Académica 1 – Sporting 1: Um empate perfeitamente natural

Sporting com menor qualidade de passe que a Académica e com menos de metade dos realizados pelo FC Porto com o Marítimo.

Os leões demonstraram uma circulação de bola pobre em quantidade (número de passes) e qualidade (eficácia de passe) (foto: J. Trindade/Infografia: GoalPoint)
Os leões demonstraram uma circulação de bola pobre em quantidade (número de passes) e qualidade (eficácia de passe) (foto: J. Trindade/Infografia: GoalPoint)

Quem sabe da tradição de Académica e Sporting é conhecedor dos objectivos dos dois emblemas; os lisboetas jogam para o título e os estudantes tentam uma classificação honrosa, nada mais do que isso. Mas a estatística da partida deste sábado entre as duas equipas transmite um equilíbrio preocupante para os “leões” e animador para a Briosa.

Curiosamente até foi a Académica a ter uma maior eficácia de passe (76,2% contra 73,1%), o que contradiz a real valia das duas equipas. Os da casa somaram mais passes (362) que o Sporting (335) sendo que neste capítulo a equipa da capital, no que toca a paralelismos entre candidatos ao título, fez menos de metade dos passes que o FC Porto diante do Marítimo – 697.

Ou seja, este Sporting é claramente uma equipa que prefere misturar posse com expectativa e foi assim, ao chamar a Académica para o segundo terço do campo, que explorou de uma maneira absolutamente eficaz as perdas de bolas e a menor competência defensiva dos laterais contrários. Iago registou 24 perdas de bola e Ofori 26. Marco Silva tinha traçado a exploração do espaço entre lateral e central e foi assim que surgiu o golo de Carrillo, numa área que pode causar indefinição, após um centro de Jefferson, um dos maiores dinamizadores do jogo ofensivo leonino com três oportunidades de golo criadas, tantas como André Martins, e aquele que arrancou mais cruzamentos (cinco).

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)

A diferença da primeira para a segunda parte foi abissal. Verdade que a Académica já reagia depois dos míseros três remates na etapa inicial, contudo, o Sporting que tinha registado uma posse de bola de 57,4% não foi além no segundo tempo dos 37,8% o que permitiu à Briosa fazer oito remates, um dos quais valeu um ponto. Para esse inclinar do campo contribuiu bastante a expulsão (justa) de William Carvalho, apenas o futebolista com melhor eficácia de passe (87,9%) e com várias distribuições de bola, com acerto, para o meio-campo contrário (77,8%) – o melhor do Sporting se excluirmos Cédric (85,7%) que saiu ao intervalo.

Duas últimas notas. A primeira para Sarr, que substituiu Rojo e apesar de ser o jogador mais alto em campo (1,96m) só conseguiu triunfar em 57,1% dos duelos aéreos. E com a bola nos pés até engana, pois parece um problema, mas o seu projecto de passe curto rende-lhe uma estatística razoável  (78,4%, o melhor da defesa leonina neste capítulo).

Já Montero parece ser mesmo uma questão de honra para Marco Silva. Não marca desde 8 de Dezembro e continua a não justificar a titularidade. Dois remates apenas (um único enquadrado), tantos como Héldon e menos que Adrien (3) e Carrillo (5), só venceu 25% dos duelos, nenhum deles no jogo aéreo e zero cruzamentos, o que se estranha pois uma das suas características mais admiradas é a mobilidade e a criação de espaços para os colegas que surgem de trás. Defensivamente também pouco contribuiu; zero entradas, zero alívios, zero intercepções e oito perdas de bola. Os números falam por si.

 

Apontamento táctico*

Neste primeiro jogo da Liga 2014/15, Marco Silva, como previsto, apresentou um “onze” inicial quase igual ao da época passada. Ainda assim, este Sporting apresentou uma dinâmica de jogo mais assente em transições rápidas e verticais do que num futebol mais trabalhado e apoiado.

Na primeira parte Adrien explorou, na perfeição, os espaços entre central e lateral adversário, e os médios  leoninos deram sempre apoio aos corredores laterais sem fazerem, porém, movimentos de superioridade numérica nessa região do terreno.

No momento defensivo, os “leões”, apesar de usarem um método zona, estiveram sempre mais em contenção do que num pressing agressivo e, dessa maneira, baixavam quase sempre o bloco de forma a que a Académica subisse e assim pudessem explorar o contra-ataque de maneira rápida e com espaço.

Rosell, ao jogar a lateral, nunca subiu no terreno e defensivamente não comprometeu, Sarr esteve razoável durante os 90 minutos, contudo, mostrou algum desposicionamento ao tentar cortar a bola, o que se pode tornar perigoso visto que é um jogador lento a recuperar a posição.

* O “apontamento táctico” é uma rúbrica da autoria de Miguel Pontes.