A Académica de Coimbra é um histórico do futebol português e, de todos os clubes que estão fora do principal escalão nacional, é aquele que conta com mais presenças na primeira divisão (64, sendo o sétimo clube com mais presenças no total, atrás dos “três grandes”, para além do Belenenses, V. Guimarães e V. Setúbal). A despromoção à Segunda Liga, em 2016, não provocou uma queda livre como tem acontecido a outros emblemas cujo crescimento assentou em “pés de barro”; a equipa dos estudantes ainda não logrou o regresso à Primeira Liga mas tem sido presença regular nos primeiros lugares. A Académica continuará, de resto, a ser forte candidata à subida.

SDUQ

De resto, a opção dos sócios pela constituição de uma SDUQ (Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas) em vez de uma SAD, se é verdade que pode impedir “voos” mais altos, também pode contribuir para evitar o que aconteceu, por exemplo, ao Beira-Mar. De resto, em Coimbra também não existe uma liderança altamente pessoalizada e imune a escrutínio como existia na UD Leiria e na Naval 1º de Maio, que contribuíram para os respectivos problemas.

Análise à última época: dados estatísticos

O número de golos marcados e sofridos ajuda a explicar parte do fracasso da “Briosa” relativamente ao objetivo definido. A Académica marcou 59 golos, ficando com o segundo melhor ataque e a segunda melhor defesa ex aequo. Contudo, as últimas épocas têm demonstrado que as equipas que sobem à Primeira Liga devem marcar pelo menos 70 golos (Santa Clara e Ac. Viseu, nesse aspeto, contaram com o demérito dos adversários).

Três treinadores numa só época

De qualquer forma, a estatística mais invulgar seria o facto de os estudantes terem tido três treinadores diferentes ao longo da temporada. A primeira escolha da Direção recaiu em Ivo Vieira, que ao fim de algumas jornadas “desertou” em direção ao GD Estoril-Praia; o objetivo de permanência falhou. Seguiu-se Ricardo Soares, que trazia boas credenciais mas que não evitou o despedimento a seis jornadas do final, quando já se encontrava a quatro pontos da linha de subida. No fim, Quim Machado conseguiu quatro vitórias consecutivas mas duas derrotas nas últimas duas jornadas acabaram com o sonho.

O que esperar para a próxima época?

A venda de Chiquinho ao Benfica contribui certamente para alimentar as finanças do clube conimbricense e permitir o investimento nos setores mais fragilizados da equipa. De qualquer forma, sem as possibilidades que uma SAD permite e sem contar com algum prémio de uma lotaria online que permitisse fazer um “super investimento” numa equipa, o maior ativo da Académica neste momento é a ligação aos adeptos. Após muitos anos de afastamento, a cidade de Coimbra parece ter-se ligado de novo ao clube; mais de 20.000 adeptos estiveram nas bancadas para ver o jogo contra o CD Cova da Piedade. Um clube desta dimensão acabará, mais tarde ou mais cedo, por regressar ao escalão principal.