Análise: A insónia de Jorge Jesus

O treinador do Benfica lamentou-se da longa ausência de Rúben Amorim, um jogador que esteve em grande nas épocas em que Jorge Jesus foi campeão.

A lesão de Amorim pode colocar problemas a Jesus (foto: J. Trindade)
A lesão de Amorim pode colocar problemas a Jesus (foto: J. Trindade)

O treinador do Benfica, Jorge Jesus, disse há dias que a lesão (grave) de Rúben Amorim lhe tirou o sono. Já no início de 2011/12, o treinador das “águias” havia afirmado, em relação às constantes lesões que restringiram bastante a utilização do médio na época anterior: “O Rúben fez-me muita falta.” Não é hábito Jorge Jesus dramatizar desta forma, basta recordar o caso do “Manel” para o lugar de Matic. O problema aqui vai mais fundo do que uma simples alternativa… são logo quatro. A matemática futebolística não funciona bem assim, mas se juntarmos a esta “conta” os jogadores que o técnico perdeu neste arranque de época, o cenário é, de facto, digno de tirar o sono.

“É um joker. Pode actuar a ‘10’, ‘8’, médio-defensivo ou a lateral e joga sempre bem. É um jogador muito importante”, explicou. Pois sim, com a lesão de Fejsa, as saídas de André Gomes, Rodrigo, Cardozo, Markovic, Garay, Oblak – embora a maioria seja de outras posições no terreno –, no fundo Jorge Jesus perdeu mais um dos jogadores importantes da época passada, que vale mais do que um, certamente, pela sua polivalência. Tem toda a razão para perder o sono, pois trata-se de um dos atletas mais fiáveis que tem à sua disposição. O histórico de Jorge Jesus mostra, por coincidência ou não, que o sucesso do treinador está de certa forma ligado ao que Amorim tem feito no Benfica.

Nas cinco épocas anteriores de Jesus, o treinador apenas foi campeão nas duas em que Rúben Amorim esteve no Benfica e em pleno da sua forma, dando opções tácticas e de rotação do plantel nas diversas frentes. Aconteceu logo na primeira época, 2009/10, e na última, 2013/14 (ganhou 88% dos jogos em que participou, em ambas), apesar de nesta Amorim ter sido mais utilizado noutras competições que não a Liga. Em 2010/11 o médio esteve quase sempre lesionado (nos joelhos), efectuando apenas 12 partidas na Liga); em 2011/12 esteve metade da temporada na Luz e outra metade em Braga, passando 2012/13 nos “arsenalistas”. Estas três épocas coincidiram com a perda do campeonato para o Porto, notando-se na equipa desgaste natural e falta de alternativas consistentes aos “onzes”. Em 2013/14 Jesus contou com um Rúben Amorim em grande sempre que foi chamado, pelo que pôde rodar o plantel e poupar jogadores.

Mais de meia época sem o internacional português vai trazer, certamente, dores de cabeça ao técnico, a não ser que Andreas Samaris e Bryan Cristante correspondam na totalidade às expectativas.

Amorim na era Jorge Jesus