Análise: A Liga promete (a competição, entenda-se)

Após uma pré-temporada sofrível os "encarnados" entraram melhor na Liga do que na época passada, mas a prova promete não ficar decidida cedo (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Após uma pré-temporada sofrível os “encarnados” entraram melhor na Liga do que na época passada, mas a prova promete não ficar decidida cedo (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

A Liga Portugal está boa e recomenda-se. Falo em termos competitivos, da promessa de um campeonato interessante e disputado, e não tanto da instituição em si, cuja saúde muito deixa a desejar. Mas olhando os números e classificação do que realmente interessa, o futebol jogado, a competição máxima de clubes a nível nacional promete ser interessante, no momento em que à sétima jornada assiste a nova interrupção de calendário.

Mais golos e mais empates (com golos)

Olhando os números gerais da competição e comparando-os com a edição 2013/14 sobressai de imediato um valor mais elevado (ainda que ténue) de golos por jogo: 2,5 contra 2,4, um dado promissor face a outras variáveis que se mantêm ao mesmo nível: as equipas caseiras continuam naturalmente a vencer a maioria dos jogos (46% contra 45% na edição anterior) com um ligeiro crescimento dos jogos com três ou mais golos (43% contra 42%). Negativo apenas o facto de o número de empates ter aumentado (30% contra 25%, até ao momento). Mas a haver empates que sucedam com mais golos, sendo que o resultado mais frequente até ao momento é o pouco interessante empate sim, mas com golos (1-1).

Clique na infografia para ler em detalhe (infografia: GoalPoint)
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“Grandes” ainda são “grandes”, mas cuidado

Mas para lá do desempenho global, e pese o arranque promissor do Benfica (contra algumas expectativas criadas na pré-temporada), a característica mais interessante da tabela classificativa neste momento é a intromissão do Vitória de Guimarães no previsível trio de liderança, bem como a proximidade de Marítimo a três pontos do segundo posto e Rio Ave, Braga, Paços de Ferreira e Belenenses, todos eles a apenas quatro pontos do FC Porto. Sendo verdade que os “três grandes” permanecem invictos, a surpreendente carreira de alguns destes emblemas já retirou de forma visível pontos aos três candidatos, com “dragões” e “leões” a somarem já entre si tantos empates quantas as jornadas disputadas até ao momento.

Dos “três grandes” o Benfica é o único que apresenta um rendimento superior ao que apresentava em igual período da época passada: 19 pontos contra 14 em 2013/14, quando por esta altura já amealhava uma derrota e dois empates. Os “encarnados” já marcaram mais golos (19 contra 11) e sofreram menos (quatro contra sete).

Mas a performance “encarnada” pode não significar um caminho acessível para o título e para isso basta recordar que, por esta altura, o FC Porto comandado por Paulo Fonseca apresentava na época passada o mesmo registo das “águias”: 19 pontos, seis vitórias e apenas um empate, coincidindo inclusive no número de golos sofridos (quatro) e com apenas menos quatro marcados. Mais tarde viria a quebra, naquela que seria uma das piores épocas do FC Porto dos últimos 20 anos. Lopetegui não conseguiu assim melhorar até agora a entrada em cena de Paulo Fonseca (regista menos quatro pontos) mas ainda assim junta à invencibilidade o facto de ter sofrido apenas três golos.

O Sporting apresenta dados semelhantes aos do FC Porto, quando comparados os desempenhos entre épocas, à sétima jornada. Marco Silva amealhou até agora menos quatro pontos que Leonardo Jardim, fruto da troca de duas vitórias por dois empates. O “leão” mantém-se, no entanto, invencível, o que tendo em conta que é o único “grande” que já defrontou os outros dois candidatos, ganha algum peso. O registo defensivo da época em curso é idêntico, pese os problemas defensivos discutidos: quatro golos sofridos e é no ataque que o Sporting regista a maior diferença – menos seis golos marcados do que em igual período da época passada.

A Liga promete assim desvendar-se com maior interesse, longe parecem estar os tempos em que sobretudo FC Porto mas também por vezes o Benfica ganhavam vantagens esclarecedoras no primeiro terço da prova. O Benfica reassumirá o calendário em clara vantagem mas a história recente, bem como o desempenho dos diversos adversários (e não só os “grandes”), sugere cautela. E sobretudo expectativa de uma prova de interesse e vivacidade diametralmente oposta à Liga (Portuguesa de Futebol Profissional) que define o seu destino e futuro.