Análise: Estará William Carvalho em sub-rendimento?

O médio leonino volta a ser referido pela imprensa como alvo do Arsenal, num momento em que o seu desempenho gera debate face ao "brilho" demonstrado na época passada.

Clique na infografia para ler em detalhe (fotos: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Clique na infografia para ler em detalhe (fotos: J. Trindade infografia: GoalPoint)

William Carvalho é, por estes dias, um dos nomes mais falados na Premier League, uma das mais movimentadas Ligas sempre que se aproxima uma nova janela de mercado. O eventual interesse de emblemas britânicos no concurso do médio-defensivo leonino não admira e prolonga-se desde o defeso de Verão, quando nomes como Manchester United e Arsenal foram referidos pela imprensa portuguesa e inglesa como prováveis destinos do jogador. Esta semana surgiram novos títulos na imprensa inglesa referindo o interesse efectivo de Arsène Wenger no concurso de William, por uma verba a rondar os 25 milhões de euros. Mas estará William pronto a dar o salto para o exigente futebol inglês? Que desempenho teve, até agora, face à forma como se mostrou na época passada? A discussão é subjectiva e envolve diversos factores mas como habitual optamos pela análise do que William tem feito dentro das quatro linhas de modo a perspectivar a sua evolução face à época transacta e eventual capacidade de corresponder a novas exigências.

Melhor, pior ou… a postos?

O desempenho de William Carvalho na época 2014/15 tem gerado inúmeros “processos de avaliação”, mais ou menos objectivos, do adepto apaixonado ao comentador televisivo. Independentemente da origem, imparcialidade e contexto da avaliação a sentença é comum: William está alguns “furos” abaixo do desempenho fulgurante que patenteou na época 2013/14, na altura sob o comando de Leonardo Jardim. Os números assim o demonstram (vide infografia), embora com curiosas excepções.

No capítulo defensivo, provavelmente aquele em William mais se evidenciou a “olho nú” na época transacta, a quebra verifica-se ainda que não tão evidente como a vox populi sentencia. Se é verdade que William recupera ligeiramente menos bolas por partida do que em 2013/14 (8,7 contra 8,3 por jogo) a verdade é que o médio leonino intercepta mais passes (2 por partida) e demonstra maior eficácia no corte de bola (83%) do que na época passada, embora pareça “meter o pé” menos vezes (2,3, contra 3,4 vezes na época anterior).

Na condução e entrega o médio leonino efectuou até ao momento mais passes por jogo (56) do que na época anterior (53), mantendo uma eficácia aproximada (82%, contra 84%). É curioso aliás reparar que Carvalho não só faz mais passes para ocasião de golo por partida (0,9, contra 0,7 ao serviço de Jardim) e efectua 1,2 remates por jogo quando na época transacta realizou apenas 0,7 por jogo. William conta já com uma assistência, contra zero em 2013/14, embora não tenha marcado qualquer golo até ao momento tendo na época anterior apontado quatro na Liga.

Há outro William na Champions

Prosseguindo a análise de desempenho de William, e entrando já no capítulo que respeita à avaliação da sua real capacidade para corresponder a maiores exigências (Premier League) chegamos a uma conclusão curiosa, após analisar o comportamento do médio na Liga dos Campeões, tema ao qual já havíamos dado atenção episódica.

Carvalho foi claramente superior nos seis jogos disputados na Champions (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)
Carvalho foi claramente superior nos seis jogos disputados na Champions (foto: J. Trindade infografia: GoalPoint)

Apesar do (teoricamente) maior grau de dificuldade das partidas disputadas o Sporting contou com um William de maior rendimento na Liga dos Campeões, não só em comparação com o desempenho na Liga na época em curso como também, em algumas variáveis, com a época anterior, tida como de referência. William recuperou mais vezes a posse (8,8), efectuou mais passes (57,5) e fez mais passes para ocasião (1 por partida) e revelou maior eficácia de passe (85,2%) do que em qualquer uma das duas épocas analisadas, na Liga.

Os (eventuais) motivos da oscilação

As razões para as diferenças de desempenho do médio “verde-e-branco” nos três planos analisados (Liga 13/14, 14/15 e Liga dos Campeões) poderão ter diversas razões, a começar pelas diferenças claras entre a ideia de jogo de Leonardo Jardim, mais expectante e defensivamente estruturada e o modelo aplicado por Marco Silva, claramente mais ofensivo e arriscado. Há pouco mais de um mês o Sporting era a equipa que mais passes para ocasião e remates efectuava na Liga (conforme análise publicada em GoalPoint), realidade que coloca a William Carvalho outros desafios e contextos de jogo com os quais não se via obrigado a debater-se ao serviço de Leonardo Jardim.

No último terço da época passada foram várias as opiniões que apontavam para o facto de faltar a William Carvalho uma maior propensão ofensiva para ser um jogador ainda mais completo no cumprimento das suas funções. Os dados de desempenho do médio demonstram os resultados, positivos e negativos, desse contexto, revelando um William que não apresenta, até ao momento, um desempenho não só tão mau como o “pintam”, à vista desarmada, como promissor (na Liga dos Campeões) no que respeita à dúvida que titula esta análise.