Primeiro do grupo. Líder do campeonato. Jogo com a Real Sociedad. Valor em crescendo. Embate com o Borussia Dortmund. Comparações com Naby Keita. Nome associado a gigantes europeus. Eliminatória com o Marselha. Queda de pé. Este é um curto resumo da época 2017/18 do RB Salzburg e do jovem que aqui analisamos, Amadou Haidara.

A caminhada fantástica do RB Salzburg até às meias-finais da última Liga Europa fez muita gente repensar o desdém pela equipa associada à bebida energética: “onze” recheado de jovens talentos, o futebol atractivo demonstrado sob a alçada de Marco Rose e Amadou Haidara. Muito Haidara. Avançamos uma época e o agora internacional A pelo Mali (seis vezes) ainda se mantém nos quadros do gigante austríaco e sem quebra de qualidade.

Tendo em conta que o Salzburg até já lidera de novo o seu grupo na Liga Europa (agora num muito competitivo agrupamento frente a Celtic, Rosenborg e RB Leipzig), considerámos pertinente trazer de volta o foco para o craque, agora de 20 anos, mas que por aqui já tínhamos mencionado quando tinha apenas 17, após um grande Campeonato do Mundo.

Um médio muito completo, faz casa como interior-direito no meio-campo em losango de Marco Rose, mas tem todas as características para um “8” num meio-campo a dois ou a três elementos . Sendo o Salzburg uma equipa que assume, habitualmente, o controlo dos seus jogos, poderá até parecer contra-natura analisar primeiro o que Haidara faz sem bola – mas as suas facetas são tão dominantes neste momento do jogo, que acaba por ter um papel importante no facilitar do jogo de posse da sua equipa através da recuperação da bola que os austríacos tanto querem ter.

Tweet: Amadou Haidara (à direita) defende, ataca e cozinha

Versatilidade no momento defensivo

Os seus 3,4 desarmes, combinados com apenas 22% de desarmes falhados, mostram muita qualidade na defesa um-para-um, mas as elevadas intercepções (2,1) e bloqueios de passe (1,4), mostram-nos um jogador cujas valias defensivas não se baseiam puramente na recuperação de bola activa, mas também em noções posicionais. Tudo isto leva a 3,0 acções defensivas no terço intermédio a cada 90 minutos, um número muito elevado que coloca Haidara como o instigador da pressão de bloco médio do campeão austríaco. Como se todo este “pacote defensivo” não bastasse, não tem problemas no jogo aéreo, apesar de medir apenas 1,76m – vence 60% dos duelos defensivos deste tipo.

Mas nem só de recuperação se faz um médio de clube dominante e Amadou Haidara é isso mesmo. Como jogador completo que é, demonstra competência elevada em quase todos os momentos com bola. Tanto ajuda a equipa a progredir no terreno através dos seus movimentos em posse (1,3 dribles eficazes, com 55% dribles completos) como em passe: 59% de passes certos para a frente e apenas 20% de passes curtos com os pés falhados. Não tendo dados espectaculares ao nível do passe, também não demonstra – de todo – fraqueza nesses momentos, com números muito respeitáveis em quase todas as vertentes. Tendo ainda em conta a sua idade, podemos esperar uma progressão consistente do seu “skill-set” à medida da sua evolução natural enquanto jogador – um salto para um cenário mais competitivo poderá despertar todo o potencial que em si carrega.

Boa qualidade técnica

O número reduzido de maus controlos de bola (1,4) demonstra o seu bom recorte técnico numa zona do terreno onde o espaço é facilmente encurtado. Tem ainda a característica de participar com muita frequência em situações de finalização, não tanto do ponto de vista de criação (1,1 passes para finalização), mas sobretudo através de acções de remate: 2,6 a cada 90 minutos. Uma aresta que, para ser mais-valia, tem de ser limada, já que dois desses disparos ocorrem de fora de área e apenas 14% destes últimos acabam enquadrados. Se Haidara conseguir transformar alguns destes remates de zonas menos favoráveis, em mais chegadas à área e maior procura de colegas no último terço, vai por certo adicionar mais golos e assistências ao seu jogo.

O salto para os “vizinhos” do RB Leipzig é de tal forma natural que já é esperado, principalmente a partir do momento em que se deu a saída de Naby Keita do plantel do clube alemão, mas serão muitos os clubes a estar atentos ao jovem do Mali, que recentemente figurou no “Top 10” de candidatos à primeira Bola de Ouro Sub-21.

Tendo em conta o seu “canivete suíço” de características, poderá servir a muitos clubes e sistemas, mas irá sempre brilhar mais nas mãos de treinadores com ideais de jogo pressionantes.