Alemanha 4 – Portugal 0: Descalabro luso com origem no “miolo”

Após uns primeiros minutos equilibrados, a Alemanha começou a dominar por completo a zona intermediária e anulou completamente o futebol lusitano.

Lesões, uma expulsão, uma grande penalidade, más tomadas de decisão. Tudo correu mal a Portugal. Até Paulo Bento mostrou dificuldades para explicar o descalabro luso, mas um olhar mais aturado ajuda a dar uma luz sobre o que aconteceu.

À primeira vista parece difícil perceber onde residiram diferenças tão grandes entre as duas selecções, mas elas estiveram essencialmente no meio-campo e na zona de finalização. A diferença de desempenho é esclarecedora. Enquanto do lado português Raul Meireles esteve inexistente a atacar e a defender, apenas com duas intercepções e um corte, nenhum remate e com seis passes longos de mudança de flanco, do lado germânico P. Lahm e S. Khedira “varreram” totalmente o “miolo”, com um total de duas intercepções e oito desarmes entre si. Enquanto M. Veloso e J. Moutinho somaram entre ambos cinco passes importantes, T. Kross, sozinho, teve 96% de passes certos dos seus 79, entre eles 11 longos, todos com aproveitamento (o mesmo que Lahm, com nove).

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Este domínio explica outros números, como o facto de Portugal ter tido 86 passes no seu terço defensivo, perante a incapacidade de fazer transições e transporte, contra 77 da Alemanha. Estes valores como que se invertem e acentuam no último terço ofensivo, com os germânicos a somarem 111 passes contra 65. Portugal não pegou no jogo e a Alemanha fez o que quis, com M. Özil e M. Götze, nos flancos, a criarem desequilíbrios com as suas diagonais e trocas posicionais. O principal beneficiado foi Müller, que marcou por três vezes, aproveitando as cinco ocasiões claras de golo da sua equipa (Portugal não teve nenhuma). Tal explica-se também pelos 11 remates alemães dentro da área lusa, contra apenas quatro na outra extremidade do campo; Portugal rematou nove vezes de fora da área.

Cristiano Ronaldo tentou remar contra a maré, com sete remates, mas não foi o suficiente. Nani foi o rei dos dribles, com cinco, mas nenhum dos seus seis cruzamentos teve consequência, tal como os 21 no total da equipa, sendo que apenas um teve aproveitamento. A força alemã pelo ar (12 duelos ganhos contra seis) ajuda a explicar muita coisa.

 

Apontamento Táctico

Um descalabro de exibição que se traduziu pelo fracasso táctico lusitano. Nos primeiros minutos, Portugal conseguiu equilibrar ao fazer um pressing ofensivo bastante agressivo, sendo que mesmo na saída de bola alemã Ronaldo, Nani e Hugo Almeida pressionavam e obrigavam os germânicos a jogar longo. Após o primeiro golo, e também depois da expulsão, a armada lusitana demonstrou não ter capacidade de reacção, ficando num 1-4-3-2 no momento defensivo que demonstrou ser pouco agressivo. A Alemanha, com a sua mobilidade no ataque, conseguiu sempre romper com sucesso o bloco defensivo português, sendo que por vezes apenas Raul Meireles ajudava o quarteto defensivo (apesar de ser uma ajuda completamente inconsequente). Portugal tentou então apostar na transição defesa ataque que, devido a más tomadas de decisão dos seus jogadores, traduziu-se neste volumoso resultado para os germânicos.

O “Apontamento Táctico” é assinado por Miguel Pontes.

Que motivos encontra para o desenrolar do jogo e resultado final na estreia de Portugal no Mundial? Que alterações considera mais adequadas para o embate com os Estados Unidos? Deixe-nos a sua opinião.