Alterações ao Fair Play Financeiro são má notícia para os “grandes”

A ESPN refere a intenção da UEFA em alargar o escritínio do Fair Play Financeiro às dívidas dos clubes.

OS critérios do FFP começam a apertar (foto: UEFA)
OS critérios do FFP começam a apertar (foto: UEFA)

A UEFA estuda neste momento, segundo informação veiculada hoje pela ESPN, alargar a incidência dos critérios de enquadramento do fair play financeiro também às dívidas dos clubes, quando até agora circunscrevia a sua atenção (e potencial penalização) aos resultados financeiros dos exercícios em análise. A terem lugar estas alterações poderão atingir clubes até agora não afectados, como o Real Madrid e Manchester United, cujas receitas acabam por permitir o cumprimento das regras da UEFA. No entanto estes são dois exemplos de clubes que acumulam dívidas significativas (os “merengues” contabilizam cerca de 600 milhões de euros enquanto que os “red devils” apresentam cerca de 450 milhões de dívida, embora o valor constitua uma evolução positiva face aos 890 milhões registados em 2010).

Se por um lado a intenção da UEFA constitui um passo em frente rumo a critérios mais completos e que responsabilizem clubes que pela sua dimensão conseguem manter modelos económicos desequilibrados, por outro não cobre ainda a diversidade de soluções que os clubes encontram para fazer frente à realidade. O exemplo mais claro disso mesmo é o Manchester City, cuja dívida é totalmente suportada pelo grupo detido pelo Sheik Mansour, o Abu Dhabi United Group. Por fim, e conhecendo-se recentemente o valor das dívidas dos “três grandes”, a notícia acaba por não trazer nada de positivo à previsão de um futebol português competitivo a nível europeu, podendo Benfica, Porto e Sporting ver-se a braços não só com a necessidade de apresentar resultados regulares equilibrados como também de fazerem frente à sua dívida combinada de mais de mil milhões de euros, com “águias” e “leões” a acumularem valores próximos dos 445 milhões e os “dragões” a ficarem-se pouco acima dos 200 milhões.

No entanto, nem tudo será negativo tendo em conta que a UEFA poderá permitir a apresentação de resultados menos positivos desde que tal decorra da iniciativa dos clubes em regularizar progressivamente a sua dívida, dando a entender que o organismo máximo do futebol europeu poderá vir a ser mais compreensivo para os clubes que demonstrem vontade em adaptar a sua realidade aos critérios impostos.