Análise: A importância da qualidade de remate

Nem sempre quem mais remata retira daí proveito mas neste momento a classificação da Liga parece premiar os mais eficazes.

O Benfica lidera a Liga (também) em eficácia e concretização (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
O Benfica lidera a Liga (também) em eficácia e concretização (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Afirmar que a eficácia de remate e o aproveitamento em golo é importante para a classificação de uma competição de futebol é, de certa forma, apontar uma evidência de “La Palice”. Porém, quando esta estatística em concreto choca, com uma precisão quase cirúrgica, com a ordem de uma tabela classificativa, é caso para dizer que estamos perante um dado fundamental na análise das equipas e um facto que não deve ser ignorado do ponto de vista técnico.

Os treinadores insistem, uns mais que outros, no trabalho de finalização, e não é sem um bom motivo. Olhámos para as equipas da Liga portuguesa, os seus remates, a percentagem de disparos enquadrados com as balizas adversárias e de aproveitamento efectivo em golo, e a conclusão é que não é demais trabalhar esta vertente do jogo e do treino.

A classificação da Liga portuguesa diz-nos o seguinte: 1º Benfica; 2º FC Porto; 3º Sporting; 4º V. Guimarães; 5º Sp. Braga; 6º Rio Ave. Fomos olhar para a tabela dos “campeões” do aproveitamento dos remates em golo e esta diz-nos: 1º Benfica; 2º FC Porto; 3º Sporting; 4º V. Guimarães; 5º Sp. Braga; 6º Rio Ave… Coincidência? Certamente que não será sempre assim, mas este ordenamento rigoroso advém mesmo da importância que a finalização tem para o sucesso das equipas. Quisemos fazer um “Top 10” das melhores formações no que toca ao aproveitamento e os seis primeiros são, exactamente, os mesmos e pela mesma ordem da classificação da Liga.

O cenário muda ligeiramente em termos de remates enquadrados. Já falámos aqui recentemente do avançado do Benfica, Lima – jogador do mês de Dezembro para o GoalPoint -, um exemplo claro de que a eficácia de remate não anda de mãos dadas com o aproveitamento. Lima apresenta excelentes 43% de enquadramento do seu remate com as balizas adversárias, mas quando chega à percentagem de concretização, esta cai para 14%. O mesmo se passa com as equipas, pelo que aqui a ordem é diferente da que falámos acima. Ainda assim, a tendência mantém-se de uma forma global, como pode conferir em baixo. O Benfica volta a surgir como mais competente neste capítulo, com 44,9% dos seus disparos a encontrarem a baliza adversária (embora não sendo obrigatoriamente golo). O Paços é o surpreendente segundo classificado neste outro “Top 10”, seguindo-se Sporting e FC Porto. E ainda há os remates necessários para se chegar ao golo. Olhando para o gráfico fica claro: quem menos remates precisa para marcar, mais alto está na tabela.

Estoril e Belenenses surgem um pouco em contra-ciclo com esta ideia, mas até aqui há uma explicação plausível. O Belenenses começou bem a Liga, mas está em queda, enquanto os homens da “linha” iniciaram o percurso contrário.

Podemos aferir, analisando estes números, que a vantagem do Benfica na tabela classificativa deve-se sobremaneira a estes valores. A competência “encarnada” na hora do remate parece ser a assinatura do tal futebol pragmático de que se fala da equipa de Jorge Jesus, em contraponto com o que acontecia em épocas anteriores, de nota mais “artística”.

Consulte os nossos infograma e confira quem acerta mais com as balizas contrárias e quais as equipas com melhor capacidade concretizadora.