Académica 0 – Benfica 2: Auto-estrada de duas faixas

Após o desaire europeu a meio da semana, o Benfica conseguiu uma injecção de moral perante uma Académica que facilitou a vida aos comandados de Jorge Jesus.

Gaitán marcou e criou em Coimbra (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Gaitán marcou e criou em Coimbra (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

O Benfica recuperou a liderança isolada na Liga portuguesa, ao vencer por 2-0 na visita à Académica. A equipa de Jorge Jesus não poderia desejar melhor abordagem ao jogo por parte do seu adversário deste domingo, para ganhar e afastar do pensamento a eliminação europeia de quarta-feira. Posicionamento deficiente, em especial na primeira parte, permitiu aos “encarnados” explorar espaços e criar oportunidades, umas atrás das outras. O sentido pragmático da “águia” fez o resto.

Os lisboetas apresentaram-se em campo com o seu figurino habitual, o 4x4x2, desta feita com Lima no banco e Jonas na frente de ataque. Talisca voltou a fazer dupla com o compatriota, embora com tarefas bem diferentes, nomeadamente na ocupação de linhasentre o meio-campo e o ataque. A espaços notou-se, igualmente, a preocupação de Nicolás Gaitán e Eduardo Salvio para fechar no meio, pelo que, no arranque do primeiro tempo, o Benfica conseguiu superiorizar-se em diversas situações ao “miolo” mais povoado do 4x2x3x1 da “briosa”.

Prático e objectivo

Samaris e Enzo Pérez ocupavam muito bem a zona mais recuada do meio-campo, Talisca, Gaitán e Salvio ajudaram sobremaneira na recuperação de jogo, ao mesmo tempo que os da casa sentiam dificuldades para travar os homens da Luz. Na primeira meia-hora, a Académica insistiu em fazer subir bastante os dois laterais, numa tentativa de encurtar espaços, mas a estratégia saiu ao contrário, muito por culpa do sentido prático e objectivo do Benfica. Pareceu, a dada altura, que o conjunto de Jorge Jesus assumia para si mesmo que não iria conseguir lutar pelo domínio total do jogo, pelo que optou por não complicar. Assim, às recuperações de bola surgiam passes rápidos para as laterais, quer para Salvio, quer para Gaitán, em especial o segundo. Os dois argentinos exploraram como quiseram as duas faixas da “auto-estrada” que a Académica deixava nas alas e foi com naturalidade que as ocasiões de golo começaram a surgir.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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Gaitán fez o 1-0, aos oito minutos, isolando-se a passe longo de Enzo Pérez, e contornando o guarda-redes Lee Oliveira, numa demonstração de domínio e técnica, antes de facturar. Aos 23 minutos Jonas cabeceou à barra, depois de Gaitán, mais uma vez, ter descido tranquilamente pela esquerda. Aos 24 foi Enzo a ultrapassar vários jogadores, antes de atirar ao lado. Aos poucos a Académica corrigiu a movimentação dos seus laterais e os médios-ala, Ivanildo e Rui Pedro, começaram a fechar mais dentro, pelo que o Benfica perdeu um pouco o controlo da partida. O recuo de Samaris quase para junto de Jardel e Luisão também ajudou os “estudantes” a terem mais bola. Até que o capitão Luisão fez, de cabeça, após livre de Enzo, o 2-0, nos descontos da primeira parte, num lance precedido de fora-de-jogo do brasileiro.

A facilidade com que o Benfica chegou à baliza de Lee fica espelhada nos números da primeira parte. Os visitantes remataram nove vezes, cinco delas enquadradas e seis dentro da área (contra um disparo da “briosa”, para fora), tiveram 80,2% de passes certos de 243 (para 62,3% em 154 dos da casa) e somaram 60,6% de posse de bola (contra 39,4%). No primeiro tempo já Gaitán e Samaris se destacavam dos demais, algo que se confirmou no segundo tempo.

Mais do mesmo

No reatamento, o Benfica voltou a entrar melhor, com Gaitán e Salvio novamente muito por dentro. O primeiro desequilibrou com as suas deambulações e o segundo continuou a rasgar o seu flanco como queria, com passes atrasados que nunca tiveram aproveitamento por parte os colegas. Gaitán terminou mesmo com quatro passes para ocasião e Salvio três, o mesmo que Jonas. Enzo arrancou dois, mais duas assistências. No total, o Benfica registou 14 passes para ocasião, a Académica apenas quatro.

Tal como na primeira parte, os da casa voltaram a pegar no jogo pouco depois, mas nunca conseguiram criar lances de verdadeiro perigo, embora tenham rematado mais. Os “estudantes” acabaram com sete disparos, apenas dois enquadrados e outros tantos na grande área. Muita da segurança benfiquista deveu-se ao acerto defensivo dos laterais Maxi e André Almeida (o português registou quatro entradas, cinco intercepções e quatro recuperações de bola; o uruguaio três entradas, duas intercepções e também quatro recuperações). Mas também à dupla Enzo-Samaris. O grego recuperou a bola sete vezes, teve três intercepções e não comprometeu. Foi o jogador com mais passes (71, e 31 no meio-campo adversário), com um acerto de 81,7% (80,6% na metade da “briosa”), e teve 86 toques ao longo da partida, apenas ultrapassado por André Almeida (91). Enzo, destacou-se com 84,1% de passes certos (em 63). Na “briosa”, Rui Pedro esteve em foco, com cinco entradas e outras tantas recuperações de bola, e fez 32 passes, com 81,3% de acerto. Um dos mais esclarecidos.

Mas a estrela foi mesmo Gaitán. O extremo marcou um golo, fez quatro remates (três enquadrados), quatro passes para ocasião e foi sempre uma dor de cabeça, em especial para Christopher Oualembo.

No final, a superioridade benfiquista ficou bem vincada nos 16 remates que fez à baliza contrária, metade enquadrados, sendo que 12 foram efectuados já na grande área da Académica (valeu a desinspiração benfiquista no momento do disparo na segunda parte). O Benfica fez 489 passes para 368, acertou 78,5% contra 67,1% e registou 56,8% de posse de bola (43,2% dos “estudantes”).