O Porto bateu a Roma por 3-1 no prolongamento, no Estádio do Dragão, rumo aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Um resultado que, escrevemos na altura, assenta que nem uma luva ao que se passou no jogo, dada a superioridade portista em praticamente todo o encontro. Os ventos de incredulidade, através dos mais variados argumentos, que chegam de Itália têm a fragilidade de esbarrar na realidade do que aconteceu esta quarta-feira. Os números do triunfo portista não mentem quanto à justeza do desfecho e diversas estatísticas do encontro aproximam-se dos máximos da época na competição, num conjunto de valores atípicos até pelo próprio contexto de um encontro de uma eliminatória a duas mãos. Mesmo tendo a partida registado um prolongamento, nem por isso o trabalho “azul-e-branco” antes e durante os 30 minutos adicionais deixa de quantificar uma noite com muito “fogo de dragão”.

Segunda equipa com mais remates

O FC Porto terminou o jogo com 31 remates, apenas atrás dos 34 que o Paris Saint-Germain fez em casa frente ao Estrela Vermelha, na fase de grupos. No final dos 90 minutos regulamentares já os “dragões” registavam 26 disparos. Só Tiquinho Soares (6), Moussa Marega e Danilo Pereira (4 cada) contribuíram com 14.

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Ataque com cabeça

Somente Real Madrid (ante o CSKA de Moscovo) e a Juventus (frente ao Young Boys), com oito, em jogos fora de casa, registaram mais remates de cabeça que o Porto (7) – número igualado por Benfica e Inter, em casa contra o AEK e PSV, respectivamente. Soares, com dois, foi quem mais utilizou este expediente, embora o seu golo tenha sido apontado com o pé direito.

À procura de Soares?

Se o Porto rematou muito de cabeça, se Soares foi quem mais tentou o gesto, não espanta o elevado número de cruzamentos realizados pelos portistas. Ao todo foram 28 cruzamentos de bola corrida, sendo que apenas três equipas fizerem mais até ao momento num só desafio – Tottenham (37), Inter (33) e Real Madrid (32). Ao intervalo já a formação portuguesa registava 12.

Facilidade em entrar na grande área

Ao intervalo alertávamos para o facto de o Porto, com 11 remates, ter realizado apenas três dentro da grande área. O cenário mudou radicalmente no segundo tempo, com 12 disparos nessa zona do terreno até ao minuto 90 e mais quatro no prolongamento. Ao todo foram 19 os “tiros” portistas na área, para mal dos “pecados” de Robin Olsen. Ainda que longe dos 27 remates do PSG nesta zona, no tal jogo com o Estrela Vermelha, a verdade é que os números finais colocam o Porto no quarto lugar desta variável.

Como referimos anteriormente, oito dos 11 remates portistas no primeiro tempo aconteceram de fora da área, número que aumentou para 12 até final do encontro. Só houve mais três jogos com tantos disparos de longa distância por parte de uma só equipa.

Incompetência romana no passe

No sentido inverso, a Roma apenas se pode queixar de si própria em alguns detalhes de jogo, como um dos mais importantes, ou seja, o passe. Os italianos falharam um total de 113 entregas e só três equipas registaram um número superior desta variável: Nápoles na visita ao Liverpool (123), Lokomotiv em casa com o Schalke (121) e Liverpool em casa com o Estrela Vermelha (118). Ao invés, os portistas ficaram-se pelos 106 e até tiveram um jogador que acertou todos os passes que fez, Danilo Pereira (63).

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Em suma, o Porto foi competente, dominador, a espaços avassalador contra a Roma no Dragão. A passagem à fase seguinte, imperando a lógica – que às vezes anda arredia do futebol -, era o único desfecho possível, dada a superioridade “azul-e-branca”. O resto fica para a História.