Análise: Equipas brasileiras não aproveitam pausa da Copa

Mesmo com 40 dias para tentar melhorar a qualidade, nada foi feito e o nível do futebol no país continua ruim.

São muito poucas as melhorias do Brasileirão após as "licões" do Mundial 2014 (foto: A. Durão/Shutterstock)
São muito poucas as melhorias do Brasileirão após as “licões” do Mundial 2014 (foto: A. Durão/Shutterstock)

A goleada sofrida pelo Brasil contra a Alemanha na Copa do Mundo escancarou algo que há muito já se discutia por aqui: o futebol brasileiro está atrasado e precisa de se adaptar aos novos tempos.

O nível dos jogos disputados no país é muito inferior ao dos principais centros europeus. Uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo comparou estatísticas dos jogos do Campeonato Brasileiro com os da Copa e chegou às seguintes conclusões: no torneio nacional há menos passes, mais erros de passe, menos finalizações e mais erros de finalizações.

É verdade que o processo que o Brasil terá de passar será longo (a Alemanha, por exemplo, demorou mais de dez anos para chegar ao topo do Mundo) e que ainda é cedo para exigir mudanças, mas não vemos muita movimentação nas equipas locais em busca dessa melhoria.

A volta do Brasileiro após a Copa deixou a torcida ainda mais deprimida. O pior é que os clubes tiveram 40 dias para treinar. Para os amigos lusos que por ventura não saibam, o nosso campeonato local foi interrompido durante o Mundial. Neste ano, foram disputadas nove rodadas antes da pausa para a Copa. Três dias após a Alemanha conquistar o tetra, os times voltaram aos jogos. As estatísticas, porém, mostram que os treinos e amistosos realizados durante esse período não serviram para melhorar a qualidade das partidas.

O GoalPoint separou os dados das últimas três rodadas antes do Mundial e das três primeiras após a retomada do Brasileiro. O número de finalizações caiu depois da Copa, passando de uma média de 24,2 por partida para 20,9. Já a percentagem de acertos nas finalizações teve uma leve melhoria de 37,1% para 39,3%.

O número de passes trocados cresceu – de 600 para 618,5 por jogo -, mas a percentagem de acerto ficou praticamente estável –89,3% para 88,8%. A quantidade de dribles e faltas também não sofreu variações.

O único número que melhorou, e que é provavelmente o mais importante, foi a média de golos marcados: subiu de 1,8 para 2,3. Pouco para um país cinco vezes campeão do Mundo, ainda mais quando se considera que a média de golos marcados por partida nas 13 primeiras rodadas (1,09) é a pior dos últimos oito anos.

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