O SL Benfica iniciou na madrugada de sábado para domingo a sua “campanha” americana na International Champions Cup (confira o calendário e transmissões aqui) com uma derrota tangencial frente ao Paris Saint-Germain (2-3). As “águias” defrontarão ainda a Fiorentina, NY Red Bulls e Club América no âmbito deste prestigiado (e financeiramente proveitoso) torneio. Antes de regressar a “águia” visita ainda o Monterrey, no México (onde já estará após defrontar o América), para realizar um último jogo, no dia 2 de Agosto. Findo o périplo os campeões nacionais regressam (apressadamente) a Portugal para preparar a Supertaça frente ao Sporting CP, que ocorre no dia 9. Após ler este parágrafo o leitor terá já percebido o porquê do título deste artigo.

Mais do que o grau de dificuldade dos adversários (o Benfica acaba por evitar “tubarões” bem mais ameaçadores, inscritos nesta competição), o risco desta digressão reside sobretudo nos cerca de 20.000Km que a equipa irá percorrer, bem como a previsão de uma chegada a Portugal em cima de um jogo tido como muito importante, não só por surgir associado ao primeiro troféu oficial mas também por todo o simbolismo inerente à “novela Jesus”.

Segundo a imprensa, o Benfica arrecada com a participação na Champions Cup e visita a Monterrey cerca de 3,5 milhões de euros, uma verba raramente amealhada por um clube português em pré-temporada. Resta saber se o benefício financeiro compensa o eventual risco desportivo inerente a um arranque de época titubeante que possa decorrer de tão intenso calendário.

É certo que clubes como Madrid, United e Barcelona surgem como bons exemplos de equipas que, participando habitualmente em digressões deste tipo, não hipotecam necessariamente o seu desempenho, embora as repetidas queixas de Van Gaal para com a prova (no ano passado) e os relvados (este ano) demonstrem que até os “gigantes” percebem os malefícios destas “visitas”. Mas a verdade é que nenhum clube português, nem mesmo o Benfica, apresenta um plantel capaz de lidar com os riscos inerentes, como possuem os “gigantes” do futebol europeu.

A distribuição de jogos realizados (cinco) também não será “amiga” do trabalho de Rui Vitória, não tanto pela quantidade (a jogar também se solidificam modelos de jogo) mas sobretudo pela distribuição geográfica dos duelos, que representa muito tempo perdido em aviões e autocarros, que seria certamente mais bem aplicado, aos olhos do treinador, no treino e em descanso.

Mas nem tudo são contrariedades. Umacampanha positiva poderá constituir um tónico moralizador para o grupo e a verdade é que, até ver, a “nova águia” é bastante semelhante ao “velho” e campeão Benfica não se prevendo que venha a perder jogadores nucleares até ao embate da Supertaça. A ausência de reforços que claramente ganham lugar no onze “encarnado” pode ser visto com apreensão por parte dos adeptos mas no que toca ao trabalho de Rui Vitória a coisa sai facilitada, pois confirmando-se a mesma estrutura…. basta não “estragar” e, nesse contexto, os riscos da digressão são mitigados.