Quem descobriu a GoalPoint em tempos mais recentes, em particular através do artigo em que destacámos Bas Dost como o melhor GoalPoint Rating da primeira volta da Liga NOS, poderá ter sido levado a dizer uma frase relativamente popular entre aqueles que se cruzam com a análise estatística aplicada ao Futebol pela primeira vez: “a estatística vale o que vale”.

A conclusão será precipitada, como o é invariavelmente, mas não infundada, tal é a “quebra” de desempenho protagonizada pelo avançado leonino desde essa eleição, ao ponto de a tornar subitamente… estranha. Mas os números não definem a realidade, apenas a expressam, e a mesma coloca o avançado holandês numa quebra a pique que não se resume apenas aos golos que deixou de marcar.

Olhemos então os números fundamentais do Bas Dost na primeira volta (da 1ª à 17ª jornada), lado a lado com o seu desempenho entre a 18ª e a 26ª ronda da Liga.

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Deixando de lado o óbvio (o holandês marcou apenas quatro golos nas últimas nove chamadas, apenas dois se descontarmos grandes penalidades), existem outros factores que apontam para uma quebra que não se cinge à sua capacidade goleadora.

  • Dost remata com a mesma cadência (até ligeiramente superior), com um acerto semelhante (este marginalmente inferior), no que toca ao número de disparos totais e enquadrados que oferece a cada jogo.
  • Nas últimas oito partidas da Liga, Dost concretizou apenas uma das seis ocasiões flagrantes de que dispôs. O registo não é melhor do que o que o que protagonizou na primeira volta, em números absolutos, mas acaba por representar uma quebra de aproveitamento, visto que nas primeiras 17 tondas Dost apenas beneficiou de quatro ocasiões flagrantes de golo (sem contar com grandes penalidades). No total, o holandês concretizou apenas duas das dez situações claras de golo de que dispôs na Liga.
  • Para lá do golo, um Dost em forma é sinónimo de um jogador que não só disputa como vence uma grande quantidade de duelos aéreos. Disputando aproximadamente o mesmo número de duelos ofensivos pelo ar (cerca de oito a cada 90 minutos), o holandês vence apenas 43% desses lances, contra os 60% com que fechou a primeira volta.
  • Os últimos nove jogos mostram também um Dost em acentuada quebra no apoio defensivo, um factor que distinguia, pela positiva, a sua primeira volta. Das quase três acções defensivas somadas a cada 90 minutos, caiu para uma a cada… 180 minutos, com particular incidência nas que somava nos terços defensivo e intermédio.
  • Dost passou das cerca de oito perdas de posse por 90 minutos para as nove, um factor que ganha ainda mais peso se tivermos em conta que a sua participação no jogo leonino caiu de uma média de cerca de 30 acções com bola para as 26, a cada partida completa.

Questões físicas? Quebra psicológica? Consequências do menor fulgor produtivo colectivo dos “leões” desde Janeiro? As explicações para o momento de forma de Bas Dost poderão ser muitas e até complementares.

A verdade é que o avançado já conheceu outros períodos de seca e este, actualmente em quatro jogos, nem é o seu maior: Dost já havia estado cinco partidas sem marcar em Janeiro (para todas as competições) e até remete para a época passada o seu maior período de divórcio do golo desde que está em Alvalade, de seis jogos. Mas golos à parte, importa destacar que a quebra do holandês afecta outras variantes do seu jogo, o que pode ajudar a quem de direito a melhor identificar as causas para que o mais produtivo jogador da primeira volta seja agora um atleta a viver uma “crise de desempenho”.