Académica 0 – Porto 3: “Dragão” incendeia Coimbra

Os portistas resolveram a partida com rapidez e eficácia, antecipando um "clássico" disputado por dois rivais em crescendo de produção.

Jackson confirmou o melhor arranque desde que veste de azul e branco com um bis em Coimbra (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Jackson confirmou o melhor arranque desde que veste de azul e branco com um bis em Coimbra (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Em Lisboa (Benfica) e Coimbra (Porto) viveram-se esta noite dois contextos semelhantes: a noção clara da importância da vitória perante a proximidade de um “clássico” definidor, ainda que não decisivo. A meio da semana outro ponto em comum: um compromisso para a Liga dos Campeões que pouco dirá desportivamente a ambas as equipas, embora por razões diferentes. Mas as semelhanças contextuais não ficaram por aqui.

Lopetegui vai continuando a dar sinais de abandono da polémica rotatividade, voltando a apostar num “onze” (quase) ideal, trocando apenas o indisponível Casemiro por Ruben Neves. Óliver e Herrera vão-se assumindo como intocáveis no meio-campo dos “dragões” e vão retribuindo o estatuto com a sua productividade. Na frente outro trio previsível, com Jackson ladeado pelo sensacional Brahimi e por Cristian Tello, que com (mais uma) assistências vai silenciando progressivamente os ecos da discussão da titularidade (com Ricardo Quaresma).

Resolver cedo e com eficácia

Retomando o tema das semelhanças contextuais entre “dragões” e “águias” em véspera de confronto percebemos que nem pelo resultado obtido se afastaram: tal como o Benfica, também o Porto bateu os “estudantes” por uns concludentes três golos sem resposta. Os “azuis-e-brancos” distinguem-se, no entanto, pela forma rápida (aos 24 minutos já venciam por dois golos) e eficaz (três golos em apenas quatro remates enquadrados, com 30% de aproveitamento dos remates efectuados) com que resolveram o encontro, ainda no decurso da primeira parte. Em plano de evidência surgia, na primeira metade da partida, o prolífico Jackson Martínez, que com mais dois golos (em apenas dois remates realizados nos 81 minutos em que esteve em campo) assume a liderança isolada na lista de melhores marcadores, ao mesmo tempo que confirma o seu melhor arranque de sempre ao serviço dos “dragões”.

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

A bola circulou com abundância entre os portistas, como é hábito. O Porto realizou 659 passes, com 85% de eficácia (outro paralelismo com os “encarnados”, que realizaram 656 passes com 85% de acerto), com Ruben Neves (86 passes, 84%) e Óliver (73 passes, 92%) em evidência na hora de organizar a circulação “azul-e-branca”. Já o mexicano Herrera, um dos nossos destaques da partida, contribuiu menos neste capítulo (50 passes, 80%) mas foi decisivo no último terço: um golo (em dois remates realizados) e uma assistência para o inevitável Jackson definem o seu papel preponderante na vitória portista em Coimbra.

Sector recuado atento

A calmaria vivida pelos “azuis-e-brancos” em Coimbra (a Académica não fez um único remate enquadrado com a baliza de Fabiano) não deve retirar mérito a alguns elementos do sector recuado, com destaque para Alex Sandro (cinco cortes e seis passes interceptados) e Maicon (quatro cortes e seis alívios) que permitiram a Martins Indi furtar-se ao risco que partilhava esta noite com o rival Enzo Pérez: a amostragem de um amarelo que o impedisse de marcar presença no importante duelo da próxima jornada. A defesa portista contribuiu assim para uma noite monótona para Fabiano, que não realizou qualquer defesa durante os 90 minutos.

Os números serão certamente diferentes, bem como a história, na próxima jornada. Até lá apenas a certeza de que o Porto, tal como o Benfica, se apresenta em crescendo de produção, ao que os “dragões” acrescentam a eficácia com que concretizam os apesar de tudo poucos lances de golo que o seu futebol de circulação vai proporcionando.