A Liga 19/20 em 25 tops individuais 🔥

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O futebol português 19/20 terminou e os nossos balanços exclusivos para lá caminham, ou não tivéssemos ainda a história das competições europeias a contar, ao longo deste mês, e uma temporada 20/21 já à porta, fruto das circunstâncias atípicas que farão desta uma época inesquecível, por boas e más razões. Após darmos a conhecer os 33 melhores GoalPoint Ratings e os três prémios individuais GoalPoint essenciais, fechamos o ciclo Liga NOS com os habituais tops individuais, muitos deles com protagonistas imprevistos e não identificáveis a olho nu, ou seja, sem recurso aos dados que trabalhamos. Avancemos então sem mais demoras e reduzindo o nosso “paleio” ao essencial.

Reis entre os postes

Superioridade aérea

  • Curiosamente, nenhum jogador presente no top-5 individual de maior número de duelos aéreos ganhos numa só partida consta destes tops.
  • O jogador que venceu mais duelos aéreos num só jogo foi Gabriel Pires (Benfica), com 18, na recepção “encarnada” ao Aves, seguido por João Palhinha (Braga) com 15 e Ronan David (Tondela) com 14, estes dois últimos com a curiosidade de terem atingido os seus máximos frente à mesma equipa: o Boavista desse sim presente Nikola Stojiljkovic.
  • No top de duelos aéreos defensivos apenas o pacense Mohamed Diaby marca presença repetida, face à análise no final da 1ª volta. Já no que toca aos duelos defensivos todos são repetentes com excepção de Hackman (Portimonense), que ocupou a vaga de Zé Luís (Porto).
  • O pacense Douglas Tanque é merecedor de destaque especial pelo significativo salto de desempenho que deu na segunda volta: de 2,8 duelos aéreos ganhos por 90m nas primeiras 17 jornadas explodiu para os 4,7 com que encabeça o seu top, finda a Liga.

Anulando as ambições do adversário

  • Henrique Gomes (Gil Vicente) foi o jogador que somou mais desarmes num só jogo (10), frente ao Paços. Entre os vários jogadores com nove surgem os portistas Otávio e Corona, facto que representa de forma perfeita o facto de o campeão nacional ter sido a equipa a permitir menos metros de progressão com bola após perder a posse, na prova.
  • Fábio Pacheco, outrora vítima da ignorância dos dirigentes e da “toxicidade” do futebol luso, faz agora vítimas com a qualidade e recorrência das suas acções defensivas. Para lá de constar em dois tops é um dos jogadores com o segundo melhor registo de desarmes num só jogo (nove, frente ao Portimonense).
  • Artur Jorge não deu hipótese no ranking de alívios defensivos, terminando na liderança do mesmo top que já encabeçava a meio da temporada. O facto de a ele se somar Jubal Jr no mesmo top explica muito de como o Vitória de Setúbal conseguiu segurar a manutenção (desportivamente).
  • Nem o Benfica nem Adel Taarabt terminaram a época em alta, mas o marroquino fecha a Liga liderando em recuperações de posse no terço intermédio, ultrapassando Mohamed Diaby, que liderava o top no final da primeira volta.

Pautando o jogo

  • Filipe Augusto pode ter falhado no Benfica, mas no Rio Ave é peça-chave na hora de pautar o jogo vilacondense. Terminar à cabeça dos rankings de jogadores com mais acções com bola e passes eficazes por 90 minutos não é para todos, sendo que aumentou a sua cadência de cerca de 88 acções (no final da primeira volta) para as 92, finda a prova.
  • Fixe o nome Nuno Sequeira (Braga). Vai vê-lo mais à frente, assim como o viu tantas vezes em tops e equipas da semana nos últimos anos. O Braga conta com um lateral-esquerdo de grande qualidade desde 2017 (destacado por nós ainda no Nacional) e mesmo que os entendidos não reparem nisso, os analytics não esquecem, sendo assim natural que o “guerreiro” seja o segundo melhor lateral GoalPoint Ratings da Liga.
  • A importância do final de carreira abrupto de Jérémy Mathieu fica bem expresso no seu terceiro lugar no top de passes eficazes. Era nos pés do francês que os “leões” invariavelmente começavam a construir o seu jogo, sendo natural que procurem agora um central que possa assumir esse papel.
  • O preço que Julian Weigl traz às costas, somado ao facto de ter entrado na fase descendente do desempenho colectivo “encarnado”, não ajuda à paz de espírito do alemão, mas ainda assim este termina com uma nota de esperança, ao fechar a Liga com a melhor eficácia de passe a longa distância.

Os desequilibradores

  • Após anos de monopólio “Brahimista” nos rankings de drible, eis que fomos surpreendidos, esta época, por Marcus Edwards (Vitória de Guimarães), o Jogador Revelação GoalPoint da Liga. Pena é que o endiabrado inglês muito provavelmente não fique por cá para cimentar o seu domínio. Foram três os jogos da Liga em que um jogador conseguiu completar com sucesso oito dribles (sempre pelo lado direito) e dois foram de Marcus, frente a Marítimo e Portimonense.
  • O desequilíbrio expressa-se de muitas formas e uma delas passa pela conquista de faltas no último terço, que por sua vez permitem a cobrança de bolas paradas perigosas. Mais uma vez Edwards destaca-se, embora nesse ranking o topo vá para o iraniano Taremi (Rio Ave).
  • Otávio Monteiro, o melhor rating do campeão com mais de 1530 minutos jogados, volta a evidenciar-se, precisamente na conquista de faltas nas imediações da área adversária. Após a forma como o Porto castigou o Benfica no final da Taça de Portugal, tão fresca na nossa memória, não precisamos reforçar a importância deste mérito, pois não?

Ninguém “esticou o jogo” como eles

  • Seja pela qualidade do drible, pela velocidade (de corrida, execução ou raciocínio) ou pela inteligência no posicionamento, estes foram os homens que mais metros progrediram com bola, em média, a cada 90 minutos de Liga NOS.
  • Se voltamos a ver Marcus Edwards num top, desta feita destacamos Francisco Trincão, o melhor GoalPoint Rating da Liga 19/20 com mais de 1530 minutos. Ainda o vamos ver mais à frente, e assim perceber (se dúvidas ainda houvesse) do porquê de já estar de abalada para a La Liga.
  • A segunda volta do Vitória Setúbal pode não ter permitido a Brian Mansilla (Vitória FC) segurar a liderança no top de dribles eficazes com que chegou a meio da prova, mas o argentino confirma-se como um dos destaques da Liga, como solução primordial no fundamental “esticar de jogo” do contra-ataque sadino, na luta pela manutenção.

Perigo servido numa bandeja

  • A preponderância do Jogador do Ano GoalPoint da Liga (Pizzi) não surpreende, na hora de medir a oferta de situações de remates aos colegas, pelo que o destaque vai sobretudo para homens como Bruno Tabata, Otávio Monteiro, Carlos Mané e Nuno Sequeira (nós avisámos) que, menos reconhecidos “a olho”, acumulam passes com potencial para se converterem em assistências, nem sempre aproveitadas da melhor forma pelos colegas.
  • Numa disciplina (passe para finalização) que perdeu um dos seus principais protagonistas a meio da época (Bruno Fernandes), o vilacondense Nuno Santos foi o único a conseguir igualar o recorde de passes-chave num só jogo (oito, frente ao Braga), recorde esse repetido duas vezes pelo já referido Bruno, antes de partir.
  • Nuno Sequeira (Braga) e Nuno Santos são os únicos nomes que se mantém no top de cruzamentos eficazes face à primeira volta.

Os líderes do perigo esperado

Ver o rei das assistências da Liga (Pizzi) liderar o ranking de assistências por 90 minutos é tudo menos surpreendente, pelo que interessante mesmo é perceber que jogadores se destacaram pela perigosidade das ocasiões de golo que ofereceram, através do passe, e aí Trincão, Carlos Mané, Tabata e Lincoln são nomes a anotar, pois, com excepção talvez do internacional olímpico brasileiro do Portimonense, não mereceram a atenção mediática proporcional ao perigo que criaram.

Rematadores e goleadores

  • Curiosamente o homem com mais tiros num só jogo não consta no top de remates. Falamos de Ricardo Horta (Braga), que somou nove disparos frente ao Belenenses. Pizzi (Benfica) e Paulinho (Braga) fecham o pódio deste recorde, com oito disparos frente a Aves e Tondela, respectivamente.
  • O mesmo sucede no que toca aos disparos enquadrados com a baliza. Toni Martínez (Famalicão) e Moussa Marega (Porto) foram os jogadores a somar mais remates na direcção da baliza num só jogo, frente a Rio Ave e Vitória de Guimarães.
  • Ainda que os pés sejam a “arma” mais recorrente, são vários os jogadores que fazem do remate de cabeça uma preferência e equilibram-se: Danilo Pereira (Porto), Bruno Moreira (Rio Ave), Paulinho (Braga, duas vezes) e Aderllan Santos (Rio Ave) são todos jogadores que partilham o feito de terem cabeceado à baliza adversária cinco vezes num só jogo, na Liga 19/20.
  • A corrida ao título de melhor marcador pode ter sido ao mesmo tempo renhida e económica (no número de golos obtidos), mas o aproveitamento que Carlos Vinícius (Benfica) fez dos minutos de que dispôs para agitar as redes não deixa dúvidas sobre a justiça do prémio que lhe foi entregue.

Os golos que esperámos não são os mesmos que vimos (e isso muitas vezes é bom)

  • Vinícius e Taremi terminaram a Liga com 18 golos e, na análise da perigosidade dos lances que protagonizaram, também registaram precisamente a mesma média de Expected Goals. Diferença? O brasileiro marcou os seus golos em menos 552 minutos jogados que o iraniano.
  • O ranking que estabelece o diferencial entre os golos marcados e os esperados para cada jogador acaba por ser ainda mais interessante, destacando os verdadeiros “overachievers” desta Liga, neste plano, encabeçados por João Carlos Teixeira: dos oito golos marcados pelo vitoriano, quatro foram um bónus, com o total de situações de que beneficiou a justificarem apenas outros quatro golos, em condições normais.

E assim se conclui a cobertura GoalPoint da Liga 19/20.
Estivemos em cima de cada passe, cada drible, cada rating e cada jogo da prova, como sempre desde 2014.
Obrigado por nos acompanhar, aí desse lado.

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