Análise: Bélgica tem sido uma desilusão?

A Bélgica tem sido apontada como uma relativa desilusão, face ao potencial teórico do seu plantel. Mas estará de facto o desempenho dos “diables rouges” abaixo das expectativas?

Marouane Fellaini, apesar de já ter marcado um golo, é um dos rostos da imagem excessivamente negativa que o desempenho da selecção belga tem gerado na crítica (foto:  Shutterstock / André Durão)
Marouane Fellaini, apesar de já ter marcado um golo, é um dos rostos da imagem excessivamente negativa que o desempenho da selecção belga tem gerado na crítica (foto: Shutterstock / André Durão)

A Bélgica de Wilmots e a Colômbia de Pekerman partilhavam, muitos meses antes do arranque deste Mundial, um curioso estatuto: o de potencial equipa-surpresa, atribuído pelos hipsters do futebol. Apetrechadas de conjuntos atipicamente fortes para o seu historial internacional, ambas as selecções geravam crescente expectativa para este Mundial. E a verdade é que ambas estão nos quartos-de-final, no Brasil. Mas enquanto a Colômbia granjeia elogios unânimes, individuais (sobretudo James e Quadrado) e colectivos, a Bélgica suscita em alguma crítica especializada a sensação de sub-rendimento face ao esperado. Mas corresponde esta noção à realidade? Deixemos de parte as considerações individuais e foquemo-nos no que tem valido, até agora, o conjunto belga neste Mundial.

Ninguém remata mais

Sendo o golo o evento mais importante na definição do resultado de um jogo de futebol, o registo da Bélgica, sendo positivo, não é efectivamente brilhante: seis golos marcados em quatro jogos, muito abaixo do registo da selecção mais concretizadora (Holanda, 12 golos). A Bélgica surge, neste contexto, no décimo posto do ranking de concretização, com selecções entretanto já eliminadas como a Argélia e a Suíça à sua frente.

Mas corresponde este menor índice concretizador a uma menor produção ofensiva? Efectivamente não. Os “diables rouges” são a equipa mais rematadora da prova até agora, com 20,8 disparos por jogo (o seu adversário nos “quartos”, a Argentina, é segunda com 20). E nem no capítulo do acerto face ao “rectângulo” adversário a Bélgica deixa de brilhar, pois é também o conjunto com mais remates enquadrados à baliza, com oito (um conselho: ignore as estatísticas oficiais FIFA relativas a este indicador, pois pecam por excesso metodologicamente incompreensível).