destaque nas últimas duas jornadas da Liga, foi o maior fornecedor de passes e cruzamentos para ocasião de golo (três), seguido por João Mário que mais uma vez correspondeu positivamente (sobretudo na segunda parte) às exigências da titularidade: foi o segundo “leão” em campo a efectuar mais passes (39) e o mais eficaz a distribuir (com uma expressiva eficácia de 95%). Não tivesse Rui Patrício “roubado o espectáculo” pelos “leões” e o jovem médio seria o maior destaque da equipa, e com inteira justiça.

O Sporting terminaria a segunda parte com 11 remates contra sete do Chelsea, o que demonstra a diferente atitude leonina no segundo tempo. A maior agressividade ofensiva dos “verde-e-brancos” teria consequências, com mais duas ocasiões do Chelsea às quais Patrício correspondeu com a qualidade que a essa altura do jogo já não surpreendia.

O soar do apito final revelou os números finais de um jogo disputado (46% vs. 54% de posse de bola, 15 remates para cada lado) com os “leões” a ficarem a um passo de dar sequência feliz à segurança oferecida por Patrício,  confirmando a matriz característica do Sporting de Marco Silva: um “leão” produtivo ofensivamente (ainda que pouco eficaz) mas sempre à mercê de um eixo defensivo frágil.