FC Porto: O “Dragão” piorou nas laterais?

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De forma mais ou menos consensual era entendimento que o FC Porto possuía, em 2014/15, a melhor dupla de laterais da Liga portuguesa. Danilo e Alex Sandro dominavam por completo as faixas direita e esquerda dos “azuis-e-brancos”, ao ponto de serem duas das mais influentes peças da manobra da equipa – e tanta falta fizeram ao Porto na goleada sofrida em Munique, como oportunamente sublinhámos através da análise dos respectivos desempenhos.

Danilo rumou ao Real Madrid, Alex Sandro à Juventus. Será que o FC Porto ficou pior nas laterais defensivas? Será que Maxi Pereira e Miguel Layún fizeram esquecer a dupla brasileira? Olhámos os números do quarteto de atletas na Liga portuguesa 2014/15 e Liga NOS 2015/16 e deparámo-nos com algumas conclusões interessantes. A mais imediata é que as faixas laterais ficaram diferentes… muito diferentes.

O FC Porto piorou nas laterais?
Clique na infografia para ampliar (infografia: GoalPoint)

Menor eficácia a defender

Muitos são os que privilegiam os laterais ofensivos, que ajudam no processo atacante das equipas. Mas a primordial tarefa de um lateral é defender. E aí, no cômputo geral, o FC Porto ficou, até ver, a perder com a saída dos dois brasileiros. Danilo, por exemplo, ganhou 68,8% de duelos individuais em 2014/15, Maxi “apenas” 51,7% até ao momento na presente temporada (Alex Sandro 58,1%, Layún 50%); mas também teve sucesso em 79,4% dos desarmes que tentou, para 69,2% do uruguaio, e realizou 4,1 intercepções a cada 90 minutos, contra 1,8 de Maxi.

As diferenças a nível defensivo notam-se mais do lado direito, sendo para já de fácil conclusão que Maxi ainda não conseguiu fazer esquecer Danilo no que toca a evitar os ataques contrários. Do lado esquerdo a questão não é tão notória, pois Layún consegue ter mesmo melhor percentagem de desarmes ganhos (82,4%) do que Alex Sandro (80,4%), embora neste caso não por debilidade do brasileiro, mas por extrema eficácia do mexicano.

Ainda é cedo para aquilatar das diferenças quando olhamos para as mais directas acções ofensivas. Danilo, é certo, fez seis golos na época passada e Maxi ainda não facturou na Liga NOS, mas Alex Sandro também só fez um golo em 2014/15 e Layún já vai em dois, pelo que ainda muito pode mudar nesta estatística. Não é, contudo, de ignorar um outro vector: os remates enquadrados. Danilo e Alex Sandro registaram 46,2% e 80% de remates enquadrados, respectivamente, ao longo de toda a época transacta na Liga, enquanto Maxi (ainda sem disparos à baliza) e Miguel Layún (28,6%) estão muito aquém neste capítulo. Mas então, qual a mais-valia que os dois actuais laterais trazem à equipa de Lopetegui?

Exímios a servir

Paradoxalmente, Maxi e Layún vieram dar um ímpeto grande nos momentos ofensivos da sua equipa. Onde? Na altura de servir os companheiros. Para além de melhores nos passes para ocasião – 1,8 por cada 90 minutos de Maxi e 2,4 de Layún, contra 1,1 e 0,9 dos brasileiros -, os dois actuais laterais conseguiram transformar muitos desses passes para ocasião em golos. Tanto o uruguaio quanto o mexicano somam já, à 13ª jornada, cinco assistências cada um, facto ainda mais relevante se considerarmos que a dupla brasileira não foi além das três assistências no total da época passada. E é aqui que reside a grande diferença.

Um ponto relevante é a ligeira melhoria na eficácia de cruzamento. Apesar de Danilo quase alcançar a eficácia de Maxi a verdade é que no somatório das duas duplas os “dragões” ficaram claramente a ganhar neste capítulo quando antes já estavam bem servidos, se considerarmos que a partir dos 20% falamos de um bom registo e apenas Alex Sandro se situava abaixo dessa fronteira.

Ao olhar para o peso que Maxi e Layún têm nos golos da equipa – ou seja, a soma de golos e assistências na relação com o total de tentos do FC Porto -, essa diferença chega mesmo a surpreender. Os dois contribuíram directa e indirectamente para 44% dos golos dos “dragões” esta temporada (12 de 27), enquanto Danilo e Alex Sandro participaram em apenas 14% em 2015/16, fruto de sete golos e três assistências.

Não gostamos de “ses” nas nossas análises, como poderá já ter aferido pela nossa abordagem ao futebol, mas olhando para os passes para ocasião e assistências de Maxi e Layún, não será fácil imaginar que este peso seria talvez maior caso os portistas ainda tivessem Jackson Martínez nas suas fileiras.

GoalPoint Ratings aproxima Layún de Danilo

O mexicano Miguel Layún tem sido uma das agradáveis surpresas do campeonato. Ao olhar para a pontuação média do lateral-esquerdo no GoalPoint Ratings, Layún soma 6.18 e é, nesta altura, o melhor lateral da Liga NOS. Está muito perto, aliás, de Danilo, que pelos desempenhos em 2014/15 somou 6.20 e foi, por este parâmetro, o melhor lateral e o segundo melhor jogador do anterior campeonato. Longe estão Maxi (5.60) e Alex Sandro (6.01).

Em jeito de conclusão fica a ideia de que a defender o FC Porto ficou mais fraco esta época, mas ganhou uma força tremenda a construir lances de perigo e golos. Se na relação entre Danilo e Maxi, o uruguaio parece ser o elo mais fraco, já Layún parece ter feito esquecer Alex Sandro.

Pedro Tudela
Pedro Tudela
Profissional freelancer com 19 anos de carreira no jornalismo desportivo, colaborou, entre outros media nacionais, com A Bola e o UEFA.com.
GoalPoint

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